
Montenegro pede que manifestantes pela habitação “não sejam egoístas” e defende forças policiais
O Movimento pela Habitação que está em protesto no Porto desde sábado denunciou que durante a madrugada de hoje houve uma intervenção policial que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.
“Espero que os partidos políticos, movimentos associativos, organizações portuguesas, não caiam na tentação, por razões meramente egoísticas da sua própria ação, importarem para Portugal climas de instabilidade, de contestação, que não tenham de facto respaldo na sociedade portuguesa. E a manifestação que está a falar é elucidativa sobre isso, sobre a dimensão […] daquilo que é legítimo, que é protestar, que é exprimir uma posição política face àquilo que é dominante no país”, declarou Luís Montenegro em resposta aos jornalistas.
Falando à chegada à reunião do Conselho Europeu, em Bruxelas, no dia em que o Movimento pela Habitação denunciou uma forte intervenção policial durante a noite, o chefe de Governo vincou: “Nós não temos essa instabilidade, nós não temos esse nível de conflitualidade e não podemos cair no erro de considerar que escassas pessoas dão agora uma ideia de um país que parece que está em turbulência, não está”.
“Eu não tenho elementos para poder emitir uma opinião, [mas] aquilo que me parece é que as nossas forças de segurança são extraordinariamente criteriosas e respeitadoras destes princípios, o princípio da necessidade, da adequação e da proporcionalidade”, adiantou.
De acordo com Luís Montenegro, “as autoridades devem atuar - como disse muito bem ainda anteontem na posse do novo diretor nacional da Polícia de Segurança Pública, o ministro da Administração Interna - com base nos princípios da necessidade, da adequação e da proporcionalidade”.
“E, sempre que for necessário [devem agir] para garantir a autoridade pública e a autoridade do Estado, naturalmente agir perante as ofensas que alguns cidadãos possam fazer sobre isso”, acrescentou.
Luís Montenegro ressalvou, porém, que está “em reuniões aqui em Bruxelas desde as sete e meia da manhã, que são seis e meia em Portugal”, razão pela qual ainda não tem “uma informação muito concreta” sobre o que aconteceu no Porto.
“Aquilo que posso dizer é que é preciso garantir que as pessoas podem exercer o seu direito de manifestação, ao mesmo tempo que é preciso garantir que esse direito não colide com os outros direitos, com o direito de livre circulação, de tranquilidade e ordem pública, que naturalmente nós todos também queremos salvaguardar”, defendeu.
Luís Montenegro considerou, ainda, que “todos têm de responder e de serem responsabilizados também por aquilo que é o exercício de um direito, quando ele colide com os outros direitos”.
De acordo com o Movimento pela Habitação, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
A agência Lusa está a tentar contactar a PSP, mas até agora sem sucesso.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ter dito na quarta-feira que será “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas” na Praça D. João I”.







