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PSP divulga vídeo e defende tolerância zero à violência nas manifestações de habitação

Intervenções policiais na madrugada de domingo em Lisboa e Porto resultaram em dezenas de feridos e detidos. Veja o vídeo partilhado pela PSP

A Polícia de Segurança Pública (PSP) divulgou um vídeo nas redes sociais para demonstrar que os seus agentes também sofreram violência por parte dos manifestantes durante as intervenções policiais na madrugada de domingo, defendendo que "a violência não pode ser tolerada".

"Procuramos sempre o entendimento e a conciliação entre todos. Contudo, a violência não pode ser tolerada. As agressões dirigidas à Polícia são inaceitáveis e não serão toleradas. A segurança de todos constrói-se com respeito mútuo", escreveu a PSP acompanhando o vídeo que apresenta a sua versão dos acontecimentos em Lisboa e no Porto.

A polícia sublinhou que a sua missão no espaço público consiste em "acompanhar e apoiar quem exerce a sua voz, equilibrando esse direito com as liberdades de toda a comunidade". A PSP acrescentou ainda privilegiar "um constante esforço de diálogo, mediação e sensibilização junto dos manifestantes" e procurar "sempre o entendimento e a conciliação entre todos".

Na madrugada de domingo, a PSP dispersou as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto com bastonadas e com recurso a cães, após mais de duas horas de tensão e ordens para que os manifestantes se retirassem e desmontassem as tendas instaladas.

Os manifestantes não acataram as ordens invocando o direito constitucional à manifestação.

Segundo a PSP, as intervenções policiais resultaram em 33 feridos e 33 detidos por desobediência. Por sua vez, as organizações das acampadas referiram em comunicado a existência de dezenas de feridos.

A Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) iniciou um processo de averiguações relativamente às intervenções policiais ocorridas durante a madrugada de domingo em Lisboa e Porto.

A provedora de Justiça também solicitou à PSP, com caráter de urgência, informações referentes à carga policial sobre os manifestantes nesse período.

Os partidos de esquerda criticaram a atuação policial, solicitando esclarecimentos ao primeiro-ministro e a intervenção do Presidente da República.

António José Seguro apelou ao diálogo sobre a habitação "e nunca à violência", afirmando não ter gostado das imagens que viu, mas que esperava o resultado dos inquéritos sobre a atuação policial junto dos manifestantes.

Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, a cessação das demolições e despejos sem alternativa habitacional, a limitação da aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins residenciais e rendas "verdadeiramente acessíveis".

Outubro 27, 2026 . 19:05

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