
Professores discutem em Viseu desafios e oportunidades da IA na sala de aula
“A inteligência artificial é mais um instrumento, tal como uma caneta ou um pau de giz, mas eu é que decido o que fazer com ela e como fazer aprender”.
As palavras são de Ricardo Cruz, professor e investigador colaborador do Laboratório de Educação a Distância e E-Learning, e deram início a um dos painéis do colóquio “Inteligência Artificial: Que rumos para a Educação?”, realizado hoje no auditório da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viseu. A iniciativa foi promovida pela Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, em parceria com os CFAE da região.
O evento reuniu professores e investigadores para refletir sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) em contexto educativo, discutindo novas metodologias de ensino, ferramentas de avaliação e os limites do seu uso pedagógico.
Durante a sessão, o investigador do LE@D apresentou experiências práticas de utilização de IA na correção de textos de alunos, destacando como a tecnologia permite fornecer feedback detalhado de forma personalizada. Além disso, a apresentações incluiu também demonstrações de atividades inovadoras, como a descrição de imagens, a análise de textos e a criação de conteúdos digitais pelos alunos.
E exemplificou: “Podemos colocar uma estância dos Lusíadas e os alunos pedem uma versão dos Lusíadas do século XXI à IA. E depois comparam o que está correto e o que está errado e aqui é que vem o ganho didático”, reforçou Ricardo Cruz.
A esta perspetiva juntou-se a intervenção de Carlos Pinheiro, professor e investigador coordenador interconcelhio da Rede de Bibliotecas Escolares, que abordou os impactos da IA na avaliação educativa.
Na sua intervenção, o docente destacou que a tecnologia oferece oportunidades para reduzir a sobrecarga dos professores, permitindo fornecer feedback instantâneo, consistente e adaptado às necessidades individuais de cada aluno. A IA, enumerou, permite também analisar a qualidade da escrita e respetiva gramática, identificar sentimentos e emoções nos textos, produzir comentários e ajustar o material de estudo, de forma dinâmica.
Ainda assim, alertou, “a maior parte das plataformas de IA que são usadas para avaliação não consegue avaliar a criatividade, a originalidade e as intenções complexas do autor”, além das questões relacionadas com a privacidade e proteção de dados.
Já a terminar, Carlos Pinheiro relembrou que os alunos tendem a valorizar mais o feedback humano, e que a tecnologia deve ser usada como instrumento de apoio, não como substituto da mediação pedagógica.
O programa contou ainda com as conferências "Educar em tempos de Inteligência Artificial" e "Aprender com máquinas - formar humanos".








