
Luís Neves diz-se alvo de mentiras e mantém que continuará a governar
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirmou hoje que tem sido alvo de insinuações e mentiras, mas que não se deixará intimidar e continuará a governar e a trabalhar.
"A mim não me intimidam, jamais me intimidarão", afirmou Luís Neves na cerimónia de comemoração dos 148 anos do Comando Regional da PSP da Madeira, que decorreu em Câmara de Lobos.
O ministro defendeu que tem autoridade para continuar a governar e acusou o presidente do Chega, André Ventura, de lançar "o caos, porque dá jeito".
"Não aceito que André Ventura transforme aquilo que assumi naquilo que nunca fiz", acrescentou.
Na segunda-feira, o líder do Chega disse que reunirá hoje os órgãos do partido para decidir sobre a apresentação de uma moção de censura ao Governo.
Na semana passada, o líder do Chega já tinha admitido avançar com uma moção de censura caso o primeiro-ministro não resolvesse a situação do ministro da Administração Interna, que considerou ter atingido um nível "grotesco" e "inaceitável".
Interrogado sobre se admitia recuar na apresentação desta moção caso as explicações de hoje do ministro fossem esclarecedoras, André Ventura considerou essa hipótese difícil, fazendo referência à polémica com um atrelado apreendido numa operação contra tráfico de droga e descoberto numa empresa contratada pela PJ (quando Luís Neves liderava a PJ) e pelo governante, e o facto de Luís Neves conduzir um carro apreendido pela polícia.
“Quer dizer, se parece um gato, se anda como um gato, se mia como um gato, é um gato, como se costuma dizer”, afirmou Ventura.
Luís Neves alertou ainda para o populismo e as condições que o favorecem, afirmando que se “lança uma suspeita de manhã, repete-se à tarde e à noite há quem comente como se fosse um facto provado”, e que se procura convencer os portugueses de que todos os políticos são corruptos e a justiça e instituições estão comprometidas.
“ [O populismo] precisa que ninguém confie em ninguém, porque é no caos, na desconfiança e no medo que alguns medram. O país tem de acordar do que está a acontecer. O populismo não quer, nunca quis, instituições fortes, quer instituições suficientemente fragilizadas para que apenas a sua voz pareça credível. Não quer uma política de segurança, quer uma política, de medo, de receio, de coação. Não quer respostas, quer suspeitas permanentes, porque vive politicamente deles”, disse.
Sobre as mais recentes suspeitas em que se viu envolvido, o ministro da Administração Interna negou ter cometido qualquer crime.
“Há uma distância que nunca permitirei que seja apagada: entre os erros que assumi e os crimes que não cometi. Nunca tomei uma decisão que pudesse prejudicar o Estado. Nunca, jamais, em tempo algum. Continuo disponível para todo o escrutínio que for necessário, político, judicial, financeiro e jornalístico”, disse Luís Neves.
Sobre o facto de conduzir um carro apreendido a Ruben Oliveira, conhecido por ‘Xuxas’, condenado a 20 anos de prisão por tráfico de droga, o ministro disse que a legislação que o permite é de 2007 e que, ao serviço da Polícia Judiciária, afetou a favor do Estado centenas de viaturas e bens, tal como fez com televisores, sofás e equipamento de ginásio apreendidos no mesmo processo, que colocou ao serviço de “melhores condições e preparação física” de quem investiga o crime.
“Apliquei a lei”, afirmou o ministro, que acrescentou ainda: “Há quem veja nisso um escândalo por pura ignorância ou má-fé. Eu vejo polícias mais preparados e o produto do crime devolvido ao serviço da sociedade”.
“Lança-se uma acusação grave, sabendo que será repetida dia após dia durante dias, mesmo que nunca venha a ser demonstrada, porque nunca será, porque não existe. Quando essa acusação perde força lança-se uma outra, sempre com o oportuno pretexto de grandes investigações jornalísticas sustentadas na inveja e na falsidade daqueles que eu próprio afastei”, acusou Neves, que acrescentou que nunca uma decisão sua foi judicialmente revogada.
Após este discurso feito perante o comando regional da PSP da Madeira, Luis Neves falou aos jornalistas tendo-se recusado a concretizar a quem se referia.
Luís Neves recusou ainda estar “desaparecido em combate”, dizendo estar a trabalhar “no combate que realmente interessa”, em prol de polícias, bombeiros, proteção civil.








