
Associação Move Beiras preocupada com interrupção da Linha da Beira Baixa pede alternativas
A Associação Move Beiras manifestou hoje “grande preocupação” com o impacto que a interrupção da circulação e de serviços na Linha da Beira Baixa, causada pelas recentes tempestades, está a ter na mobilidade da Beira Interior.
“Neste momento, estamos com dois comboios por dia para cada lado entre a Guarda e a Covilhã, o que não serve a população. Por exemplo, não há horários para estudantes que vivem na Guarda e frequentam a Universidade da Beira Interior, na Covilhã”, lamentou, à agência Lusa, Filipe Santos, presidente da Move Beiras.
“Esta linha já não tem os horários 100% adequados, mas o pouco que existe, se deixa de existir, as nossas populações deixam de ter capacidade de utilização e têm de usar outro meio de transporte”, acrescentou.
“Mas a verdade é que também não há grande solução, a não ser que se tenha automóvel próprio. Na nossa região, uma pessoa que queira ir de um lado para o outro muito raramente tem um autocarro” para o fazer.
Devido ao mau tempo, registaram-se derrocadas e a circulação continua suspensa na Linha da Beira Baixa, realizando-se apenas comboios regionais entre Castelo Branco e Guarda e entre Entroncamento e Abrantes.
“É uma zona de difícil acesso, onde só se chega pela linha ou através do rio [Tejo], pelo que acredito que será de difícil resolução pela questão dos meios”, adiantou Filipe Santos.
O presidente da Move Beiras, associação sem fins lucrativos sediada em Benespera (concelho da Guarda), desconhece a previsão da Infraestruturas de Portugal (IP) para o regresso à normalidade na linha.
“Há um documento nas redes sociais, vale o que vale, não é propriamente uma resposta oficial, que fala na data de 22 de maio”, referiu.
A ser assim, Filipe Santos sugere como alternativa que seja assegurado “o transporte de passageiros por automotoras, por exemplo, entre a Guarda e Castelo Branco ou Vila Velha de Ródão, com transbordo rodoviário para Abrantes e daí continuar o comboio Intercidades, como foi feito na Linha do Norte”.
A interrupção da circulação de comboios na Linha da Beira Baixa mostra que é necessário haver investimento nesta via, sublinhou.
“A Linha da Beira Baixa foi praticamente colocada de parte no Plano Ferroviário Nacional, para não dizer que ficou completamente de fora”, lamentou.
Filipe Santos reiterou que as populações da Beira Interior “não podem ser privadas” do transporte ferroviário - o comboio é “fundamental para ligar territórios de baixa densidade populacional”.
Antes da Linha da Beira Alta entrar em obras, havia um Intercidades Covilhã-Guarda-Lisboa por dia, para cada lado, que acabou em 2022, salientou.
“Ou seja, fazia a ligação direta entre as duas linhas, sem ter de se mudar". Mas "após a reabertura da Beira Alta na sua totalidade, esse serviço nunca mais ocorreu. Uma pessoa da Covilhã que precisasse de ir a Coimbra, por exemplo, ou no troço da Covilhã-Guarda, conseguia ir de manhã e regressar à noite”.
Estas preocupações da Move Beiras foram hoje transmitidas, numa nota enviada aos ministérios das Infraestruturas e Habitação e da Economia e da Coesão Territorial e aos presidentes da CP e IP.
O documento, a que Lusa teve acesso, refre que “desde esta interrupção que os comboios entre Castelo Branco e Guarda se limitam ao serviço Regional, apesar deste troço estar operacional, reduzindo a oferta entre as cidades de Castelo Branco, Fundão e Covilhã para metade e, mais drasticamente, no troço Covilhã-Guarda, onde a oferta passou de 10 comboios diários para quatro”.
A Move Beiras apela à tutela que avance com “medidas mitigatórias”, através da reposição parcial dos Intercidades entre Castelo Branco e Guarda, “mesmo que seja através das automotoras do serviço Regional.
A associação defende também a reposição do prolongamento do Intercidades da Linha da Beira Alta até à Covilhã.
A Move Beiras foi criada, em 2022, para valorizar “as pessoas e os territórios percorridos pelas Linhas da Beira Baixa e Beira Alta, através da utilização do comboio”.








