
“A Feira de São Mateus é a nossa joia da coroa que tem de ser celebrada”
“Quem é a Feira de São Mateus? Somos todos nós”. A pergunta surgiu no ecrã gigante instalado na Praça D. Duarte e foi respondida pelo vídeo promocional que abriu ontem apresentação pública da 634.ª Feira de São Mateus. E esta frase acabaria por definir o tom de uma noite que reuniu centenas de pessoas no coração de Viseu para conhecer o cartaz da edição deste ano, mas também para celebrar um dos maiores símbolos da cidade.
Mais do que anunciar concertos, espetáculos e novidades, a apresentação procurou reafirmar a identidade de um certame que atravessa mais de seis séculos de história e continua a assumir-se como um ponto de encontro entre gerações, tradições e visitantes.
“A Feira de São Mateus é um ativo popular com mais de 600 anos que merece todo o nosso respeito e a nossa capacidade de inovar junto da tradição”, começou por afirmar o presidente da Câmara de Viseu, João Azevedo.
Para o autarca, o certame continua a ser “a nossa joia da coroa”, desempenhando um papel determinante não apenas na vida cultural da cidade, mas também na sua afirmação turística e económica. “A Feira de São Mateus tem alma. Felizmente, temos hoje pessoas que conseguem modernizar, respeitar o passado e transformar este cartaz num cartaz importante para chamar pessoas. Não só aqueles que vivem cá, mas também a diáspora espalhada pela Europa e pelo mundo”, acrescentou.
Também José Fernandes, presidente da Viseu Marca, sublinhou o peso histórico do evento. “A Feira tem 634 anos de história e a responsabilidade de ser a guardiã das feiras populares”, afirmou, defendendo que a longevidade do certame depende da sua capacidade para preservar aquilo que o tornou único. “Temos de voltar à raiz popular. Queremos uma feira que permita que todos estejam presentes e que seja direcionada para as famílias, onde o avô conta uma história ao neto para que, no futuro, esse neto possa contar as mesmas memórias aos seus filhos”, defendeu.
E essa dimensão comunitária esteve presente ao longo de toda a apresentação, que destacou igualmente a aposta crescente na inclusão. A associação SurdiSol voltará a assegurar intérpretes de Língua Gestual Portuguesa em vários momentos da programação e promoverá oficinas abertas ao público.
“O nosso papel vai ser muito simples: servir como intermediários, como facilitadores, para que quem não ouve possa vibrar, dançar e sentir”, explicou António Jorge, presidente da associação.
Entre as novidades anunciadas para esta edição está ainda uma nova praça dedicada às freguesias e comunidades locais, concebida para dar visibilidade às tradições, ao património e à identidade do concelho. A apresentação foi também um espetáculo. Pelo palco passaram os Átoa, Fingertips e o Vox Visio Coral, num programa que contou ainda com atuações do Quarteto Improvisio, Mafalda Moreira, Dança da Morgadinha, Tunadão e dos Zés Pereiras de Vildemoinhos.
Antes do encerramento, João Azevedo deixou um convite aos viseenses e aos visitantes: “Apareçam na Feira, celebrem a Feira com segurança e respeito pelo passado e pela sua história”.







