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Seleção nacional enceta "renovação progressiva" a pensar no Mundial 2030

Portugal necessita de uma renovação progressiva na antecâmara do Mundial2030, que coorganizará com Espanha e Marrocos, após ter chegado aos oitavos de final da edição 2026 sem futebolistas abaixo dos 20 anos, assume Carlos Dinis, ex-selecionador jovem.

“Quando se vai para uma grande competição, tem de se levar atletas que nos dão confiança e mostram maturidade suficiente para encará-la com a maior serenidade possível. Estas provas precisam daqueles que, além do talento, estejam emocionalmente estáveis e suportem esse peso enorme. Agora, o caminho faz-se caminhando e integrar os mais jovens é sempre importante, porque são o seguimento da seleção”, notou à agência Lusa o técnico, de 73 anos, que trabalhou na Federação Portuguesa de Futebol (FPF) entre 1997 e 2009, com 353 jogos efetuados dos sub-15 aos sub-21.

Portugal, detentor da Liga das Nações, foi eliminado na segunda-feira nos ‘oitavos’ do Mundial2026, ao perder com a Espanha (1-0), vencedora em 2010 e detentora do título europeu, em Arlington, nos Estados Unidos, repetindo os desempenhos de 2010 e 2018 na nona participação, e sétima consecutiva, na fase final da maior competição internacional de seleções.

“Se fossem integrados dois ou três elementos mais jovens e com potencial, isso acrescentava valor e arrastava, depois, a possibilidade dos mais novos chegarem mais cedo ou mais tarde à seleção principal. Essa luz apareceu numa ou outra convocatória, mas desapareceu rapidamente”, enquadrou.

Carlos Dinis recorda que a temporada 2025/26 “não foi a melhor” para as seleções jovens, afastadas das fases finais dos Europeus de sub-17 e sub-19, apesar de os sub-20 terem arrebatado o Torneio Maurice Revello, anteriormente conhecido por Torneio de Toulon, e de os sub-21 estarem perto da qualificação para o Campeonato da Europa de 2027 da categoria.

No ano passado, os sucessos dos sub-17 a nível continental e rumo ao inédito troféu mundial elevaram o futebol jovem luso, que tem mostrado “grande apetência para projetar jogadores” dentro e fora de Portugal, mesmo sem ter uma base de recrutamento tão vasta como outros países.

“Os clubes estão melhores e cada vez mais organizados e apetrechados, fazendo com que a evolução dos atletas possa ser melhor. As seleções têm progredido muito em termos de trabalho, estrutura e acompanhamento. Isso é inequívoco e os jogadores têm apoio, mas é importante repensar sempre com objetivos claros e dirigidos para o futuro”, frisou o treinador, que, entre outras fases finais, levou Portugal ao segundo e terceiro lugares nos Europeus de sub-19 e sub-17 em 2003 e 2004, respetivamente.

Carlos Dinis admite possíveis alterações na estrutura técnica nacional, em paralelo com o comando da seleção principal, já que o espanhol Roberto Martínez está de saída em fim de contrato, três anos e meio após render Fernando Santos, vencedor do Euro2016 e da Liga das Nações de 2019.

“O cargo de selecionador nacional não pode ser só para servir a seleção ‘AA’. Tem de estar integrado numa estrutura que pense o futebol, emane diretrizes e, depois, ponha-as em prática na evolução e futuro, sobretudo do jovem jogador português”, direcionou, consciente de que o quadriénio até ao Mundial2030 “não dá assim tanto tempo para projetar à distância”.

Jorge Jesus tem sido veiculado pela imprensa como sucessor de Roberto Martínez, estando sem clube depois da saída do Al Nassr, com o qual se sagrou campeão saudita em 2025/26, na companhia dos avançados internacionais lusos João Félix e Cristiano Ronaldo, capitão da seleção.

“Se for ele a treinar a seleção, vai ter de gerir as coisas de uma forma bem diferente do que num clube, porque as sensibilidades são diferentes. A sensibilidade aqui é nacional. Os jogadores têm de ter um tratamento diferente do processo diário nos clubes e adaptarem-se ao treino e aos princípios básicos que o novo selecionador quiser”, observou Carlos Dinis.

O antigo treinador de Benfica e Sporting, entre outros clubes nacionais e estrangeiros, fará 72 anos em 24 de julho e tem 24 troféus em pouco mais de três décadas e meia de carreira, na qual nunca comandou seleções.

“Quanto à capacidade futebolística que Jorge Jesus possa implementar, não tenho muita dúvida de que pode resultar e constituir uma mais-valia. Por outro lado, os indicadores que temos do passado não são muito fortes na perspetiva de lançar jogadores com talento, mas ainda jovens”, advertiu.

Até ao Mundial2030, para o qual está automaticamente qualificado como anfitrião, Portugal vai disputar duas edições da Liga das Nações, em 2026/27 e 2028/29, e a qualificação para o Campeonato da Europa de 2028, a ser coorganizado entre Reino Unido e República da Irlanda.

Julho 8, 2026 . 09:45

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