
Sondagens apontam para vitória de Le Pen nas eleições presidenciais francesas
As sondagens indicam que, mesmo apesar da condenação que pesa sobre Le Pen por desvio de fundos, e agora que foi tornada pública a sua intenção de concorrer às eleições de abril de 2027, a líder de extrema-direita obteria entre 34% e 36% dos votos, de acordo com informações recolhidas pelo jornal Les Échos.
"A sua condenação não teve qualquer impacto negativo. Pelo contrário, o anúncio da sua candidatura teve um efeito positivo e isso foi o mais relevante", explicou Bruno Jeanbard, vice-presidente da OpinionWay, em declarações ao jornal Les Échos.
"Marine Le Pen encontra-se num nível comparável ao de Jordan Bardella nos seus melhores momentos", acrescentou, referindo-se ao presidente da União Nacional.
Na terça-feira, logo após à sua condenação pelo Tribunal de Recurso de Paris a um ano de prisão, com a possibilidade de uso de pulseira eletrónica, por desvio de fundos públicos europeus, Le Pen anunciou que iria recorrer da decisão do tribunal e formalizou a sua candidatura às eleições presidenciais marcadas para abril de 2027.
Os dados desta sondagem indicam que apenas alguns candidatos têm possibilidades reais de alcançar o segundo lugar na primeira volta das eleições: os antigos primeiros-ministros do Governo do Presidente Emmanuel Macron, Édouard Philippe e Gabriel Attal, e o líder do partido de esquerda França Insubmissa (LFI), Jean-Luc Mélenchon.
Philippe, ex-primeiro-ministro e atual presidente da Câmara de Le Havre, obteria 22% dos votos se fosse o único candidato centrista na primeira volta, eliminando assim o outro ex-chefe de Governo, Gabriel Attal.
Se ambos se candidatassem, Édouard Philippe (18%) superaria largamente Gabriel Attal (7%).
No entanto, Attal obteria 16% dos votos se fosse o único candidato centrista e, de acordo com esta sondagem, poderia qualificar-se para a segunda volta, à frente de Jean-Luc Mélenchon.
O líder do partido França Insubmissa é considerado por muitos como o candidato mais forte da esquerda, à frente do eurodeputado do partido Place Publique, Raphaël Glucksmann (com um apoio entre os 9% e os 10%), a conselheira da região dos Altos de França dos Ecologistas, Marine Tondelier (5%), e o secretário-geral do Partido Comunista francês, Fabien Roussel (2%).
Prevê-se que Mélenchon obtenha entre 13% e 15% dos votos, o que o impediria de passar à segunda volta, independentemente do candidato ou candidatos centristas que venha a enfrentar.
Hoje, a candidata derrotada nas eleições presidenciais francesas de 2007 e ex-ministra Ségolène Royal, de 72 anos, anunciou a sua participação nas primárias do Partido Socialista para tentar novamente a nomeação presidencial de 2027.
Ségolène Royal tentou, há quase 20 anos, tornar-se a primeira mulher presidente do país, mas perdeu para o candidato de direita Nicolas Sarkozy na segunda volta.
Após meses de deliberação, os membros do Partido Socialista francês optaram por escolher o seu candidato presidencial através de primárias agendadas para outubro.
Outros dois candidatos já declararam a sua candidatura às primárias do Partido Socialista: os deputados Philippe Brun e Jérôme Guedj.
O ex-presidente François Hollande, por sua vez, recusa-se a participar nas primárias, posicionando-se como uma opção alternativa para o final do ano, caso o Partido Socialista se mantenha num impasse.
À direita, Bruno Retailleau, ministro do Interior até há alguns meses, foi indicado como candidato por membros do partido conservador, Os Republicanos, que lidera.







