
Carneiro desafia Montenegro a deixar cair reforma laboral
O secretário-geral do PS desafiou hoje o primeiro-ministro a deixar cair a reforma laboral, que diz ser ofensiva para os trabalhadores, ao prejudicar jovens e mulheres, e defendeu que cabe às centrais sindicais decidirem a greve geral.
“Faço-lhe um apelo: deve deixar cair esta teimosia e deixar cair este pacote laboral, porque ele ofende - é ofensivo dos mais jovens, das mulheres trabalhadoras, dos mais vulneráveis e ofende particularmente as famílias portuguesas”, afirmou José Luís Carneiro, que falava aos jornalistas à chegada à festa dos trabalhadores, que a UGT está a realizar hoje no Centro Desportivo do Jamor, em Oeiras.
O apelo de Carneiro foi feito diretamente ao chefe do Governo, Luís Montenegro, cuja proposta de reforma laboral o PS considera que anda “para trás” em direitos fundamentais.
A posição surge a poucos dias de o Governo se reunir de novo com as duas centrais sindicais e com as quatro confederações patronais sobre as alterações à legislação laboral, numa reunião de Concertação Social marcada para 07 de maio, liderada pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho.
Carneiro garantiu que “o PS tudo fará para impedir que o Governo ofenda os trabalhadores, as mulheres, as famílias deste país”, acusando o executivo de “querer andar para trás nos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, particularmente dos mais jovens, das mulheres e das famílias”.
Carneiro enumerou um conjunto de medidas que considera gravosas, afirmando que a reforma apresentada “liberaliza os despedimentos sem justa causa” e “aumenta os contratos a prazo, lançando os mais jovens em contratos precários” com condições salariais "mais débeis para o exercício da função profissional”.
Carneiro deu ainda outros exemplos, dizendo que “quando se fala do banco de horas ou do ‘outsourcing’ para a generalidade das atividades profissionais, estamos a falar da desproteção dos trabalhadores e, particularmente, da desproteção do direito de compatibilizar a vida familiar com a vida profissional”.
Questionado sobre o sentido da greve geral que a CGTP convocará hoje para 03 de junho, e à qual a UGT ainda não disse se aderirá, José Luís Carneiro disse que essa ação de luta é uma decisão que compete às centrais sindicais.
“Essa é uma decisão que compete às centrais sindicais” e não ao PS, respondeu.
O secretário-geral do PS começou por deixar uma palavra sobre os jovens, dizendo ser preciso que tenham oportunidade “de trabalho digno e, simultaneamente, estável” para terem “estabilidade para programarem e projetarem as suas vidas”.
“É muito importante que as leis laborais protejam a relação das trabalhadoras e dos trabalhadores com a compatibilização da vida profissional” e que haja estabilidade para os jovens, valores que considerou serem prejudicados pela reforma laboral.
Carneiro esteve presente na festa da UGT, no Jamor, depois de marcar presença no início da habitual manifestação que a CGTP organiza no centro de Lisboa.
O líder do PS esteve no Martim Moniz a cumprimentar o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira.
“Vim apresentar cumprimentos, como, aliás, é uma praxis histórica de vários secretários-gerais do PS”, afirmou aos jornalistas, não se querendo alongar em mais comentários.








