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“Colocámos Viseu no mapa do ilusionismo português e espanhol”

Viseu vai viver cinco dias de magia de hoje a domingo, com a segunda edição do Meta Magic, no Carmo 81, e a realização da Gala dos 50 anos da Associação Portuguesa de Ilusionismo, no Mirita Casimiro

A segunda edição do Meta Magic arranca hoje no Carmo 81, estendendo-se até sexta-feira, com atuações dos ilusionistas espanhóis Alex Louzao, Paco Agrado e Mario Lopez. O even­to volta a assinalar o Dia Mundial do Mágico, comemorado a 31 de janeiro, data em que será realizada, pela primeira vez em Viseu, a gala da Associação Portuguesa de Ilusionismo (API).
O diretor artístico do projeto Meta Magic, Zé Mágico, entende que esta edição será “mais robusta e participada, dedicada ao ilusionismo espanhol”, na medi­da em que os três artistas são uma referência no país vizinho. Além das atuações, vão dar conferências no sábado.

“Hoje, temos o espetáculo de Alex Louzao; amanhã será a vez de Paco Agrado e na sexta-feira do Mario Lopez, todos no Car­mo 81, às 21h30. Estes dois últimos receberem o prémio “Fool Us”, do programa televisivo da dupla Penn&Teller. O Lopez é vice-campeão mundial também. Depois, no sábado, vão fazer conferências, tal como o Franciso Mousinho, cuja conferência será no domin­go. No sábado, vamos estar num even­to de magia no Palácio do Gelo, às 19h00, seguin­do-se a gala da API no Mirita Casimiro”, referiu.
Questionado sobre o aumen­to da responsabilidade pelo fac­to de a gala se realizar em Viseu, Zé Mágico responde afirmativa­mente, “porque colocámos Viseu no mapa do ilusionismo português e espanhol até, porque ao trazer estes mágicos despertamos o interesse de alguns colegas também, que acabam por vir ou com eles, ou por se juntarem entre amigos e vir também”.

A gala vai incluir homenagens a artistas que foram muito importantes para a API, nomedamente o viseense José Rodrigues de Sá, mais conhecido co­mo “Saiur”, que foi presidente da API e um dos grandes dinamizadores do ilusionismo em Portugal. A associação já conta­tou a sua família, residente em Abraveses, para marcar presen­ça na gala.
Entre as atuações, subirão ao palco David Sousa, Gonçalo Gil, Leandro Morgado, Francisco Mousinho, Pedro Lacerda e Zé Mágico. O Meta Magic, apoiado pelo Eixo Cultura do Município de Viseu, co-organiza a gala ao lado da API.

“Responsabilidade cívica para com a sociedade”

Zé Mágico defende que há uma responsabilidade cívica para com a sociedade inerente a todos os seres humanos, e que o seu papel foi criar algo que ele próprio não teve quando iniciou a carreira.
“De alguma forma, quis criar uma estrutura que desse forma­ção e que mostrasse ilusionis­mo de qualidade, porque teria adorado que já existisse um pro­jeto destes quando comecei”, explicou, acrescentando que não há nada de “messiâni­co” no seu papel, até porque “eu sinto que isto não sou só eu, eu sou às vezes, muitas vezes, o rosto, mas é um conjunto de pessoas que se junta a mim”.
O diretor artístico salienta que quem quiser começar agora no ilusionismo já tem “essa base, essa sustentação”, porque o trabalho que já foi executado tornou o ilusionismo mais acessível para as pessoas”.
Um dos grandes objetivos que Zé Mágico tem em mente passa pela formação, que no seu entender terá de ser “mais contínua e menos pontual”.
“Por exemplo, as oficinas nas escolas, em vez de serem uma coisa pontual, teriam de ser algo realizado ao longo do ano e que resulte depois num trabalho final. E até porque, depois de ter feito uma reflexão sobre o assunto, em Portugal não há mulheres nesta área, existe apenas uma mulher ilusionista, que é a Solange Kardinaly. Ela está a ter um sucesso enorme, está a atu­ar na Rússia, na China, nos Estados Unidos da América, corre a Europa toda e foi uma das finalistas do “American Got Talent” ano passado. Portanto, está a sair-lhe muito bem o percurso. Mas ela é muito boa e está a ser distinguida e não é pelo facto de ser portuguesa que eu a destaco”, enfatizou.
O exemplo de Solange Kardinaly entronca numa perceção que o ilusionista tem vindo a maturar, que se prende com o facto de haver, no seu entender, mais meninas interessadas na magia do que meninos.
“Nas oficinas e nas escolas, sinto que há mais meninas interessadas em aprender truques de ilusionismo do que meninos. Só que depois, isso de alguma forma, perde-se. Tanto que um dos projetos que eu agora já estou a fazer para o Eixo Cultura deste ano, que acaba agora sexta-feira, passa por trazer algumas ilusionistas de outros países, que é exatamente para ir ao encontro desta ideia, para estimular a curiosidade entre os mais novos”, concluiu.

