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Um JAL “para todos” que convida à desaceleração

Depois de uma primeira fase dedicada à escolas do concelho, o Jardim das Artes e das Letras chega com concertos, instalações, oficinas, cinema ao ar livre e poesia que vão transformar o Parque Aquilino Ribeiro

O Jardim das Artes e das Letras já apresentou a programação para a edição deste ano, depois de um primeiro momento dedicado exclusivamente aos alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo do concelho. A aposta respondeu às solicitações das escolas e permitiu criar atividades acessíveis a todas as crianças, envolvendo 48 turmas e um total de 1.203 participantes em 112 sessões de mediação artística e cultural centradas em temas como a leitura, a sustentabilidade, a ecologia e a poesia. A figura em destaque foi a poeta Adília Lopes, que esteve no centro das iniciativas desenvolvidas nesta primeira fase do projeto, criado e produzido pela Pausa Possível.

Agora, o JAL prepara-se para abrir as portas ao público em geral e transformar o Parque Aquilino Ribeiro no epicentro da cultura em Viseu, entre os dias 25 de junho e 5 de julho. Com as obras na Mata do Serrado a obrigarem à mudança de cenário, a organização encontrou naquele espaço “o lugar de eleição”, explicou a diretora artística e coordenadora do projeto, Sandra Oliveira, sublinhando que o parque reúne “as condições ideais para este projeto”, desde a componente técnica até às zonas de sombra, descanso e acolhimento.

Mais do que um conjunto de espetáculos, a edição deste ano nasce de uma reflexão sobre o ritmo acelerado da atualidade. Sandra Oliveira considera que vivemos “momentos geopolíticos e sociais dramáticos numa velocidade extemporânea”, onde a informação chega constantemente, mas raramente é verdadeiramente assimilada. Por isso, toda a programação surge como “um convite a essa calma, a estarmos uns com os outros e a podermos pensar”, numa perspetiva em que o pensamento é encarado não como algo pesado, mas como uma necessidade para viver melhor.

Essa visão atravessa toda a programação. “Uma programação cultural não é uma soma de atividades”, defendeu a responsável, mas sim “um conjunto harmónico de atividades que servem uma ideia, uma visão de cidade”. É precisamente nessa lógica que o JAL deste ano coloca em destaque dois criadores viseenses: o artista visual Manuel Alvess e a poeta Adília Lopes. A organização pretende explorar a interseção entre as artes visuais e a poesia, encontrando pontos de contacto entre “o corpo da palavra e o corpo da linha”. A obra de ambos, acredita Sandra Oliveira, é um convite à desaceleração, à atenção ao detalhe e à simplicidade, aproximando artistas e públicos.

O programa inclui cinco concertos que serão acompanhados por um ecrã de 10 metros, cruzando sonoridades tão diversas como o violino, a guitarra, o piano, o jazz, a música eletrónica, a flauta, o clarinete e a electroacústica. Haverá também cinco instalações de new media que prometem desafiar “a perceção digital pela sua quietude quase meditativa”, além de duas performances ligadas às artes visuais e à literatura e outras duas inspiradas na linguagem teatral.

Jardim Jal 2026
Apresentação da segunda fase do Jardim das Artes e das Letras aconteceu no Parque Aquilino Ribeiro

Entre as propostas mais originais está uma soundwalk, com oito sessões, que convida os participantes a percorrer o parque de forma diferente. O cinema ao ar livre também regressa, estando prevista a exibição com duas longas-metragens.

As famílias terão igualmente um papel central nesta segunda fase do JAL. Depois de uma programação fortemente orientada para as escolas, o foco passa agora para pais, filhos e visitantes. Um dos destaques será o geocaching poético, inspirado na obra de Adília Lopes, que desafiará crianças e adultos a descobrir o Parque Aquilino Ribeiro canto a canto. Haverá ainda oficinas de carpintaria para famílias, bem como outras atividades destinadas ao público adulto.

A música e a formação caminham lado a lado nesta edição. Três especialistas internacionais na área do som e da electroacústica vão orientar um workshop de três horas dirigido aos músicos de Viseu, estabelecendo uma ligação entre os concertos apresentados e uma componente formativa que decorrerá no Conservatório.

Entre as estruturas permanentes, a Feira do Livro promete ser um dos grandes polos de atração. Sandra Oliveira destaca a aposta na qualidade da oferta, reunindo algumas das mais prestigiadas editoras e livrarias dedicadas à literatura infantil, como a Faz de Conto, a Fundação Serralves e a Libros & Libros. “São pérolas nacionais e internacionais que Viseu nunca tem acesso e que nesta Feira terá”, afirmou.

O parque contará ainda com um Canto Poético aberto a todos os que queiram declamar poesia em público, esculturas espalhadas pelos espaços verdes, iluminação noturna, casas e abrigos para descanso, zonas de piquenique, áreas lúdicas para bebés e um espaço de restauração.

No total, os dois momentos do Jardim das Artes e das Letras somam perto de 200 atividades. Apesar da dimensão do programa, Sandra Oliveira garante que tudo foi pensado “de uma forma muito calma e muito organizada”, com o objetivo de chegar ao maior número possível de públicos.

“Queremos apresentar um programa rigoroso, com contexto, que prima pelo bem-estar das pessoas e que prime, acima de tudo, para elas pensarem”, concluiu.

A iniciativa conta com um apoio financeiro de cerca de 30 mil euros da Câmara Municipal de Viseu e de 60 mil euros da Direção-Geral das Artes.

Junho 16, 2026 . 17:53

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