
Arte e histórias chegam ao Parque Aquilino Ribeiro para celebrar o Dia da Criança
Costuma-se dizer que mais vale dois pássaros na mão do que um a voar. Mas, no Jardim das Artes e das Letras (JAL), a lógica será precisamente a inversa. “Dois pássaros a voar, mais vale”, lê-se no poema de Adília Lopes escolhido como mote da edição deste ano que, entre 1 e 2 de junho, levará teatro, concertos, oficinas e contadores de histórias ao Parque Aquilino Ribeiro, em Viseu, para cerca de 1.200 crianças do ensino pré-escolar e 1.º ciclo. Isto para celebrar o Dia Mundial da Criança.
A 2.ª edição do JAL decorre a 1 e 2 de junho e muda-se este ano para o Parque Aquilino Ribeiro, depois da Mata do Serrado, espaço habitual do projeto, se encontrar em obras.
A alteração acabou por reforçar uma das ideias centrais da programação: a relação entre natureza, cultura e espaço público. “Achámos que seria um bom lugar aprazível para podermos estruturar toda a relação entre a natureza, a cultura, a arte e a poesia”, explicou Sandra Oliveira, diretora artística, durante a apresentação do programa.
Ao contrário das edições anteriores, este primeiro momento do festival será inteiramente dedicado ao público escolar. A decisão nasceu de uma constatação simples: há poucas propostas culturais pensadas para crianças mais novas.

“Entendemos que também devemos trabalhar com o público escolar”, justificou. E, por isso, o Parque da Cidade vai transformar-se numa espécie de ‘mapa de descobertas’. Haverá espetáculos, oficinas, contadores de histórias, estruturas sensoriais, esculturas para brincar, casas-abrigo, areia para construir mundos e percursos feitos de palavras. No total, serão 112 atividades.
A edição deste ano terá dois artistas em foco: Adília Lopes e Manuel Alvess, artista visual nascido em Viseu e ainda pouco conhecido na cidade. Mais do que uma homenagem, a escolha pretende também atenuar um esquecimento.
“O Manuel Alvess não é conhecido em Viseu. E achamos nós que temos o dever de inscrever este nome maior da arte contemporânea portuguesa na cidade”, reconheceu.
Mas será o verso de Adília Lopes a atravessar quase toda a programação do JAL. “Esta frase ‘Dois pássaros a voar, mais vale’, onde eu acho que se encerra a portugalidade, é muito difícil de explicar a um estrangeiro”, até porque, frisa, “tem a ver com liberdade, tem a ver com aquela questão mais vale um pássaro na mão que estás a voar e, portanto, aqui é ao contrário, é a questão da liberdade, a questão do respeito pela natureza, a questão da diversidade”, explicou.
Entre os destaques estará ‘Pó de Pedra, Pode Pedra’, uma criação de Patrícia Portela, construída como percurso-espetáculo “para os miúdos perceberem que se pode construir um mundo de formas muito diversas”, adiantou.
No dia seguinte, a pianista Joana Gama levará ao parque um toy piano, “um piano de brincar”, para um espetáculo onde música e histórias se cruzam. Haverá ainda uma peça de teatro silencioso ‘Giraffes’, projeto de uma companhia catalã, com figuras gigantes que atravessarão o parque em interação com o público.
“São umas girafas gigantes, em que interagem com as pessoas para poderem perceber que estão num mundo diferente, anormal, do seu local habitat natural”, revelou Sandra Oliveira.
Já as oficinas foram desenhadas em cocriação com artistas viseenses e partem do universo poético de Adília Lopes. Entre pássaros, materiais, estampagens e palavras, as crianças serão convidadas a criar os seus próprios objetos e interpretações. No segundo dia, 600 t-shirts servirão de tela para reinventar o poema.
Mas talvez a proposta mais ‘silenciosa’ do programa esteja nas estruturas permanentes espalhadas pelo parque: esculturas, areia, espaços sensoriais e zonas de abrigo onde não há um objetivo concreto além do tempo passado ali. “Interessa-nos que os miúdos possam brincar pelo brincar, serem autónomos e decidam a sua própria brincadeira, sem nós termos que ter conteúdos programáticos para lhes dar”, explicou Sandra Oliveira.
Na apresentação, o presidente da Junta de Freguesia de Viseu, Nuno Bico, sublinhou o impacto de uma programação deste género na atração de famílias jovens para a cidade. “É muito importante reconhecer que Viseu terá umas condições de ensino e oferta cultural espetacular”, afirmou, reforçando a “importância da arte, da cultura e de toda a importância que o dia 1 e 2 vão ter no futuro destes jovens”.
Para o Município de Viseu, o projeto ajuda também a repensar os espaços verdes da cidade como lugares de permanência nos meses quentes. A expectativa, disse o assessor para a Cultura, Guilherme Gomes é transformar o Parque Aquilino Ribeiro num lugar de “fruição” e “abrigo” durante o verão, onde “dias no parque, mais vale”.







