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NERC denuncia atrasos nos apoios após tempestade

Associação Empresarial da Região de Coimbra diz que, mais de um mês depois, as empresas não têm ainda respostas efetivas para retomar atividade

As linhas de crédito criadas após a depressão Kristin estão a chegar a um número limitado de empresas e os processos são tratados como operações convencionais de financiamento, denunciou a Associação Empresarial da Região de Coimbra (NERC) assinalando que mais de um mês após a tempestade «muitas empresas da região de Coimbra continuam sem respostas efetivas que lhes permitam recuperar dos danos sofridos e retomar a atividade».

«As linhas de crédito criadas para apoiar as empresas afetadas estão a chegar a um número muito limitado de empresas», frisa, observando que, «em muitos casos», os processos «continuam a ser tratados pelas instituições bancárias como operações de crédito convencionais, com exigências adicionais de garantias, incluindo hipotecas».

«Esta abordagem contraria o objetivo das medidas de apoio excecional e cria obstáculos adicionais às empresas num momento em que necessitam de respostas rápidas e eficazes», argumenta a associação liderada por Horácio Pina Prata.

A NERC vincou ainda a existência de atrasos na atuação das seguradoras, «nomeadamente na realização de peritagens presenciais e na disponibilização de adiantamentos relativos aos sinistros participados». «Estes adiantamentos são fundamentais para permitir às empresas iniciar rapidamente os trabalhos de reparação e recuperação das suas instalações e equipamentos», advogou.

Por outro lado, a NERC critica as alegadas limitações existentes no aviso de candidatura criado no âmbito do Instrumento Financeiro para a Inovação e Competitividade, notando que estas «poderão impedir o acesso de muitas empresas afetadas aos apoios previstos».

Nesse âmbito, defende a introdução de alterações, como o alargamento dos códigos de atividade económica (CAE) elegíveis, a possibilidade de aceitação de autodeclaração de danos validada por contabilista certificado ou revisor oficial de contas, o aumento do limite das obras de reconstrução para 50% do investimento elegível e a eliminação dos critérios relativos ao contributo para o crescimento das exportações e para a criação líquida de postos de trabalho.

«A NERC exige rapidez na execução das medidas, pragmatismo na sua aplicação e capacidade de adaptação à realidade das empresas», enfatiza, observando que os instrumentos de apoio criados «apenas serão eficazes se conseguirem responder às necessidades concretas de quem está no terreno a reconstruir instalações, recuperar equipamentos e retomar a atividade económica».

Manifestando ser fundamental trabalhar em articulação com a Estrutura de Missão criada pelo Governo, com as autarquias da região e as entidades do sistema científico e tecnológico, «na definição de uma visão estruturada para a recuperação e o desenvolvimento da economia regional», a NERC está a trabalhar com as associações empresariais de Leiria e Santarém para apresentarem ao Governo um conjunto de medidas a serem incluídas no programa PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência.

Março 15, 2026 . 09:00

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