
Tapeçarias do Museu do Caramulo feitas nos teares de Tournai vão ser conjunto de interesse nacional
O anúncio de abertura do procedimento de classificação como conjunto de interesse nacional das quatro tapeçarias produzidas nos teares de Tournai, Flandres, no 1.º terço do século XVI, foi publicado hoje no Diário da República (DR).
As quatro tapeçarias ditas “À maneira de Portugal e da Índia” integram o acervo do Museu do Caramulo/Fundação Abel e João de Lacerda, situado no concelho de Tondela, distrito de Viseu.
O conjunto é constituído pelas obras “Cortejo Triunfal com Dromedários e Elefante”, “Cortejo Triunfal com Camelos e Macacos da Etiópia”, “Cortejo Triunfal com Girafas” e “Combate entre Homens e Leões”.
De acordo com o presidente do conselho de administração do Museu do Caramulo, Salvador Patrício Gouveia, estas quatro tapeçarias “são das peças, se não mesmo as peças, mais importantes da coleção do Museu do Caramulo”.
“São quatro tapeçarias encomendadas por D. Manuel, que estão associadas aos Descobrimentos e que estavam espalhadas pelo mundo”, acrescentou.
À agência Lusa, Salvador Patrício Gouveia destacou que estas tapeçarias “são tão importantes que, na altura, o Museu foi feito de propósito para elas”.
“Ou seja, o Museu do Caramulo, que foi o segundo edifício feito de propósito em Portugal para ser um museu, foi construído de acordo com as próprias peças. Portanto, foi o espaço que se adaptou às peças e não as peças que se adaptaram ao espaço, o que demonstra bem a relevância das peças”, referiu.
Segundo Madalena Reis, do Museu do Caramulo, as quatro tapeçarias passaram a estar reunidas na mesma sala desde 2022, depois de ter sido levado a cabo um projeto de reorganização e nova museografia.
“As peças estiveram expostas estas décadas todas, durante 60 anos, mas não estavam juntas na mesma sala. Criámos então um núcleo, que é dedicado aos Descobrimentos, onde estão as quatro tapeçarias”, explicou.
Apesar do valor próprio de cada uma das tapeçarias, “é o conjunto que as torna realmente excecionais”.
“Além do relevante valor simbólico para a História de Portugal, por assinalarem a descoberta do caminho marítimo para a Índia, as tapeçarias têm também um valor artístico pela qualidade do desenho e da manufatura das oficinas de Tournai”, apontou.
À Lusa, Madalena Reis disse ainda que o projeto de requalificação das salas da coleção de arte do Museu do Caramulo acabou reconhecido, com a atribuição do prémio Vilalva, “um prémio muito relevante” atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Os teares da região de Tournai foram um dos maiores centros de produção de tapeçarias da Flandres nos séculos XV e XVI, ficando conhecidos por produzirem obras de grande rigor histórico e com elementos exóticos.
O estilo de Tournai adaptou-se fortemente à época dos Descobrimentos, tecendo peças "à maneira de Portugal e da Índia", encomendadas pela coroa e nobreza.







