
“A informação e a deteção precoce são as melhores ferramentas para combater o cancro colorretal”
Qual a incidência do cancro colorretal em Portugal e quais os fatores de risco?
O cancro colorretal é um dos tumores mais frequentes em Portugal com cerca de 8.000 novos casos por ano. Afeta tanto homens como mulheres e é uma das principais causas de morte por doença oncológica. Os fatores de risco incluem idade superior a 50 anos, história familiar de cancro colorretal ou de pólipos, doença inflamatória intestinal, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e alimentação rica em carnes processadas e pobre em fibra. Não obstante, muitos casos surgem em pessoas sem fatores de risco evidentes, o que reforça a importância de um plano de rastreio populacional.
Qual a importância da deteção precoce e quando é recomendado fazer os exames de diagnóstico?
A deteção precoce é absolutamente determinante. O cancro colorretal desenvolve-se lentamente, ao longo de anos, a partir de pólipos. Se estes forem identificados e removidos numa fase inicial, essa progressão é interrompida e as probabilidades de cura serão muito elevadas. Recomenda-se a realização dos exames a partir dos 50 anos, em pessoas sem sintomas ou fatores de risco conhecidos. No entanto, temos assistido, em vários países, a um aumento da incidência de cancro colorretal em idades mais jovens. Por isso, nos Estados Unidos passaram a ser recomendados a partir dos 45 anos, uma orientação que muitos especialistas portugueses já defendem.

Que exames são fundamentais para uma avaliação rigorosa?
A colonoscopia continua a ser o exame mais eficaz. No mesmo procedimento, podemos não só observar o interior do intestino, mas também remover lesões. A técnica mais comum é a polipectomia – remoção dos pólipos antes que possam evoluir para cancro –, existindo hoje técnicas endoscópicas mais avançadas para casos de maior complexidade.
Confirmado o diagnóstico de cancro, a colonoscopia continua a ser fundamental, para visualizar a lesão e para realizar biópsias. Esta possibilita ainda a marcação da lesão, que orienta o cirurgião durante a intervenção. No caso específico do cancro do reto, a ecoendoscopia, um procedimento minimamente invasivo, é também essencial para avaliar com precisão a profundidade do tumor e as estruturas vizinhas, ajudando a definir a terapêutica mais adequada.
Que inovações têm surgido e de que forma o Hospital CUF Viseu as tem integrado?
Nos últimos anos, tem havido uma evolução muito significativa na área da endoscopia digestiva, no diagnóstico e tratamento. Um dos avanços mais relevantes foi a melhoria da qualidade da imagem, que é hoje muito detalhada e precisa, graças a sistemas de alta-definição. Recentemente, começaram também a ser aplicadas à colonoscopia ferramentas de inteligência artificial, que funcionam como um apoio ao médico, aumentando a taxa de deteção de lesões.
Em paralelo, a evolução permitiu que muitas lesões que anteriormente obrigariam a cirurgia sejam hoje tratadas por via endoscópica, através de técnicas avançadas como a mucosectomia e a dissecção endoscópica da submucosa. Outra área com avanços importantes é a ecoendoscopia, particularmente importante na determinação da fase de desenvolvimento do cancro.
No Hospital CUF Viseu, temos integrado estes avanços tecnológicos na prática clínica da equipa de Gastrenterologia, combinando a imagem endoscópica avançada com técnicas terapêuticas diferenciadas.
“No Hospital CUF Viseu, temos integrado estes avanços tecnológicos na prática clínica da equipa de Gastrenterologia, combinando imagem a endoscópica avançada com técnicas terapêuticas diferenciadas”
Como tranquiliza os doentes que expressam receio de fazer estes exames?
O receio é natural, mas importa esclarecer que estes procedimentos podem ser realizados com sedação, sem dor ou desconforto. Costumo dizer aos doentes que o que devia gerar maior receio é não terem ainda feito o exame.
A colonoscopia permite detetar doenças silenciosas, numa fase em que ainda podem ser tratadas de forma simples e eficaz. A informação e a deteção precoce são as melhores ferramentas para combater o cancro colorretal.
O que podem esperar os doentes do acompanhamento no Hospital CUF Viseu?
Podem esperar um acompanhamento integrado e multidisciplinar, desde o momento do diagnóstico até ao último tratamento. O cancro colorretal é uma doença que exige, frequentemente, a colaboração de várias especialidades – Gastrenterologia, Cirurgia Geral, Oncologia e Imagiologia –, para que haja uma avaliação completa e se possa definir a estratégia terapêutica mais adequada.
No Hospital CUF Viseu, esta articulação permite discutir cada caso de forma estruturada e individualizada, garantindo que o doente beneficia das opções diagnósticas e terapêuticas mais avançadas.








