
Autarca diz que polícia foi “forçada” a carga policial por alguns manifestantes
"Uma coisa é o direito à manifestação, ao protesto, e outra bastante distinta é o desrespeito e incumprimento, designadamente quando é ostensivo, da lei. Quando isso sucede, é responsabilidade e dever das autoridades, sejam policiais ou pública, zelar pelo respeito da lei, em benefício da liberdade de todos", afirmou, em conferência de imprensa, após a carga policial de madrugada, que causou 37 feridos, segundo números do movimento, e um polícia, segundo a PSP.
Segundo o autarca, eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL, a causa da “generalidade dos manifestantes” é “legítima e justa”, mas a PSP, que hoje apontou à "resistência" dos manifestantes como motivo da intervenção, por volta das 03:00, foi "forçada" a atuar "daquela forma", lamentando profundamente o sucedido.
O movimento pela habitação que tem protestado no Porto desde sábado, com uma acampada que ali começou nesse dia, denunciou uma carga policial esta madrugada que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.
“Na madrugada desta quinta-feira, às 02:56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D. João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto”, refere o movimento em comunicado.
De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
Os participantes voltaram a instalar tendas durante a noite, que foram retiradas pela polícia, depois de o presidente da Câmara do Porto ter dito na quarta-feira que seria “absolutamente implacável com qualquer tentativa de colocação de tendas” na Praça D. João I.
Na nota de hoje, o movimento “denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência”, considerando a carga “inaceitável” e pedindo responsabilidades.
A PSP confirmou entretanto um polícia ferido e a existência de feridos entre os manifestantes, sem precisar quantos, atribuindo a razão da intervenção a “comportamentos de resistência”.
Na quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de “continuar a crescer e não só no Porto”, apelando a outras cidades, como o que já está convocado para Lisboa no sábado.
Na segunda-feira, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto mesmo sem isso.







