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“A informação e a deteção precoce são as melhores ferramentas para combater o cancro colorretal”

O cancro colorretal é uma das principais causas de doença oncológica em Portugal. No mês dedicado à sensibilização para esta patologia, importa reforçar que a prevenção e a deteção precoce podem fazer a diferença. João Silva Fernandes, coordenador de Gastrenterologia do Hospital CUF Viseu, explica os avanços no diagnóstico e tratamento da doença, bem como a resposta diferenciada que o Hospital disponibiliza aos doentes da região

Qual a incidência do cancro colorretal em Portugal e quais os fatores de risco?

O cancro colorretal é um dos tumores mais frequentes em Portugal com cerca de 8.000 novos casos por ano. Afeta tanto homens como mulheres e é uma das principais causas de morte por doença oncológica. Os fatores de risco incluem idade superior a 50 anos, história familiar de cancro colorretal ou de pólipos, doença inflamatória intestinal, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e alimentação rica em carnes processadas e pobre em fibra. Não obstante, muitos casos surgem em pessoas sem fatores de risco evidentes, o que reforça a importância de um plano de rastreio populacional.

Qual a importância da deteção precoce e quando é recomendado fazer os exames de diagnóstico?

A deteção precoce é absolutamente determinante. O cancro colorretal desenvolve-se lentamente, ao longo de anos, a partir de pólipos. Se estes forem identificados e removidos numa fase inicial, essa progressão é interrompida e as probabilidades de cura serão muito elevadas. Recomenda-se a realização dos exames a partir dos 50 anos, em pessoas sem sintomas ou fatores de risco conhecidos. No entanto, temos assistido, em vários países, a um aumento da incidência de cancro colorretal em idades mais jovens. Por isso, nos Estados Unidos passaram a ser recomendados a partir dos 45 anos, uma orientação que muitos especialistas portugueses já defendem.

João Silva Fernandes Coordenador De Gastrenterologia Do Hospital Cuf Viseu
João Silva Fernandes, coordenador de Gastrenterologia do Hospital CUF Viseu

Que exames são fundamentais para uma avaliação rigorosa?

A colonoscopia continua a ser o exame mais eficaz. No mesmo procedimento, podemos não só observar o interior do intestino, mas também remover lesões. A técnica mais comum é a polipectomia – remoção dos pólipos antes que possam evoluir para cancro –, existindo hoje técnicas endoscópicas mais avançadas para casos de maior complexidade.

Confirmado o diagnóstico de cancro, a colonoscopia continua a ser fundamental, para visualizar a lesão e para realizar biópsias. Esta possibilita ainda a marcação da lesão, que orienta o cirurgião durante a intervenção. No caso específico do cancro do reto, a ecoendoscopia, um procedimento minimamente invasivo, é também essencial para avaliar com precisão a profundidade do tumor e as estruturas vizinhas, ajudando a definir a terapêutica mais adequada.

Que inovações têm surgido e de que forma o Hospital CUF Viseu as tem integrado?

Nos últimos anos, tem havido uma evolução muito significativa na área da endoscopia digestiva, no diagnóstico e tratamento. Um dos avanços mais relevantes foi a melhoria da qualidade da imagem, que é hoje muito detalhada e precisa, graças a sistemas de alta-definição. Recentemente, começaram também a ser aplicadas à colonoscopia ferramentas de inteligência artificial, que funcionam como um apoio ao médico, aumentando a taxa de deteção de lesões.

Em paralelo, a evolução permitiu que muitas lesões que anteriormente obrigariam a cirurgia sejam hoje tratadas por via endoscópica, através de técnicas avançadas como a mucosectomia e a dissecção endoscópica da submucosa. Outra área com avanços importantes é a ecoendoscopia, particularmente importante na determinação da fase de desenvolvimento do cancro.

No Hospital CUF Viseu, temos integrado estes avanços tecnológicos na prática clínica da equipa de Gastrenterologia, combinando a imagem endoscópica avançada com técnicas terapêuticas diferenciadas.

“No Hospital CUF Viseu, temos integrado estes avanços tecnológicos na prática clínica da equipa de Gastrenterologia, combinando imagem a endoscópica avançada com técnicas terapêuticas diferenciadas”

 

Como tranquiliza os doentes que expressam receio de fazer estes exames?

O receio é natural, mas importa esclarecer que estes procedimentos podem ser realizados com sedação, sem dor ou desconforto. Costumo dizer aos doentes que o que devia gerar maior receio é não terem ainda feito o exame.

A colonoscopia permite detetar doenças silenciosas, numa fase em que ainda podem ser tratadas de forma simples e eficaz. A informação e a deteção precoce são as melhores ferramentas para combater o cancro colorretal.

O que podem esperar os doentes do acompanhamento no Hospital CUF Viseu?

Podem esperar um acompanhamento integrado e multidisciplinar, desde o momento do diagnóstico até ao último tratamento. O cancro colorretal é uma doença que exige, frequentemente, a colaboração de várias especialidades – Gastrenterologia, Cirurgia Geral, Oncologia e Imagiologia –, para que haja uma avaliação completa e se possa definir a estratégia terapêutica mais adequada.

No Hospital CUF Viseu, esta articulação permite discutir cada caso de forma estruturada e individualizada, garantindo que o doente beneficia das opções diagnósticas e terapêuticas mais avançadas.

Março 31, 2026 . 16:30

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