
Programação do Teatro Viriato quer “dar mais tempo ao presente”
Dar mais significado ao tempo. Ao nosso tempo individual e ao nosso tempo coletivo. Dar mais tempo ao presente. É esta a ideia que atravessa toda a programação da nova temporada do Teatro Viriato que conta com 25 atividades, sete coproduções de criações nacionais, entre as quais uma estreia, cinco produções próprias e sete residências artísticas.
De acordo com o diretor de programação António M Cabrita, “os números, por si só, dizem pouco”. “Num momento em que o tempo se apresenta cada vez mais fugaz e em que parece ser cada vez mais difícil contrariar isso, acreditamos que é necessário, ou mesmo obrigatório, e talvez quem sabe colocar mesmo na letra da lei, criar espaço para contrariar essa aceleração. Dar espessura ao tempo”, sublinhou o responsável na apresentação da nova temporada, que abre dia 19 com ‘Promise Valley Conference Center’, de Mickaël de Oliveira, “que cruza o teatro e o cinema para interrogar a forma como o mal se manifesta nas nossas sociedades”.
Em ‘Caminho do Céu’, de Rita Cabasso e que sobe ao palco no dia 6 de novembro, o público é confrontado “com a encenação de uma falsa normalidade num campo de concentração”.
No que diz respeito à música, o coletivo catalão Tarta Relena apresenta dia 24 de outubro, o seu mais recente álbum, no qual “as tradições do Mediterrâneo encontram a experimentação contemporânea”. E com Lambchop, de Kurt Wagner, o Teatro Viriato recebe, dia 18 de novembro, “uma escrita musical muito própria, muito humana, que pede essa disponibilidade para escutar”.
Através da dança contemporânea, o público irá viajar até Moçambique através de ‘Vagabundus’ de Idio Chichava. Marcado para dia 21 de novembro, a peça é inteiramente cantada ao vivo e “fala sobre migrações e pertenças”. “Que o encontro com outras experiências nos permita alargar a nossa maneira de ver e estar no mundo”, sublinhou António M Cabrita.
Esta temporada, o Teatro Viriato acolhe sete coproduções. ‘Quimera’, de Caroline Begeron, da Companhia Caótica, trabalha a feminilidade através de sombras e vídeo. Em ‘Este Mundo’, Bouchra Ouizguen cria uma peça, com a Dançando com a Diferença, a partir da diversidade dos seus corpos. E o Museu do Falso irá ocupar durante 24 horas uma loja da rua Direita.
A pensar nos mais novos, o Teatro Viriato receberá ‘A Invenção da Natureza’, da Gira Sol Azul, que explora a relação entre o humano e o ambiente através da música, das imagens e da experiência sensorial. A experiência prolonga-se em ‘Experimenta Criar’, uma oficina que é uma extensão da peça, para professores, técnicos e outros interessados.
O ‘K Cena - Projeto de Teatro Jovem’ chegará na sua 15.ª edição e a projeto ‘Três Tempos’, irá para a 3.ª edição. Em ‘Caminho do Céu’, de Rita Cabasso, as pessoas de Viseu vão estar em palco. Depois de um trabalho que já começou em 2025 com várias residências artísticas.
A parceria entre Teatro Viriato e o Cine Clube de Viseu volta a afirmar-se com o festival ‘vistacurta’, através da exibição de ‘Pai Nosso - Os últimos dias de Salazar’, de José Filipe Costa, e a apresentação de ‘Dois Ratos’ de Joana Estrela e Nicolau.
A temporada encerrará com o concerto de Camané, uma das figuras incontornáveis da música portuguesa, ‘Tempo’, uma obra de Kalle Nio e coreografia de Fernando Melo e música de Samuli Kosminen, que cruza dança e ilusionismo.
Rede de Teatros com Programação Acessível
Foi com “muita satisfação” que António M Cabrita anunciou que, a partir deste mês, o Teatro Viriato passa a integrar a Rede de Teatros com Programação Acessível. “Isso permitirá reforçar os recursos de audiodescrição e de interpretação em língua gestual portuguesa em diversos espetáculos, bem como uma maior colaboração e partilha de boas práticas entre as várias instituições que integram essa rede”, explicou.
Esta temporada, também será iniciada uma colaboração com a associação viseense Grito Livre, que promove o acesso pleno às artes por parte de pessoas com deficiência, em situação de vulnerabilidade ou em risco de exclusão.








