
“Queremos requalificar Ranhados de dentro para fora, criando uma freguesia mais harmoniosa”
Como é que surgiu a sua candidatura a presidente da Junta de Ranhados?
Muito fácil. Em todos os meus projetos de vida, sempre tive um grande sentido de missão. Acho que nós, pessoas, quando nascemos temos uma missão. E eu acredito que a minha missão é ajudar pessoas e ajudar a comunidade. Ranhados é uma freguesia com a qual já colaboro há mais de 20 anos. Comecei cá a dar aulas de música na Fundação Mariana Seixas. Depois comecei a desenvolver projetos. Criei cá o Vox Visio Coral – Coro Infanto-Juvenil, sediado na Paróquia do Viso. Em contacto com as pessoas aqui da freguesia e graças ao trabalho que fui desenvolvendo aqui na freguesia, acredito que é uma freguesia que tem um potencial de crescimento enorme. Em conjunto com a minha equipa, acredito ser capaz de ajudar a freguesia a subir o nível. Estamos a falar de uma freguesia onde se regista um grande investimento, não só ao nível do comércio, mas também na habitação.
Este grande potencial de crescimento que a freguesia tem, deve-se a quê? Deve-se às pessoas? Deve-se às acessibilidades?
Deve-se a tudo. Temos aqui boa gente, como no concelho todo e no país também. Deve-se às acessibilidades, com várias entradas para a cidade e a proximidade de importantes vias de comunicação como a A24, a A25, e o IP3. Temos grandes infraestruturas, como um centro de saúde, temos duas escolas de referência, dois centros escolares de referência, temos o Palácio do Gelo Shopping e o Hospital CUF. Temos a Cruz Vermelha. Temos aqui um conjunto de equipamentos que estão a atrair cada vez mais pessoas. A freguesia está a desenvolver-se cada vez mais e eu acredito que está aqui a nascer uma segunda cidade dentro da cidade.
“Acredito que está aqui a nascer uma segunda cidade dentro da cidade”
Falou na questão de elevar o nível na freguesia. Quais são os objetivos para este mandato?
Queremos fazer uma coisa muito simples. Primeiro ouvir as pessoas. Depois, fazer entender que nós estamos aqui por uma causa comum, que é esta comunidade e o bem-estar dela. Depois, o plano que nós temos é começar a reformular Ranhados do interior para fora. Ranhados foi das primeiras freguesias a ter saneamento. E, por ter sido a primeira, acho que precisamos de fazer uma reformulação não só nesse sistema, mas também na questão de pavimentos, na questão das infraestruturas. Temos de enterrar a cablagem e não é por uma questão de aspeto, é por uma questão de funcionalidade. Depois há a questão das acessibilidades. O interior de Ranhados é um coração bastante pulsante. Há muita gente a circular por estas ruas e nós temos que desobstruí-las cada vez mais. Reformulando Ranhados de dentro para fora, estamos a dar um sinal de esbater as assimetrias que temos entre a parte mais antiga da freguesia e a mais recente. Queremos tornar isto tudo muito mais harmonioso. Temos de apostar num planeamento que seja sustentável e ter, por exemplo, em conta que com a construção de mais habitação, também é preciso criar estacionamento. Porque cada vez mais temos esse problema na freguesia.

Estes primeiros meses tem sido isso? Planear, falar com as pessoas e tentar perceber o que é que é preciso?
Sim. Estes primeiros meses têm sido para arrumar a casa, como se costuma dizer. Estamos a perceber quais são as principais carências da freguesia. Já tínhamos identificado a necessidade de requalificação de Ranhados de dentro para fora. Mas também estamos a ver aquilo que nós temos em falta. Temos que criar infraestruturas para dar resposta às exigências do grande fluxo de pessoas que continua a chegar à freguesia, para que consigam circular e consigam também utilizar os espaços da freguesia de uma maneira harmoniosa. Estamos agora a tratar da criação de uma agenda cultural que possa trazer as pessoas à freguesia e dar a conhecer os vários pontos de interesse. Temos que potenciar as nossas qualidades. Temos de fazer o nosso marketing territorial. Somos uma freguesia com quase cinco mil pessoas recenseadas e esse número não corresponde às pessoas que residem aqui.
“Nós vamos ter um cartão que tem inúmeras vantagens para os aderentes”
Explique essa importância de ultrapassar esse patamar das cinco mil pessoas recenseadas.
Passando os cinco mil, passamos a receber outro tipo de apoios e que se tornam importantes na gestão da freguesia. Neste momento temos que nos reinventar um bocadinho em relação ao que temos. Temos que fazer, muitas vezes, omeletes sem ovos. Quando nós temos boa vontade, tudo se faz e tudo se arranja. Mas temos que ter condições. Em breve, vamos lançar uma campanha de incentivo às famílias que visa atrair as que ainda não estão recenseadas. O Cartão do Freguês terá inúmeras vantagens para os aderentes. Estamos agora a reunir aqui algumas questões de aderentes e de adesões, mas serão negócios que estão instalados na freguesia que vão proporcionar aos fregueses, e aos futuros fregueses, descontos nos seus serviços e nos seus produtos. Certo. Com esta parceria também será feita a promoção dos nossos parceiros para fora. Vai ser um cartão digital que apoiará quem escolhe esta freguesia para ter os seus negócios e os seus serviços, oferendo alguns miminhos a quem se recensear em Ranhados, para ser cada vez mais atrativa.