 

“Não era propriamente fã do projeto do Centro de Artes e Espetáculos,
mas entendo que é necessária uma sala de espetáculos condigna em Viseu”

Entende que Viseu necessita de uma sala de espetáculos condigna para acolher eventos co­mo o seu Festival de Magia?
Pessoalmente, nunca fui propriamente fã do Centro de Artes e Espetáculos, até porque nunca percebi como é que eu iria ser pago. Só se eu fizesse algum truque… (risos) Mas eu acho que é necessário. O festival está numa dimensão que se adequa perfeitamente ao Teatro Viriato, mas não estava disponível nas nossas datas. Optámos pelo Mirita Casimiro, que é gerida por uma associação e tem eventos com regularidade ao longo do ano.
Mas entendo que faz falta uma sala de espetáculos condigna. Eu lembro-me do projeto para o Mulitusos, o Viseu Arena, até cheguei a atuar na sua apresentação. Aquilo iria ter várias salas, era multifacetado a nível da disposição, com vários auditórios, como tem o Palácio do Cristal, no Porto. Para a dimensão do festival, que irá ter cerca de 200, 300 pessoas na gala, é mais que suficiente. Mas volto a dizer, para mim, o Teatro Viriato, neste caso, se calhar daqui a 10 anos, se o festival continuar a ganhar outra dimensão, aí sim já vou sentir essa ansiedade. Para já, está bem assim, está tudo a ir devagar. Este ano, vamos fazer o evento novamente no Carmo 81 e a Gala da Associação Portuguesa de Ilusionistas será no Mirita Casimiro, onde, a nível de profissionais, estamos à espera entre 30 a 50 profissionais na gala da API. Nesse dia, como vêm algumas pessoas que vão ser homenageadas, por exemplo, só a API traz cerca de 40 pessoas.

Zé Mágico apresenta os mágicos que estarão presentes no Meta Magic

“O Alex Louzao vem da Galiza, tem o melhor bigode galego (risos). Tem um humor extraordinário, é das pessoas mais comunicativas e a prova que não é preciso compreendermos a língua para compreender o ilusionismo, os efeitos, é o Alex Louzao, porque os efeitos dele são transversais à língua”.

“Paco Agrado junta poesia, teatro ao ilusionismo, então vamos ver um espetáculo muito mais poético. Se tivesse que descrever o Paco Agrado seria algo como adaptar os escritos de Gabriel García Márquez a um espetáculo de ilusionismo. É o realismo mágico, é uma fusão entre esse realismo mágico da literatura para o ilusionismo”.

“Na sexta temos o Mario Lopez, que é uma pessoa muito descontraída, no sentido que faz um contraponto a tudo o que nós tínhamos estereotipado acerca dos mágicos, cartola, fato, etc, porque atua de t’shirt, uma boina, e ele consegue desconstruir a magia a um nível extraordinário. Primeiro, os truques dele e os efeitos são poderosíssimos. Ele é conhecido porque a magia dele é muito visual, é uma coisa inexplicável”.

Janeiro 28, 2026 . 09:00

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