
Incêndio em Gironda destrói 12.500 hectares em França
Um incêndio em Gironda, sudoeste de França, já consumiu mais de 12.500 hectares de floresta e levou à evacuação de 44.000 pessoas em dois dias, anunciaram as autoridades locais.
O fogo, que começou em Saumos na quarta-feira, obrigou à retirada preventiva de habitantes da península de Cap-Ferret, Saumos, Le Temple, Arès e Andernos. Na península turística de Cap-Ferret, normalmente cheia no verão, a população foi evacuada por estrada e barco, deixando a zona vazia ao meio-dia.
Sophie Brocas, autarca da Nova Aquitânia e de Gironda, classificou o incêndio como "XXL, imprevisível" e alertou que o fogo em Arcachon continua fora de controlo, numa situação de seca extrema e com previsão de ventos fortes que podem dificultar as operações de extinção.
Nos últimos dois dias, foram retiradas preventivamente cerca de 35.000 pessoas da baía de Arcachon, incluindo toda a península de Cap-Ferret, que conta com aproximadamente 40.000 residentes e visitantes na época alta. A evacuação foi escalonada, com alertas enviados para telemóveis e apoio da polícia militar, utilizando a única estrada de acesso e uma ponte marítima com dezenas de embarcações para transportar as pessoas até à cidade de Arcachon.
Mais de 1.000 bombeiros, 440 polícias militares e 260 veículos participam nas operações, reforçadas com quatro aviões Canadair, três aviões de combate a incêndios e helicópteros de reconhecimento.
Marc Vermeulen, diretor do Serviço Departamental de Bombeiros e Salvamento de Gironda, afirmou que as condições deste incêndio são "piores do que em 2022", quando a região sofreu os incêndios mais graves da sua história recente. Durante várias horas da madrugada, o fogo propagou-se entre 800 e 1.000 hectares por hora, atingindo zonas urbanas e provocando incêndios de casa em casa devido à projeção de material incandescente.
Apesar do grande avanço das chamas, as equipas conseguiram proteger milhares de imóveis, embora 53 habitações tenham sido destruídas. Até ao momento, não se registaram vítimas mortais entre os residentes, mas 27 bombeiros receberam assistência médica, seis foram hospitalizados — cinco por inalação de monóxido de carbono e um por fratura exposta no tornozelo causada pela explosão de uma botija de gás.
A prioridade das autoridades é proteger vidas humanas, prosseguir com retiradas preventivas, proteger zonas habitadas e reforçar as linhas de defesa com maquinaria pesada e barreiras táticas contra o fogo. Agricultores colaboram também com camiões-cisterna para conter o avanço das chamas.
O Ministério Público de Bordéus ordenou a detenção de qualquer pessoa apanhada a lançar beatas para zonas florestais, devido a vários incêndios secundários registados durante o combate ao foco principal.
A situação também é difícil no incêndio que ameaça Biscarrosse, nas Landes, desde quinta-feira. Este já consumiu 2.600 hectares e causou danos significativos, com 105 habitações e edifícios afetados ou destruídos, segundo o autarca Gilles Clavreul.









