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Ventura foi a Leiria, onde viu rasto de destruição e ouviu críticas

O candidato presidencial esteve hoje em Leiria, onde viu uma cidade ainda muito longe de alguma ideia de normalidade

O candidato presidencial André Ventura esteve hoje em Leiria, onde viu uma cidade ainda muito longe de alguma ideia de normalidade. Registou o rasto de destruição, distribuiu algumas selfies e ouviu críticas por fazer campanha naquele cenário.

Ao contrário do seu adversário, António José Seguro, que se deslocou a Leiria sem estar acompanhado de comunicação social, André Ventura esteve hoje à tarde no centro da cidade rodeado de câmaras e jornalistas – uma iniciativa inserida na campanha eleitoral -, num percurso de menos de uma hora entre o Jardim Luís de Camões e a avenida Heróis de Angola, onde ouviu lamentos e pedidos de ‘selfies’, que não recusou.

Em Leiria, acompanhado do deputado do Chega Luís Paulo Fernandes, que fez de cicerone no percurso, o candidato presidencial percorreu 400 metros, por vezes parando e olhando para as marcas ainda bem visíveis da passagem da depressão Kristin, enquanto o filmavam e fotografavam junto de árvores arrancadas do chão, uma gare rodoviária revirada, mobiliário urbano destruído.

Aos jornalistas, o candidato apoiado pelo Chega justificava a sua presença em Leiria, num concelho ainda às escuras e sem comunicações, defendendo que os políticos têm de “estar junto das pessoas”.

Quando afirmava que fazia sentido ir aos sítios afetados e ouvir as pessoas, André Ventura foi interrompido por uma residente de Leiria: “Trouxe comida no seu carro? E água?”.

“Eu já falo consigo”, disse o candidato, voltando novamente a falar para os jornalistas para continuar a defender que um político deve estar “ao lado das pessoas”.

Clara Alves despediu-se, acusando-o de “hipocrisia”.

À agência Lusa, a moradora de Leiria, que está sem luz nem água, e ficou com a casa parcialmente destruída, acusou Ventura de querer “aproveitar-se literalmente de tudo isto”.

“Acho reprovável”, vincou Clara Alves.

Já antes, ainda durante as declarações, um jovem que passava pela zona também protestava a sua presença: “É só para aparecer! É só para aparecer!”.

“A responsabilidade de um político é estar onde as pessoas precisam onde nós estejamos”, disse o também presidente do Chega, referindo que não se pode fugir às circunstâncias.

Apesar de o relatório da comissão técnica independente sobre os incêndios de 2017 desaconselhar a presença excessiva de políticos em cenários de desastre, André Ventura insistiu em querer estar no terreno.

“Não faz nenhum sentido, quando há um fenómeno terrível em Portugal que destrói economias, que os políticos se escondam nos palácios. É ouvir os problemas. É ouvir as pessoas”, disse o candidato, que ouviu meia dúzia de residentes do concelho durante a sua passagem pelo centro de Leiria.

Sobre a visita, Ventura mostrou-se “bastante impressionado” com o grau de devastação no concelho de Leiria.

No início de ação, ouviu dois empresários agrícolas – um com estufas, outro do setor pecuário -, apresentados pelo deputado Luís Paulo Fernandes, que falaram de uma “devastação enorme”.

“Tenho cinco mil porcos sem água e luz”, lamentou um dos empresários, afirmando que se sentem impotentes perante os danos.

Já Elisabete Gomes, que mora nos Marinheiros, localidade próxima de Leiria, agradeceu a visita de André Ventura e falou do seu caso: o telhado da casa voou, tem a sala a escorrer água e ainda não conseguiu falar com os pais.

À porta do seu café, junto à gare rodoviária, Anabela Mota lamentou: “Eu até podia abrir a porta, mas abria a porta para quem? Nem luz tenho”.

Pouco depois, Luís Paulo Fernandes afirmava a André Ventura que o movimento de autocarros e pessoas àquela hora não seria normal (estavam apenas duas viaturas a carregar passageiros).

“As pessoas estão a fugir da cidade”, alegou o deputado, que logo a seguir perguntou a um dos jovens que aguardava o autocarro o motivo para estar ali: “Vou para Lisboa, que é onde estudo”.

Também na fila, uma outra jovem, de mala na mão e pronta a entrar no autocarro, deixava um desabafo: “Que pouca vergonha. Aproveitarem-se destas m***** para eleições é uma vergonha”.

Apesar dos reparos e críticas de aproveitamento político que ouviu, André Ventura disse aos jornalistas que poderá, ainda nesta campanha, voltar a passar pelo território afetado pela depressão Kristin, que causou pelo menos cinco mortos, vários feridos e desalojados, com impacto sobretudo na região Centro do país.

Janeiro 29, 2026 . 20:32

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