
“Comemorar 100 anos de Adriano Lucas é comemorar 100 anos de liberdade”
Um “homem cosmopolita, que sabia tudo sobre imprensa em todos os países do mundo”. “Um liberal, na defesa da liberdade, das liberdades, como valores essenciais da sua vida”. “Um fanático do poder da comunicação, da liberdade de imprensa para a construção da democracia». Alguém «muito disponível, com uma capacidade de trabalho ilimitada (...) muito inteligente e muito sagaz, muito hábil”.
Fez-se de reconhecimento e respeito, mas também de muita emoção, o discurso com que Marcelo Rebelo de Sousa homenageou ontem Adriano Lucas para assinalar os 100 anos do seu nascimento. Palavras de quem, como referiu numa mensagem que foi transmitida na cerimónia evocativa do centenário do diretor ‘in memoriam’ do Diário de Coimbra, na Casa da Escrita, o conhecia bem e lhe reconhecia tanto o facto de ser “teimoso a discutir”, como o de ser “um homem muito novo de ideias (...) um cosmopolita, que parecia um adolescente”.
“Comemorar 100 anos deste homem é comemorar 100 anos de liberdade e gratidão”, resumiu Marcelo Rebelo de Sousa, que partilhou com Adriano Lucas a participação na Comissão que fez a primeira Lei de Imprensa, documento “que ainda é, de alguma maneira, a matriz da Liberdade de Imprensa” e ao qual o também diretor “in memoriam” do Diário de Viseu deu um importante contributo.
Marcelo Rebelo de Sousa confessou ontem a sua vontade de condecorar Adriano Lucas até ao fim do seu mandato. “Não apenas pelos 100 anos, mas pelo que deu, num período crucial da feitura da nossa democracia, pelo que deu a Portugal, com aquela simplicidade, com aquela alegria de viver, com aquele espírito patriacal e familiar, com aquela desenvoltura liberal que prometia grandes amizades e grandes camaradagens”, afirmou, elogiando o amigo, o “‘pai Lucas’”, como carinhosamente lhe chamava. “Adriano Lucas é uma figura fascinante”, considerando “muito justa” qualquer condecoração.
“Um grande orgulho” no avô Adriano Lucas
Adriano Lucas foi referência no jornalismo, na engenharia, na inovação empresarial, em Coimbra, mas há um lado humano que a família fez questão de sublinhar, na sessão em que se assinalaram os 100 anos do seu nascimento. “Um outro lado, mais humano”, resumiu a neta, Madalena Lucas, que com o bisneto, Adriano Lucas, representaram a família para falar no “grande orgulho” que todos sentem no avô Adriano Lucas, “um grande homem”, com “uma curiosidade contagiante, sempre atento ao mundo e às pessoas que o mantinha, de facto, muito novo de cabeça e, de alguma forma, à frente do tempo atual”.
“Tinha uma capacidade genuína de acreditar num mundo melhor e de desafiar a ir mais longe, fosse através de uma conversa, de um poema (...) ou de um simples gesto de atenção”, garantiu a neta, sublinhando o valor profundo que o avô dava à liberdade de pensamento e de expressão.
Conhecer os nomes de todos que com ele trabalhavam nos jornais, servir os leitores, servir a sociedade, foram marcas de Adriano Lucas deixadas na família, e passadas, particularmente quando, como recordou Madalena Lucas, levava filhos e netos em visitas ao jornal e à gráfica. “É assim que se perpetuam laços, memórias e responsabilidade associada a esta missão”, disse, falando em nome dos seis filhos, 14 netos e 14 bisnetos, aos quais transmitiu o carinho pela cidade de Coimbra, onde nasceu, mas também valores como “integridade, coragem e serviço de comunidade”. A cerimónia de ontem permitiu a todos “sentir que, de alguma forma, o nosso avô continua presente”.








