
PSD acusa autarca de Viseu de governar “por narrativas”
A Comissão Política de Secção do PSD de Viseu, presidida por Pedro Alves, exige “menos narrativas, mais factos e mais resultados” ao presidente da autarquia viseense, acusando-o de “ter encontrado uma forma peculiar de governar”, depois de João Azevedo ter criticado a execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) no concelho pelo anterior executivo.
“Primeiro constrói a narrativa e depois escolhe os factos que lhe dão jeito para a sustentar”, defendem os sociais-democratas. “Tudo o que corre bem já é mérito seu. Tudo o que apresenta dificuldades é responsabilidade de quem esteve antes. O problema é que a realidade insiste em desmentir as suas narrativas”, sublinham.
Em comunicado, Pedro Alves adianta que quando o Governo da AD tomou posse, em abril de 2024, a execução global do PRR “rondava apenas os 20%”, culpando os governos socialistas de António Costa, “que desenharam programas, regras e procedimentos fortemente centralizados, burocráticos e complexos, muitas vezes pouco ajustados à execução de obra pública em prazos extremamente exigentes”. “Foi um problema nacional, sentido por municípios de diferentes cores políticas. Transformá-lo agora num caso de incompetência exclusivamente viseense é reescrever a história”, acrescenta.
“João Azevedo diz também que não havia planeamento nem projetos. Então quem planeou, projetou, candidatou e lançou as obras PRR que encontrou quando chegou à Câmara?”, questiona, lembrando que, por exemplo, na saúde, “vários procedimentos tiveram de ser repetidos porque ficaram desertos ou porque as propostas ultrapassavam as dotações disponíveis”.
“Havia projetos, candidaturas e procedimentos. Existiram dificuldades de mercado, insuficiência das dotações e problemas no próprio modelo definido para executar o PRR”, destaca o presidente da Comissão Política de Secção do PSD.
Na opinião de Pedro Alves, o presidente da Câmara de Viseu deveria apresentar projeto a projeto, explicando quanto estava aprovado, quanto estava contratualizado, quanto resultou de concursos desertos ou dotações insuficientes e quanto corresponde a investimentos aos quais o atual executivo decidiu não dar continuidade, permitindo assim perceber “quanto representa, efetivamente, financiamento atribuído a Viseu que foi definitivamente perdido”.







