
Centro de reabilitação já recebeu 50 militares ucranianos feridos
O centro de reabilitação para militares feridos na guerra na Ucrânia, no concelho de Ourém, recebeu já 50 soldados, num trabalho humanitário em que todos os centavos contam, segundo a associação Ukrainian Refugees UAPT.
O vice-presidente da associação Ukrainian Refugees UAPT (HelpUA.pt) e responsável pelas missões na Ucrânia, Ângelo Neto, afirmou à agência Lusa que o Centro de Reabilitação Fénix abriu em 1 de julho de 2024, com «o primeiro grupo de soldados» que veio receber tratamento em Portugal, e já recebeu 50 militares, incluindo o grupo de 10 que chegou no passado dia 4 de outubro acompanhado das famílias.
Este grupo vai permanecer até ao dia 21, «período máximo que eles [militares] têm de autorização para sair da Ucrânia», explicou Ângelo Neto, que descreveu o apoio que é dado no centro, a começar pelo psicológico, como um fator principal para a recuperação.
«Só o facto de conseguirem dormir sem o psicológico de ter uma ameaça de a qualquer momento cair uma bomba ajuda na recuperação física equivalente a 100% a mais do que se eles estivessem na Ucrânia», declarou Ângelo Neto.
E, a partir da psicologia, o trabalho prossegue com fisioterapia e outra reabilitação física, com o centro a dispor de «todos os equipamentos próprios», assim como de um ginásio, além de outros espaços e até dois cães de terapia para crianças.
Admitindo que face àquilo que os militares passaram na Ucrânia a estada em Portugal possa ser uma gota de água para a sua recuperação, Ângelo Neto elencou, contudo, um conjunto de outras atividades que é proporcionada aos militares e respetivas famílias, a braços com uma guerra que, em fevereiro de 2027, deverá completar cinco anos.
Esta semana, por exemplo, militares falaram, numa conferência na Universidade Lusíada, em Lisboa, sobre a guerra.
O vice-presidente da Ukrainian Refugees UAPT destacou «a importância de serem ouvidos, de saberem que não estão esquecidos» e que, em Portugal, «com um coração tão grande, tem um equipamento» como o centro em Ourém que recebe os militares de «coração aberto». «É uma gota no oceano, mas está a servir de exemplo para outros países da Europa», assegurou, referindo que Dinamarca e Suécia, partindo do exemplo português, vão seguir o mesmo caminho.
Ainda esta semana, o grupo foi ver o jogo do Benfica contra o Celtic, o Mosteiro dos Jerónimos ou o Oceanário de Lisboa, entre outras atividades. O objetivo é que os dias de tratamento sejam intercalados por um dia de passeio.
A criação do Centro de Reabilitação Fénix, num antigo seminário na Aldeia Nova, foi anunciada em janeiro de 2023, data em que a expectativa era de que pudesse receber entre 100 e 150 doentes.
Questionado sobre se o centro está subaproveitado, Ângelo Neto respondeu positivamente. «Podíamos, sem dúvida, mais, mas é o que conseguimos com o apoio 100% da sociedade civil», adiantou.
Segundo o dirigente, este grupo de militares, «como os anteriores, vieram sempre com apoio da população portuguesa e empresas».
«Adequamos o que nós temos de apoio para conseguir trazer, porque não é uma logística barata», reconheceu.
Descrevendo os custos das viagens aéreas, alimentação e tratamento, o vice-presidente da associação frisou: «Nós gerimos mesmo os centavos e é o que conseguimos».
A partir de janeiro, o centro «também passa a receber cuidados continuados», 40 vagas, para a população portuguesa, e dessa forma, «pretende-se ter um fluxo financeiro maior e conseguir trazer mais militares», esclareceu.
«É a pedido do próprio Ministério da Defesa ucraniana e dos veteranos» que os militares chegam acompanhados das famílias, referiu, lembrando que «quando esses heróis vêm da frente de batalha, eles vêm muito abalados psicologicamente», mas o facto de estarem com a família «num ambiente fora da guerra, de tranquilidade», ajuda na reintegração e na questão psicológica.
No final de novembro, outro grupo de militares e seus familiares deverá chegar a Ourém.







