
Câmara de Lisboa recusa responsabilidade pelo cancelamento da Queima das Fitas
A Câmara Municipal de Lisboa (CML) recusou hoje qualquer responsabilidade pelo cancelamento da festa da Queima das Fitas, que estava prevista ocorrer no Estádio Universitário, e adiantou que a organização do evento aceitou a licença até à 01:00.
Em causa está a festa da Queima das Fitas de Lisboa, organizada pela primeira vez pela Federação Académica de Lisboa (FAL) e pela Federação Académica do Instituto Politécnico de Lisboa (FAIPL), para os dias 15 e 16 de maio, no Estádio Universitário de Lisboa, e que foi cancelada devido a “um conjunto de limitações”, entre as quais a impossibilidade de se realizar até às 04:00, segundo a organização.
Em comunicado, o município presidido pelo social-democrata Carlos Moedas disse que recebeu “com surpresa” a informação de que o evento tinha sido cancelado e explicou o processo de licença para que a festa da Queima das Fitas ocorresse no Estádio Universitário de Lisboa, reforçando que o mesmo foi aceite pela organização.
“Tratando-se de uma zona com recetores sensíveis (entre os quais o Hospital de Santa Maria e edifícios de habitação), a autarquia emitiu uma Licença Especial de Ruído (LER) com música autorizada até à 01:00 hora da manhã, condições que foram aceites pela entidade organizadora numa reunião presencial no passado dia 27 de abril”, expôs.
De acordo com o município, desde os primeiros contactos no âmbito do pedido de licença, que ocorreram ainda no decurso do mês de março, “sempre foi clara a existência dos referidos condicionalismos”, e foi transmitido à organização que, “no caso de pretender um horário mais alargado, deveria procurar uma localização alternativa”.
Por isso, “a CML recusa que lhe seja imputada qualquer responsabilidade pela não realização do evento Queima das Fitas”.
No sábado, a menos de uma semana da realização do evento, a organização anunciou o cancelamento da iniciativa, num vídeo publicado nas redes sociais, justificando a decisão com “dificuldades e entraves”, e assegurando que “todos os que compraram bilhete irão ser reembolsados”.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da FAL, Pedro Neto Monteiro, disse que houve “um conjunto de limitações do ponto de vista logístico, operacional e até em termos de perceção” que comprometeram a realização da festa da Queima das Fitas de Lisboa.
Entre essas limitações está o pedido de licença à CML para que o evento ocorresse até às 04:00, mas apenas foi permitido até à 01:00, o que dificultou a organização da festa, inclusive a distribuição dos artistas, expôs Pedro Neto Monteiro.
“Para nós, é importante que a perceção dos estudantes relativamente ao evento seja a melhor possível e acreditamos que com o evento até à 01:00 não seria possível oferecer essa experiência de qualidade, até porque se compararmos, por exemplo, com a Queima das Fitas do Porto ou com a Queima das Fitas de Coimbra, que duram até às 06:00, seria claramente uma experiência diferente e nós queríamos de facto que fosse algo com mais substância”, declarou.
Sobre os fundamentos da CML para não permitir o prolongamento do horário, o presidente da FAL disse que têm a ver com a existência de prédios habitacionais “imediatamente atrás do Estado Universitário”, devido ao ruído, e considerou que tal é compreensível”, mas ressalvou que se trata de um evento pontual, para acontecer “duas noites num ano inteiro”.
Outra das razões que levaram à decisão de cancelar a festa da Queima das Fitas, segundo o presidente da FAL, tem a ver com “uma perceção negativa sobre eventos recreativos de natureza semelhante”, após o que aconteceu na última edição da Semana Académica de Lisboa, realizada há dois anos, sob organização de uma entidade distinta, em que “foi um verdadeiro desastre”.
Pedro Neto Monteiro ressalvou, no entanto, que a dimensão da tradição da Queima das Fitas de Lisboa, com a imposição de insígnias, a serenata e a bênção das fitas, “não foi, de forma nenhuma, cancelada”.