Quais são os grandes projetos para este mandato?
A grande obra que nós temos prevista é a grande requalificação da parte mais antiga de Ranhados. Não é só uma requalificação para reabilitar a rede de águas. É uma requalificação também para tornar este interior mais atrativo. Existe ainda a possibilidade de avançar para a aquisição de alguns imóveis para podermos fazer o alargamento de algumas ruas e largos. Estamos a falar de imóveis que estão devolutos e que são um risco para a segurança das pessoas. Também temos previsto um projeto, que está só à espera da aprovação, que prevê a construção de um parque intergeracional na Quinta del Rei. Combinará um parque infantil e um espaço com aparelhos para fazer exercício e um aparelho adaptado para crianças com mobilidade reduzida. É um projeto que visa não só ocupar ali um espaço, que neste momento é um espaço sem grande utilidade, mas que possa ser ocupado e utilizado por habitantes dos 8 aos 80 anos. Queremos um espaço para várias gerações e ter aquela vertente da inclusão que é muito importante. Queremos ser uma freguesia para todos. Uma freguesia inclusiva. Uma freguesia virada para todas as idades e que respeita todas as idades e todas as condições do ser humano.

Já falamos dos pontos fortes da freguesia. Quais são os pontos fracos?
Temos que criar um maior sentido de comunidade. Aproximar os diferentes bairros. Encurtar as assimetrias entre o Ranhados mais antigo o Ranhados mais moderno. É um desafio que vai obrigar a bastante trabalho, porque não é de um dia para o outro que se encurtam assimetrias. Essencialmente, esse é que vai ser o grande desafio para nós. Tornar esta freguesia cada vez mais harmoniosa. O maior desafio é esta ligação entre o Ranhados mais antigo e o mais novo. Temos estas duas vertentes na freguesia. E têm que ser trabalhadas. Entendo que essas diferenças, bem trabalhadas, conseguindo uma junção entre estas duas realidades, vão tornar esta comunidade muito mais forte, e cada vez mais atrativa. Por isso é que nós queremos começar a grande requalificação do interior de Ranhados. Para atrair e para mostrar a toda a gente onde é que nasceu a freguesia, como é que é a freguesia e o bom que é esta freguesia.
Como é o movimento associativo na freguesia de Ranhados?
Uma das coisas positivas é também o movimento associativo nesta freguesia. Tem algumas instituições, mas o que eu quero é fixar mais associações aqui. Neste momento, nós não temos um conjunto de associações grande. Temos poucas associações na freguesia. Nós temos o problema, neste momento, de não termos espaço para juntar mais associações que até gostariam de vir para a freguesia. Nós temos neste momento pessoas que até têm iniciativa para criar novas associações, ao nível da cultura, por exemplo, Mas neste momento a junta de freguesias está com um problema, que é não temos espaços que lhes possamos ceder para eles desempenharem as suas atividades em pleno. O edifício onde funciona a sede da junta tem uma sala multiusos, mas também é utilizada para várias ações pontuais. Não permite a permanência de uma associação o tempo inteiro. A antiga sede da junta de freguesia tem três pequenas salas, mas neste momento já foi cedida a um grupo aqui do Viso Sul para fazer uns podcasts. Temos aqui associações que fazem algum trabalho, até em prol da comunidade, atraem pessoas de outras freguesias, mas também podiam ser mais. Temos a noção que neste momento a junta não está a conseguir dar resposta às que cá estão, pela falta de espaço, e às que querem vir. Havendo mais infraestruturas, podemos pensar em criar aqui um cluster de associações que poderá contribuir para a comunidade, por exemplo, através de iniciativas que possam atrair pessoas e sentirem-se ativas na vida da comunidade. Nós não queremos que isto seja só um dormitório. Queremos que seja uma freguesia com qualidade de vida. Queremos que as pessoas se sintam mais integradas. A partir do momento em que começam a fazer parte, por exemplo, da Comissão de Festas de Ranhados e começam a entrar noutro tipo de associações já não querem sair daqui.









