
Plataforma Nacional do Vinho criada no Douro para valorizar o vinho português
A plataforma resulta de uma iniciativa que junta a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) e a Câmara do Peso da Régua, no distrito de Vila Real, e o protocolo entre as duas entidades foi assinado hoje.
“A intenção é chamar a atenção para aquilo que é um produto de grande valor económico para o país, que nos distingue”, afirmou Carlos Moura, presidente da direção da AHRESP.
O objetivo é também, acrescentou, chamar a atenção para os territórios e para o que se neles se produz, para o vinho e o enoturismo.
O responsável lembrou as condicionantes que o setor atravessa e referiu que a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) tem uma corrente de opinião contra o consumo de vinho.
Apontou ainda à redução das vendas no canal Horeca (restauração e hotelaria) de 08% em 2024, considerando que este “é um importantíssimo canal de escoamento do produto”, e às desigualdades a nível de fiscalidade.
“Ninguém entende - estamos fartos de dizer a todos os governos e a todos os ministros das Finanças e da Economia - que não se justifica, é um absurdo, que se tenha uma taxa de álcool no restaurante a 23% e na prateleira está a 13%”, explicou.
A plataforma terá um sítio “online’ onde agregará informação sobre o setor, mas também desenvolverá ações no terreno, como formações ou uma conferência nacional do vinho, prevista para a Régua.
O presidente da Câmara da Régua, José Manuel Gonçalves, disse que se vai “começar a trabalhar de imediato” na plataforma, que terá instalações no auditório municipal e um gestor dedicado.
“Aquilo que se pretende com esta plataforma é ser um fórum de discussão por um lado, mas também ser um fórum de promoção e articulação para promovermos e capacitarmos mais este negócio do vinho”, afirmou o autarca.
No concelho e na RDD, o setor do vinho tem, segundo José Manuel Gonçalves, um peso determinante, uma importância que se estende à economia nacional.
Por isso mesmo, explicou que o município abraçou a criação deste projeto que quer “criar valor acrescentado no vinho”.
“Vivemos numa região onde o principal setor económico é e vai ser sempre a vinha e o vinho e, portanto, tudo o resto vai crescer em função da dinâmica e da capacidade que nós tivermos de dar sustentabilidade económica, social, hoje ambiental também, a este setor”, frisou o autarca do distrito de Vila Real.
José Manuel Gonçalves realçou a preocupação com “toda a cadeia”, mas principalmente com os viticultores que só produzem uva.
Nesta vindima, que praticamente já terminou na região, viticultores queixaram-se de dificuldades em escoar a produção, com alguns a só conseguirem vender a uva destinada ao benefício, quantidade de mosto que cada produtor pode destinar à produção de vinho do Porto, ou de vender a baixo preço e abaixo do custo de produção.
O autarca referiu que os viticultores que produzem uva e vinificam “conseguem de alguma forma criar valor acrescentado”, adiantando que, para esses, “a plataforma é determinante, porque ela também potencia a parte comercial nacional e internacional”.
Para os que só produzem uva, considerou que a “sua matéria-prima tem de ser remunerada de forma justa”, cobrindo “pelo menos” os custos de produção.
A Plataforma do Vinho junta-se às plataformas nacionais do Pão, em Mafra, do Chocolate, em Óbidos, da Pastelaria, em Évora, e das Cozinhas do Mar, nos Açores, integrando a estratégia que a AHRESP tem vindo a desenvolver em torno de produtos com ligação à identidade gastronómica portuguesa.







