
Rússia ameaça atacar alvos no Reino Unido em resposta a fornecimento de mísseis à Ucrânia
A Rússia afirmou que poderá atacar alvos no Reino Unido em resposta à utilização de mísseis balísticos britânicos pelas forças ucranianas para bombardear território russo, e pediu a Londres para que "cesse as ações hostis".
Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, denunciou a "postura agressiva de Londres em relação a Moscovo", que "poderá conduzir a um aumento da violência e a uma intensificação do conflito, levando-o a um novo nível".
"Apelamos a todos os residentes no Reino Unido para que tenham em conta que haverá consequências catastróficas e inevitáveis decorrentes das ações do seu próprio Governo e instamos as autoridades do país a analisarem em profundidade a situação e a abandonarem esta política hostil e agressiva que apenas prolonga a agonia do regime neonazi ucraniano e cria riscos de escalada", salientou.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, anunciou, por ocasião do 35.º aniversário da independência ucraniana, que a empresa de defesa MBDA vai partilhar os elementos necessários para que Kiev possa fabricar os seus próprios mísseis de longo alcance 'Storm Shadow', sistemas que Londres já fornece às forças ucranianas, e instou a França a juntar-se a esta iniciativa.
Os sistemas 'Storm Shadow' são mísseis de cruzeiro, fruto da cooperação entre as indústrias de defesa britânica e francesa, conhecidos como SCALP em França.
Num discurso ao lado do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, Andy Burnham insurgiu-se contra as "ameaças ultrajantes" de Moscovo e defendeu que a Ucrânia é "a linha da frente que protege a Europa", comparando a resistência à Rússia à luta contra a Alemanha nazi.
O anúncio do fornecimento de tecnologia dos 'Storm Shadow' provocou indignação no Kremlin, que acusou Londres de obstruir a paz e avisou que os militares russos vão identificar os locais de produção destes mísseis e destruí-los.
Em 23 de agosto, Moscovo retirou o embaixador Andrey Kelin para pressionar Londres a reconsiderar o seu apoio a Kiev, segundo os media britânicos.
Maria Zakharova afirmou que o Reino Unido foi "alertado repetidamente" que qualquer "equipamento e instalação britânica na Ucrânia e fora do país pode ser alvo" de ataques caso Moscovo responda aos ataques lançados por Kiev com "armas britânicas" contra território russo.
"Aqueles que forem culpados de cometer crimes de guerra, incluindo alguns contra a população civil russa, serão punidos pelas suas ações", acrescentou a porta-voz da diplomacia russa.
Zakharova indicou que a Rússia "continua a supervisionar a transferência deste tipo de armamento" para a Ucrânia, bem como "qualquer tecnologia que possa permitir a montagem posterior de mísseis" de forma independente.
"O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, salientou a continuidade da política antirrussa de Londres e confirmou que o Reino Unido não só transferiu armamento de longo alcance para as Forças Armadas ucranianas, como também forneceu a Kiev os dados tecnológicos para a montagem independente de mísseis de cruzeiro 'Storm Shadow' em fábricas ucranianas", adiantou Zakharova.
"Vale a pena referir que o Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou anteriormente uma transferência de tecnologia semelhante, embora não tenha tido tempo de a implementar", afirmou.
"É evidente que, ao transferirem componentes diretamente para a Ucrânia, a França e o Reino Unido procuram isentar-se da responsabilidade pelos ataques que ocorrem no nosso país. Isso não vai funcionar. Paris, Londres, Berlim e outras capitais têm responsabilidade direta nestes ataques terroristas", declarou.
Além destas capitais, Zakharova acusou o Presidente finlandês, Alexander Stubb, de ser "um terrorista" por "justificar ataques ucranianos contra infraestruturas civis russas" e considerou-o "russófobo".
"Seguir-se-á inevitavelmente uma resposta ponderada, em plena consonância com os nossos interesses nacionais", acrescentou.
Na sexta-feira, Helsínquia convocou o embaixador russo no país devido a uma suspeita de violação do espaço aéreo finlandês por uma aeronave russa, ocorrida no dia anterior, quando um avião de reconhecimento IL-20 entrou no espaço aéreo finlandês, no oeste do Golfo da Finlândia, durante cerca de três minutos, segundo a guarda fronteiriça do país nórdico, que está a investigar o incidente.








