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BE distribuiu faturas para alertar que o aumento do custo de vida "tem duas faces"

Entre críticas ao conflito no Médio Oriente, que agravou o custo de vida, na fatura o BE elencava as despesas - casa, gasolina, eletricidade, gás, supermercado e transportes - e concluía que todas superavam o valor do salário

O coordenador do BE alertou hoje que o aumento do custo de vida “tem duas faces”, entre os que “têm cada vez mais dificuldade em esticar” o salário e os que acumulam “lucros obscenos”, e desafiou o Governo a intervir.

Nas imediações da sede do grupo Jerónimo Martins, detentora da cadeia de supermercados Pingo Doce, cerca de duas dezenas de bloquistas distribuíram hoje faturas por quem passava a caminho da estação de metro do Campo Grande, em Lisboa.

No topo da fatura lia-se “PSD”, mas a sigla não remetia para o Partido Social-Democrata, atualmente no Governo, mas sim para uma outra frase: “Preços sempre a disparar”.

Entre críticas ao conflito no Médio Oriente, que agravou o custo de vida, na fatura o BE elencava as despesas - casa, gasolina, eletricidade, gás, supermercado e transportes - e concluía que todas superavam o valor do salário.

“O Bloco de Esquerda está aqui hoje para mostrar que a crise do custo de vida tem duas faces: de um lado, a face de quem com baixos salários tem cada vez mais dificuldade em esticar o seu rendimento até ao fim do mês para comprar bens essenciais. (…) É a realidade daquilo a que chamamos a maioria do costume”, alertou o coordenador do BE, José Manuel Pureza.

O bloquista realçou que a maioria das pessoas em Portugal vive “uma vida de aflição” e que “é um exercício de pilotagem à vista dia a dia”.

“Mas a crise do custo de vida tem a outra face. E a outra face é a dos 646 milhões de euros do lucro de um grupo que tem uma posição largamente dominante na grande distribuição em matéria de alimentação. Como podíamos falar de outros grupos, de um punhado de outros grupos económicos, que têm lucros obscenos, seja na grande distribuição, seja nos combustíveis e por aí vai”, criticou.

Além das faturas, os bloquistas empunhavam cartazes com o símbolo da cadeia de supermercado e frases como “um trabalhador do Pingo Doce teria que trabalhar 226 anos para ganhar o que o CEO ganha num ano” ou a imagem de uma couve cujo preço “aumentou 49% desde o ano passado”.

Em declarações à Lusa, à margem da ação, José Manuel Pureza insistiu na necessidade de tomar medidas, dando como exemplo duas, a começar pela taxação dos lucros extraordinários.

“Quero, aliás, lembrar que o Governo, através do Ministro das Finanças, disse que Portugal ia propor na União Europeia a taxação sobre lucros extraordinários, que havia já condições dentro do Conselho Europeu para que a taxação dos lucros extraordinários fosse aprovada. Disse isso e depois não aconteceu nada”, criticou.

Outra das medidas que o BE defende é o controlo temporário dos preços, nomeadamente no que toca a bens alimentares essenciais.

José Manuel Pureza avisou ainda o executivo liderado por Luís Montenegro que “se está à espera da anestesia das pessoas” sobre esta matéria, o BE “fará os possíveis para que essa anestesia não faça efeitos”.

“Estou muito convencido de que um aumento continuado dos preços vai ter efeito em termos de instabilidade social, como é óbvio. O Governo que se prepare para uma indignação crescente por parte das pessoas em relação a isto”, alertou.

O BE esteve também hoje a recolher assinaturas para uma petição sobre o aumento do custo de vida que segundo a assessoria do partido já tem cerca de 2.600 assinaturas.

Junho 8, 2026 . 21:45

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