
Rede de tráfico de pessoas desmantelada em operação conjunta
Uma operação conjunta da Polícia Judiciária (PJ) e da Guarda Civil espanhola desmantelou uma rede dedicada ao tráfico de pessoas, que resultou na detenção de cinco suspeitos e no resgate de dois homens mantidos em cativeiro durante décadas em Espanha.
Denominada "Mãos Livres", a operação decorreu em duas fases na zona de Burgos, no norte de Espanha, e envolveu as polícias da Diretoria do Centro e da Guarda Civil de Castela e Leão.
A PJ explicou que o grupo, de cariz familiar, recrutava em Portugal pessoas em situação de fragilidade económica e exclusão social para as explorar em território espanhol.
Os suspeitos intermediavam junto de empregadores o fornecimento de mão de obra para trabalhos agrícolas pouco qualificados, mantendo as vítimas sob controlo e obrigando-as a viver em condições deploráveis de habitabilidade e alimentação, sob constante coação.
Além disso, apropriavam-se da quase totalidade dos rendimentos que os empresários entregavam para pagamento dos salários.
As vítimas eram inscritas nos Serviços da Segurança Social espanhola para que os exploradores elaborassem contratos de trabalho, obtendo assim salários e benefícios sociais.
Para dificultar a atuação das autoridades, abriam contas bancárias e registavam viaturas em nome das vítimas.
Na primeira fase da operação, em março de 2025, foram resgatadas duas vítimas que estavam sob domínio dos suspeitos há 30 e 15 anos, respetivamente.
A PJ indicou que a vítima mais velha foi transacionada entre elementos do grupo como se fosse uma mercadoria.
A operação culminou com três detenções em Espanha, com idades entre os 32 e os 35 anos, e duas em Portugal, com 54 e 56 anos.
Entre os detidos em Portugal, um possui antecedentes criminais por crimes semelhantes.
Os detidos em Portugal serão apresentados a tribunal para determinação das medidas de coação, enquanto os detidos em Espanha foram apresentados à Audiência Nacional, em Madrid, para extradição para Portugal.
Durante as diligências em Espanha, acompanhadas pela PJ, foram recolhidos elementos de prova adicionais, incluindo documentação variada, saldos bancários e a apreensão de dois imóveis.








