
Beto coloca alternativas a Diogo Costa no mesmo patamar
As habituais alternativas a Diogo Costa, titular na baliza da seleção portuguesa há quatro anos e a caminho do Mundial2026 de futebol, estão em pé de igualdade, considera o antigo guarda-redes internacional Beto Pimparel.
“Tivemos exemplos de guarda-redes e jogadores [de outras posições] que têm alto rendimento nos seus clubes e, por algum motivo, isso não é igual na seleção. Obviamente, o Diogo Costa, estando em condições, é titular, mas, depois, não colocaria ninguém em vantagem [entre José Sá e Rui Silva], até porque ponho também o Ricardo Velho como uma das possíveis opções para ser chamado à fase final”, salientou à agência Lusa o ex-guarda-redes, de 43 anos e com 16 internacionalizações, de 2009 a 2018.
Totalista no Mundial2022, no Euro2024 e na final a quatro da Liga das Nações de 2024/25, conquistada pelos lusos, Diogo Costa foi dispensado há uma semana do estágio para os encontros particulares com México e Estados Unidos, de preparação para o próximo Campeonato do Mundo, após sofrer uma lesão nos adutores pelo FC Porto, líder isolado da I Liga.
Ricardo Velho, emprestado aos turcos do Gençlerbirligi pelo Farense, do segundo escalão, colmatou essa vaga e voltou aos trabalhos da seleção mais de um ano depois da estreia em convocatórias, mas ainda não jogou, ao contrário de José Sá e Rui Silva, igualmente integrados neste estágio.
“Por mérito próprio, o Ricardo Velho tem feito um trajeto muito bonito. Tive a felicidade de trabalhar com ele no Farense e não coloco ninguém em vantagem como segunda opção. Por uma questão de coerência, o Diogo Costa vai partir como titular para o Mundial2026 e, se tiver uma lesão ou outro percalço, o [técnico] Roberto Martínez sentirá no semblante das outras opções e na confiança e nas palavras do treinador de guarda-redes quem está melhor preparado no momento para substituí-lo”, notou Beto.
No sábado, Rui Silva, do bicampeão nacional Sporting, voltou a representar Portugal ao fim de quase cinco anos, ao alinhar a tempo inteiro no empate com o México (0-0), assinalado pela reabertura do Estádio Azteca.
O espanhol Roberto Martínez já anunciou que José Sá, dos ingleses do Wolverhampton, vai jogar de início frente aos Estados Unidos na terça-feira, às 19:07 locais (00:07 do dia seguinte em Lisboa), no Estádio Mercedes-Benz, em Atlanta, onde os lusos realizarão a 700.ª partida da sua história.
“O selecionador tem muito poucas oportunidades para avaliar Rui Silva e José Sá neste contexto, que é de exigência máxima. Quanto ao Ricardo Velho, tem de desfrutar e aprender os bons hábitos de ser jogador de seleção. Não sei se vai ter minutos e acho que o contexto do duelo ditará. Agora, ele aporta qualidade aos treinos, mas também muita paixão pela arte de ser guarda-redes. Essa linha de aprendizagem e humildade podem confundir as contas de Martínez para o Campeonato do Mundo”, admitiu.
Vencedor da Liga das Nações em 2019, Beto frisa a pertinência de haver “coerência nas decisões e no discurso” do treinador espanhol, da mesma forma como as alternativas a Diogo Costa precisam de “sentir que têm a sua importância” junto da seleção, na qual “há sempre grande valorização”.
“Sou dos atletas com mais anos de seleção e menos jogos, mas aprendi a lutar pelo meu lugar e a aceitar que existe uma linha de continuidade com o guarda-redes titular. Aprendi a assumir também outro papel, fosse no banco de suplentes, a jogar, no balneário, no estágio ou no hotel. É importante ter todo o tipo de futebolistas num plantel: os que dão garantias de rendimento no relvado e de coesão de grupo fora do campo”, explicou.
O ex-internacional valoriza o “melhor momento da carreira” de Diogo Costa, de 26 anos, que foi o único totalista de Portugal nos seis embates da qualificação para o Mundial2026 e sobressai pela “elevada maturidade e confiança”.
“Depois, tem a vantagem de contar com uma linha defensiva e uma equipa fortes no FC Porto, que está novamente a lutar por títulos. Isso acaba por catapultar e potenciar as exibições do Diogo Costa. É verdade que uma equipa se faz de trás para a frente e, para mim, um dos grandes segredos do sucesso do FC Porto esta época tem começado nele”, concluiu.
Qualificado pela nona vez, e sétima seguida, para a fase final da principal prova internacional de seleções, Portugal está integrado no Grupo K e vai defrontar a Colômbia, o Uzbequistão e o vencedor do primeiro caminho do play-off intercontinental, cuja final se realiza na terça-feira entre Jamaica e República Democrática do Congo, tendo como melhor resultado o terceiro lugar em 1966.
A 23.ª edição do Campeonato do Mundo realiza-se de 11 de junho a 19 de julho e contará pela primeira vez com 48 seleções, numa inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.








