
Adriano Lucas condecorado com a Ordem da Liberdade
O fundador do Diário de Viseu, Adriano Lucas, foi hoje condecorado, postumamente, por Marcelo Rebelo de Sousa como Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.
O presidente da República, na data do centenário de Adriano Lucas, a 14 de dezembro, já tinha manifestado a intenção de condecorar o fundador do Diário de Viseu, referindo que «comemorar 100 anos deste homem é comemorar 100 anos de liberdade e gratidão».
A Ordem da Liberdade, recorde-se, destina-se a distinguir serviços relevantes prestados em defesa dos valores da Civilização, em prol da dignificação da Pessoa Humana e à causa da Liberdade.
Esta tarde, na cerimónia que decorreu na Sala dos Embaixadores, na presença de 30 membros da família (filhos, netos e bisnetos) o Presidente da República destacou o papel desempenhado por Adriano Lucas na defesa da Liberdade, antes e depois do 25 de abril.
«É uma vida de luta pela liberdade. Ele foi no seu tempo, sozinho, um liberal. Um liberal durante um regime fechado que não tolerava facilmente a liberdade. E Adriano Lucas lutou pela liberdade de Imprensa, pela liberdade de expressão e de pensamento. Iria até o fim do mundo pela liberdade de Imprensa e foi até o fim do mundo pela liberdade de Imprensa», referiu Marcelo Rebelo de Sousa, recordando o trabalho que fizeram na criação da primeira lei da Imprensa a seguir ao 25 de abril.
«Foi uma grande aventura porque Adriano Lucas era muito teimoso. Muito determinado, mas muito teimoso», descreveu Marcelo Rebelo de Sousa, destacando a postura «imperturbável» de Adriano Lucas perante as posições defendidas na comissão dos que defendiam a aplicação de sanções aos jornais ditos anti revolucionários:
«Acabavam de sair de uma censura e aparecia uma outra censura. Era uma dor de cabeça. Era uma tarefa impossível mas o nosso querido Adriano Lucas continuava na mesma imperturbável. Ele achava que chegaríamos a uma realidade que era uma Europa democrática e liberal. Ele estava ali como arauto dessa boa nova, portanto apresentava as suas propostas de alteração. E lá se conseguiu chegar a uma lei que era a menos má possível». Uma lei, frisou Marcelo Rebelo de Sousa, que seria «muito duradoura».
Foi nessa altura que ambos ficaram amigos, continuando a encontrar-se regularmente.
«Esta é uma homenagem de Portugal. Já tinha havido uma homenagem ao empresário defensor da liberdade de imprensa. Mas não havia a homenagem ao defensor da liberdade, ponto final parágrafo. Ponto final parágrafo. É essa a homenagem que hoje fazemos», fundamentou Marcelo Rebelo de Sousa sobre «o liberal, antes do tempo, porque já o era há não sei quantas décadas». «E nós estamos aqui a recordá-lo com muitas saudades e com muita amizade», disse, antes de entregar a condecoração à filha mais velha, Maria Luísa Callé Lucas.









