
54 anos depois, o Homem (e a mulher) está a caminho da Lua
"Três, dois, um, ignição de propulsores e... lançamento! A tripulação da Artemis II segue agora rumo à Lua. Começa a próxima grande viagem da Humanidade", anunciou o locutor da NASA, com mais de 1,5 milhões de pessoas a seguir a transmissão através da rede social X.
Com condições meteorológicas favoráveis, o foguetão SLS - o mais poderoso já lançado pela NASA - levantou voo cerca de 11 minutos depois do previsto, às 18h35 locais (22h35 GMT), com milhares de espetadores a festejarem nos arredores do Centro Espacial Kennedy, no estado da Florida.
Antes do lançamento do foguetão que porá em órbita a cápsula Orion, com quatro astronautas, a NASA resolveu um problema relacionado com as comunicações do sistema de terminação de voo, que poderia ter impedido o lançamento da Artemis II e durante alguns minutos a equipa do Centro de Testes Espaciais da Força Espacial norte-americana anunciou que as condições de lançamento eram inadequadas ("no go").
A equipa detetou também um problema com uma bateria, mas nenhuma das questões técnicas obrigou a que fosse interrompida a contagem decrescente para o lançamento no Cabo Canaveral.
O comandante da Artemis II, Reid Wiseman, liderou a viagem rumo ao espaço gritando “Vamos à Lua!” ao entrar na nave espacial, acompanhado pelo piloto Victor Glover, Christina Koch e pelo canadiano Jeremy Hansen.
Antes, os tripulantes formaram corações com as mãos ao despedirem-se das suas famílias e embarcarem em direção à plataforma de lançamento, onde os aguardava a nave espacial. “Amo-vos”, disse Glover.
"Victor, Christina e Jeremy, nesta missão histórica, transportam convosco o coração da equipa Artemis, o espírito audaz do povo americano e dos nossos parceiros em todo o mundo, e as esperanças e os sonhos de uma nova geração", afirmou, minutos antes da descolagem, Charlie Blackwell-Thompson, diretora de lançamento da missão Artemis II da NASA e a primeira mulher a ocupar este cargo.
Esta missão lunar é histórica por ser a primeira cuja tripulação inclui uma mulher, Christina Koch, um homem negro, o piloto Victor Glover, e um canadiano, Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana.
Segundo a NASA, oito minutos após a descolagem a cápsula Orion separou-se, como planeado, dos imensos tanques do foguetão SLS, que a impulsionou para o espaço e a colocou em órbita da Terra.
Em órbita, serão realizadas verificações e manobras visando garantir a fiabilidade e a segurança da nave, que até à data nunca transportou humanos.
Se estes testes forem bem-sucedidos, a sonda irá gerar o impulso necessário para deixar a órbita da Terra e iniciar a viagem em direção à Lua, entre três a quatro dias, durante os quais se irão realizar mais testes e experiências científicas.
Assim que chegarem perto da Lua, os astronautas irão orbitá-la e sobrevoar o seu lado oculto, esperando-se que batam o recorde da missão Apollo 13, tornando-se os humanos que viajaram mais longe da Terra.
Após um voo de teste do foguetão e da nave espacial em 2022, a NASA quer garantir que funcionam corretamente durante a missão Artemis II antes de tentar uma alunagem em 2028, na missão Artemis IV.
As suas observações poderão ajudar a NASA a escolher o local de aterragem da Artemis IV, que se aventurará no Polo Sul da Lua, onde nunca esteve nenhum ser humano.
A trajetória seguida pela Orion é a designada de "retorno livre", o que significa que foi desenhada para que a nave espacial seja atraída pela Lua e depois trazida de volta à Terra naturalmente.
A viagem de regresso durará três ou quatro dias e será marcada pela reentrada atmosférica, um dos momentos mais perigosos da missão, após o que a nave espacial amarará no oceano Pacífico, ao largo da costa da Califórnia.
Ao contrário do que aconteceu com o programa Apollo, a NASA está a colaborar agora com outros países, principalmente europeus, e com o setor privado, incluindo a SpaceX e a Blue Origin, de Elon Musk e Jeff Bezos, respetivamente, e que serão responsáveis pelo desenvolvimento dos módulos de aterragem lunar.








