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Francês condenado a 25 anos de prisão por violações e tortura à sua ex-companheira

A pena é inferior à prisão perpétua pedida para Guillaume B., de 51 anos, perante o Tribunal de Justiça de Digne-les-Bains (sudeste de França)

Um tribunal francês condenou um ex-gerente bancário a 25 anos de prisão por violação qualificada, atos de tortura e barbárie, e por explorar sexualmente a sua ex-companheira.

A pena é inferior à prisão perpétua pedida para Guillaume B., de 51 anos, perante o Tribunal de Justiça de Digne-les-Bains (sudeste de França).

O advogado da vítima, Philippe-Henry Honegger, citado pela agência France-Presse, disse que foi a coragem de Gisèle Pelicot, que se tornou uma figura global na luta contra a violência sexual por testemunhar publicamente sobre as violações cometidas pelo seu ex-marido e por dezenas de outros homens num caso célebre, que inspirou a sua cliente a querer contar a sua história.

Guillaume B. estava a ser julgado por infligir inúmeros atos de abuso à sua companheira ao longo de sete anos, alegando que mantinham uma relação sadomasoquista e que a vítima era uma participante voluntária.

A maioria dos atos — espancamentos, uma tatuagem degradante, bestialidade, queimaduras, estrangulamento e escatologia — foi admitida por Guillaume B, assim como os encontros sexuais pagos que obrigou a sua ex-companheira a ter com outros homens, quase 500, segundo a acusação.

"Os factos não são contestados, a questão é o consentimento", argumentou um dos advogados de defesa, Arnaud Lucien. As inúmeras mensagens do casal "demonstram que Laëtitia consentiu", afirmou a outra advogada, Charlotte Barriol.

 

Técnica de farmácia de formação, Laëtitia sofre de sequelas físicas e fisiológicas

Mas esta versão dos factos não foi aceite pelo júri, e a vítima, Laëtitia — de 42 anos e agora reconhecida como portadora de uma deficiência entre os 50% e os 80% — contestou-a durante uma semana de debates exaustivos, a que os seus quatro filhos compareceram parcialmente.

A condenação por todas as acusações é "uma fonte de satisfação e alívio", comentou Philippe-Henry Honegger, advogado da vítima.

A sua cliente queria que “as pessoas compreendessem como é que não se consegue deixar este tipo de homem, que as pessoas pudessem ver como é, este tipo de personalidade, estas dinâmicas de casal que são tão destrutivas”, disse Honegger.

O arguido, de cabelos grisalhos e bigode fino, afirmou “lamentar certas coisas”, ao mesmo tempo que negava, em lágrimas, “ser o monstro que descrevem”. “Não pensava estar a fazer mal”, acrescentou.

Técnica de farmácia de formação, Laëtitia sofre, segundo o seu advogado, de sequelas físicas e fisiológicas que a “impedem de levar uma vida quotidiana normal”.

Maio 24, 2026 . 09:30

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