
Guterres apela a líderes mundiais para cumprirem promessas e lutarem pela paz
O secretário-geral da ONU instou hoje os líderes mundiais a "cumprirem as suas promessas" e a lutar pela paz "agora mais do que nunca", desde o Médio Oriente à Ucrânia, lançando ainda alertas sobre a inteligência artificial.
Guterres sublinhou que os líderes se reúnem numa era de profunda incerteza, mas aproveitou para recordar os compromissos assumidos com a Carta da ONU, frisando a necessidade de respeitar o Direito internacional, proteger os direitos humanos, investir no desenvolvimento sustentável e inclusivo, e sobretudo de lutar pela paz.
"Agora mais do que nunca", pediu.
Relativamente ao Médio Oriente, o secretário-geral considerou que a prioridade deve ser a desescalada, insistindo que esta deve ser "a prioridade número um, a prioridade número dois e a prioridade número três".
Apelou a que todas as partes cessem ações que prejudiquem os civis e garantam a segurança e continuidade das operações humanitárias. Guterres recordou que os direitos e liberdades de navegação no estreito de Ormuz e em Bab al-Mandab devem ser plenamente restaurados e respeitados, conforme o Direito internacional.
"O único caminho a seguir é a desescalada, a diplomacia e o diálogo. Continuarei a insistir nesta mensagem nos meus contactos contínuos com os dirigentes", disse, referindo-se às dezenas de reuniões bilaterais previstas durante a Semana de Alto Nível, que decorre de sexta-feira até 28 de setembro.
O secretário-geral da ONU alertou ainda para o "sofrimento dramático do povo palestiniano — tanto em Gaza como na Cisjordânia". Apelou para a plena implementação do plano de paz para Gaza com ajuda humanitária sem restrições e defendeu que a anexação gradual da Cisjordânia tem de cessar.
"Não haverá paz no Médio Oriente sem a concretização da solução de dois Estados", insistiu.
Voltando-se para a Europa, Guterres destacou o "imenso sofrimento civil, consequências globais em cascata e sem fim à vista" resultantes da guerra na Ucrânia, afirmando que é momento de um cessar-fogo imediato, como primeiro passo para uma paz justa, duradoura e abrangente.
Ameaças globais: inteligência artificial e cooperação internacional
António Guterres abordou também as ameaças globais, destacando as crescentes preocupações com o avanço da inteligência artificial (IA), que classificou como uma "ameaça existencial" caso esteja descontrolada.
Referiu os alertas da própria indústria da IA sobre o desenvolvimento acelerado desta tecnologia, que ultrapassa a compreensão dos riscos, e defendeu que a humanidade não pode ignorar estas preocupações.
"Os governos devem assumir as suas responsabilidades. É a primeira responsabilidade de qualquer Governo proteger os seus cidadãos — inclusive contra as ameaças da inteligência artificial. A ação nacional é essencial. Mas a coordenação global é também indispensável. Porque a IA não se fica pelas fronteiras — nem os seus riscos", afirmou.
Guterres criticou as "pausas voluntárias isoladas, não verificáveis e aplicadas de forma desigual", afirmando que estas não resolverão o problema. "Se acreditamos que o desenvolvimento da IA deverá abrandar quando os riscos se tornarem demasiado grandes, precisamos de mais do que boas intenções", acrescentou.
O chefe das Nações Unidas, que deixará o cargo no final do ano, garantiu que a IA será um tema importante nas suas discussões com os líderes mundiais na próxima semana e que a ONU continuará a explorar ideias e abordagens práticas para o tema nos próximos dias.
"Estou consciente das divisões geopolíticas e das tentações que isto pode gerar. Mas o mundo não pode permitir-se um nivelamento por baixo na segurança da IA. Precisamos de barreiras de proteção para construir confiança — e que tornem a IA segura, transparente, responsável, com a dignidade humana no centro", afirmou.
"Numa altura em que o mundo enfrenta três ameaças existenciais -- a inteligência artificial descontrolada, a crise climática e o intolerável aprofundamento das desigualdades -- a cooperação internacional é mais necessária do que nunca", concluiu.







