
Ministério admite falta de relatório sobre digitalização de exames de Filosofia
O ministro da Educação, Fernando Alexandre, afirmou que o Governo não recebeu qualquer relatório sobre o projeto-piloto da digitalização dos exames nacionais de Filosofia realizados no ano passado, acusando o ex-presidente do Júri Nacional de Exames (JNE), Luís Duque de Almeida, de nunca ter entregue o documento.
Durante uma audição parlamentar pedida pelos grupos do PCP e do Livre, o ministro declarou que "o Governo não tem relatório nenhum" relativo ao processo de digitalização, referindo que o ex-presidente do JNE "não deixou relatório nenhum" e que, se tinha informação sobre os problemas ocorridos, "não a transmitiu nem sequer à Direção-Geral da Educação nem ao EduQa".
Fernando Alexandre acrescentou que Luís Duque de Almeida cessou funções em setembro e que, passados mais de 12 meses, terá de explicar por que não comunicou os problemas que agora alega terem ocorrido e que poderiam ter sido antecipados.
O presidente do EduQa, Luís Pereira dos Santos, também ouvido na comissão parlamentar, contestou as declarações do ex-presidente do JNE, afirmando que "houve articulação" entre as entidades ministeriais envolvidas. "O antigo presidente do JNE cessou as suas funções em setembro, não percebo qual é o fundamento que ele tem para dizer que não houve uma articulação entre o JNE", declarou, sublinhando que o JNE pertencia à Direção-Geral de Educação, atualmente integrada no EduQa.
Luís Pereira dos Santos reconheceu que surgiram "algumas dificuldades" durante o projeto-piloto, que serviram para melhorar o processo, e revelou a existência de "uma dificuldade técnica informática na plataforma" desenvolvida pela equipa do EduQa.
Mais tarde, o secretário de Estado da Educação, Alexandre Homem de Cristo, afirmou que "não houve um relatório formal do projeto-piloto", mas que os serviços tiveram "informação sobre como correu o piloto". Considerou que "o piloto foi muito positivo", embora reconheça que "não significa que não haja espaço para melhorias".
O secretário de Estado concluiu que "a experiência faz sentido" e que "os professores gostam" do novo modelo de exames digitais.









