
Duas empresas e sete pessoas acusadas por incêndio que causou 168 mortos
Sete pessoas e duas empresas foram hoje acusadas de 25 crimes, incluindo homicídio involuntário, relacionados com o incêndio ocorrido em novembro de 2025 num arranha-céus residencial em Hong Kong, causando 168 mortos, anunciaram as autoridades.
A polícia e a Comissão Independente contra a Corrupção apresentaram hoje acusação contra sete pessoas e duas empresas por 25 crimes, nomeadamente "homicídio involuntário, conspiração para cometer fraude, “branqueamento de capitais”, tentativa de obstrução à justiça e fraude fiscal”, indicou o Governo, num comunicado.
As sete pessoas desempenharam diferentes funções no grande projeto de renovação do Wang Fuk Court e entre elas estão dirigentes e inspetores de uma empresa de consultoria envolvida na renovação de todo o complexo residencial, bem como o empreiteiro principal do projeto, segundo a mesma fonte.
O incêndio, o mais mortífero em Hong Kong desde 1948, devastou, em 26 de novembro, sete das oito torres de habitação do complexo Wang Fuk Court, no distrito suburbano de Tai Po, no norte do território, deixando um cenário desolador e centenas de vítimas, 168 das quais morreram.
As causas do incêndio foram alvo de uma investigação que durou vários meses, nesta região com estatuto especial da China.
Em março, a polícia tinha informado ter detido 38 pessoas por acusações relacionadas com o complexo, incluindo homicídio involuntário e fraude, das quais nove tinham sido acusadas formalmente.
A agência anticorrupção informou, no mesmo mês, que também deteve 23 pessoas por suspeita de crimes como suborno e conluio para defraudar.
As audiências públicas da comissão de inquérito independente revelaram que quase todas as medidas de segurança destinadas a salvar vidas em caso de incêndio falharam, “devido a erros humanos”, como indicou perante a comissão o procurador-geral Victor Dawes.
A comissão de inquérito indicou em março que a causa mais provável do incêndio estava relacionada com o facto de os trabalhadores costumarem fumar em cima dos andaimes, o que levou o Governo a ponderar a possibilidade de proibir o fumo em zonas onde se realizem trabalhos de manutenção, reparação ou ampliação, a fim de evitar incidentes semelhantes no futuro.
As torres devastadas pelo incêndio estavam em obras e cobertas por andaimes de bambu, redes de proteção não resistentes ao fogo e painéis de espuma, que podem ter contribuído para a rápida propagação do incêndio.
Os alarmes de incêndio de sete das oito torres estavam desativados no momento do incêndio, “atrasando consideravelmente a retirada dos residentes”, afirmou também Dawes.
Milhares de residentes perderam as suas habitações e foram realojados em alojamentos temporários.







