
Fenprof acusa governo de “empobrecer a prática pedagógica” com avaliação digital
Um dos secretários-gerais da Fenprof acusou hoje o governo de estar a “empobrecer a prática pedagógica” com as provas digitais que deixam de identificar a aprendizagem dos alunos para a padronizar, alargando mais as clivagens sociais.
“Os exames quando foram criados deixaram de ser ‘uma avaliação’ e transformaram-se na ‘a avaliação’ e isso acaba por determinar tudo, a forma como se dá aulas, como corre a prática pedagógica e agora está a ser dado um passo ainda mais à frente que tem a ver com a digitalização das provas”, disse Francisco Gonçalves em Viseu numa conferência de imprensa de apresentação de balanço do ano letivo, no dia em que o Pré-escolar e o 1.º ciclo terminam as aulas, duas semanas depois dos restantes alunos terminarem..
Para o responsável da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), a digitalização das provas Moda e das provas finais do 9.º ano, que são digitais, sendo que a de Matemática no 9.º ano é hibrida, e “já está a acontecer uma digitalização dos exames do ensino secundário”.
“Ou seja, aquela que é a avaliação mais importante, a formativa que permite identificar o que um aluno sabe e não sabe, o que faz e não faz, e dar esse ‘feedback’ ao aluno é a que tem sido, progressivamente destratada”, acusou o sindicalista.
No fundo, acrescentou, o que vai acontecer é “ter é algo padronizado e decidido a partir de cima e que, claramente, vai empobrecer a prática pedagógica e, pela falta de recursos na educação inclusiva, vai alargar ainda mais as grandes clivagens sociais e no rendimento escolar dos alunos que hoje são sentidas”.
Sobre as provas e o facto de ainda não estarem disponíveis para os professores avaliarem, este responsável da federação sindical contou ainda um episódio “bem demonstrativo” que ouviu na segunda-feira enquanto conduzia.
“Ouvi o ministro dizer que os professores têm 10 dias úteis para corrigir os exames. O que é mentira, porque assim, a partir de hoje faltam oito dias. A professora [que o acompanhava] tinha sido convocada nessa manhã para classificar provas, num e-mail que tinha chegado à escola no sábado, num período de classificação que começava na sexta-feira. Recebeu no dia 29, algo que tinha chegado em 27, com prazo que começava no dia 26 e, ao procurar aceder ao 'link' onde terá que fazer o trabalho, dizia que não era possível aceder”.
“Contactado o júri de exames, foi-lhe fornecido um outro 'link', a que conseguiu aceder, mas não tinha ainda as provas para corrigir. Foi-lhe dito que diariamente, duas vezes ao dia, fosse consultando que as provas lá iriam aparecer”, contou.
Segundo Francisco Gonçalves, “é inaceitável a conceção de que a componente social deve prevalecer sobre a componente letiva, o que está na base da imposição de um calendário alargado para aqueles setores. Para a Fenprof o calendário escolar deve ser uniformizado”.
Além de que há “muitas atividades letivas a decorrer, provas, exames, reuniões de avaliação e o ensino profissional ainda a terminar módulos” e isto, acrescentou, “perante uma vaga de calor em muitas regiões do país, as escolas mantém-se abertas, muitas delas sem as condições térmicas adequadas”.








