
Cavalhadas de Teivas desfilam este domingo com número recorde de pares na Dança da Morgadinha
As Cavalhadas de Teivas, conhecidas por terem como ex-libris a Dança da Morgadinha, vão desfilar este domingo, a partir das 15h00, pelas ruas da cidade de Viseu. Cerca de 500 pessoas irão participar nesta manifestação cultural que está a ser preparada com afinco há vários meses.
Este ano, irá contar com um número recorde de pares na Dança da Morgadinha. De acordo com Isabel Ferreira, vice-presidente da direção da Associação de Teivas, serão 30 pares. “Nos últimos anos as pessoas têm demonstrado muito interesse em participar e temos participantes de toda a freguesia. O mais novo terá cerca de 10 anos e o mais velho pouco mais de 70. Há muita juventude nesta Dança da Morgadinha”, garante.

Participar naquele que é o ex-libris e ponto alto do desfile não sai barato. Segundo a dirigente, os homens gastam entre 70 a 100 euros na roupa, enquanto que o vestido das mulheres poderá custar até 200 euros. “Muitas compram o tecido e mandam fazer. Há quem tenha vários vestidos e vá trocando de ano para ano. Outras fazem alterações ao vestido para não ser igual”, conta Isabel Ferreira, que participa desde os 14 anos na Dança da Morgadinha e quase quatro décadas depois admite que este ano irá desfilar com “um orgulho ainda maior”, tendo em conta que a dança está mais perto de integrar o Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, encontrando-se na fase final do procedimento de inscrição.
A inscrição da secular Dança da Morgadinha, uma tradição inserida nas Cavalhadas de Teivas, de Viseu, no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial encontra-se em consulta pública durante um mês. O anúncio da consulta pública foi publicado ontem em Diário da República. O Património Cultural, Instituto Público terá depois 120 dias para decidir sobre o pedido de inventariação feito pela autarquia.
“É sempre um trabalho de equipa”
Para David Cardoso, já são 26 anos a construir carros para as Cavalhadas de Teivas.
“A construção começa em março, com quatro ou cinco pessoas, e começa a intensificar-se a partir da segunda quinzena de maio, com deslocações diárias à associação, onde os carros estão guardados. Nestes últimos dias, que obrigam a mais mão de obra devido aos muitos pormenores que é preciso concluir, há 15 a 20 pessoas envolvidas na construção de cada carro”, revela, sorrindo.
As noitadas são habituais e poucas são as horas que se descansam nas noites que antecedem o desfile, no entanto, no final vale sempre a pena. “Há muita carolice e muito convívio. Mesmo na recolha dos materiais que depois são usados”, explica.

No caso de David Cardoso, um dos carros artísticos é decorado com botões de eucaliptos, casca de eucalipto, pinhas e folhas de nespereira, entre outros materiais, que só podem ser recolhidos poucas semanas antes para não se estragarem. “É sempre um trabalho de equipa. Contamos com a colaboração de todos”, sublinha, enquanto olha para um dos dois carros que está a construir e que será uma homenagem à Dança da Morgadinha, ex-libris das Cavalhadas de Teivas.
Quanto à conclusão dos carros até ao dia do desfile, que é este domingo, David Cardoso garante que “o pior está feito”. “Ainda há muitas horas de trabalho pela frente, mas agora estamos em velocidade de cruzeiro”, assegura.
O presidente da direção da Associação de Teivas, Armando Cardoso, revelou que o desfile terá cerca de uma dezena e meia de carros artísticos e tradicionais, além de carros de apoio, que estão a ser construídos por cerca de 100 pessoas, das quais muitas tiram nesta altura férias para se dedicarem de corpo e alma à tarefa de proporcionar um evento memorável aos milhares que irão encher as ruas no próximo domingo. Os filmes da Disney e Pixar voltaram a inspirar os construtores dos carros artísticos, enquanto que os carros tradicionais, que estão a ser criados em Póvoa de Moscoso, Cabanões, Oliveira de Barreiros e Pindelo de Silgueiros), recordarão os saberes e costumes de Teivas.
Dos vários grupos musicais que irão animar o desfile, o dirigente destaca o Rancho Folclórico de Alfarrobeira (Vila Franca de Xira) e as Pauliteiras e Pauliteiros de Sandim, sem esquecer os diversos grupos da região.







