
“O mecanismo europeu não é Bruxelas a disponibilizar meios”
O secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, esteve em Viseu, onde fez um balanço positivo do exercício europeu de proteção civil PT EU MODEX, que decorre esta semana no concelho. Depois de uma visita aos diversos módulos instalados no Campo de Viriato, o governante salientou a importância da iniciativa, no que diz respeito à troca de experiências e de boas práticas com outros países, sublinhando que “quando muita gente fala sobre o mecanismo europeu de proteção civil, julgo que não sabe do que está a falar”.

“O mecanismo europeu não é uma prateleira que está em Bruxelas e que disponibiliza meios. São os vários países que enviam os seus efetivos, quando, em determinado momento, são solicitados”, explicou, lembrando que “a questão dos incêndios é hoje transversal a quase todos os países europeus”. “Ainda esta semana recebemos pedido de apoio, no âmbito do mecanismo europeu, para a República Checa e para os Países Baixos, que habitualmente nem tinham este histórico de incêndios”, revelou.

“O exercício correu muito bem”, garantiu Rui Rocha. “Enquanto responsável por esta área da Proteção Civil, estou muito satisfeito com aquilo que observei. Não só com aquilo que é a qualidade apresentada pela nossa equipa, mas, sobretudo, com aquilo que são as experiências e as partilhas. É importante que existam estes exercícios para afinarmos algumas questões”, referiu.
Questionado sobre as ‘afinações’ que são necessárias, revelou que este ano haverá cinco centros de meios aéreos que vão usar retardante no combate às chamas, quando no ano passado só havia retardante num único centro. Em relação aos dois helicópteros Black Hawk que este ano serão usados no combate aos incêndios, adiantou que há apenas uma questão com o sistema de retenção da água, que obrigará a sinalizar os pontos de água onde estes meios aéreos conseguem abastecer, já que o sistema usado é diferente do de outros helicópteros que se encontram no terreno.

O secretário de Estado garantiu ainda que o sistema de comunicações SIRESP será melhorado, “com mais redundância, com mais resiliência e com mais autonomia”, sublinhando que os próprios rádios são um modelo híbrido, “que permite também ter outro tipo de garantias na comunicação”.
“Além disso, vamos aumentar este ano os grupos de ataque ampliado. Em média, temos 96% de sucesso no ataque inicial, que são os primeiros 90 minutos. Temos que concentrar cada vez mais o nosso foco naqueles 4% ou 5% de incêndios que não conseguimos debelar nos primeiros 90 minutos. E por isso reforçamos os grupos de ataque ampliado, que vai passar de um para cinco. A nossa força especial de proteção civil este ano já vai contar com um contingente de quase 300 elementos e temos 20 novas equipas de intervenção permanente nas instituições humanitárias, que serão mais 100 elementos”, explicou.

Organizado pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), no âmbito do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia, o exercício envolve mais de 700 operacionais de Chipre, Chéquia, Espanha, França, Polónia e Portugal.









