
Inês Matos quer "caminho de verdade, trabalho e dedicação” em Santa Comba Dão
A Casa da Cultura de Santa Comba Dão encheu-se para a cerimónia de instalação dos novos órgãos autárquicos do concelho, que assinalou o arranque do mandato 2025-2029. Após a apresentação da nova Assembleia Municipal e dos presidentes das juntas de freguesia, eleitos no sufrágio de 12 de outubro, o momento mais aguardado chegou quando Inês Matos subiu ao palco. Recebida por uma prolongada ovação, a recém-eleita presidente da câmara Municipal jurou “solenemente” cumprir as funções que lhe foram confiadas — e fê-lo com a serenidade de quem sabia bem o peso e o significado daquele instante.
Com o olhar firme, deixou logo um aviso: o discurso não seria político nem institucional. “Será pessoal, porque não faria sentido que fosse de outra forma”, explicou. E assim foi — uma intervenção sentida, feita de memórias, exemplos e afetos.
Inês Matos falou das mulheres que moldaram o seu percurso, começando pela avó por afinidade, Maria Judite Pinto Mendes de Abreu, a primeira mulher presidente da câmara de Coimbra, eleita em 1976, precisamente no ano em que nasceu. “Não digo isto com vaidade, digo com muito orgulho”, sublinhou, descrevendo-a como “uma mulher educada, culta, senhora do seu nariz, rigorosa e respeitada pela sua inteligência e capacidade de trabalho”.

A presidente aproveitou o momento para alargar o tributo a todas as mulheres que abriram caminho antes dela. “Outras houve, tão importantes como a avó Judite, que apesar de nunca terem chegado tão longe, permitiram que mulheres como eu conquistassem esses lugares”, afirmou.
Com emoção, dedicou o momento às mulheres mais próximas da sua vida — especialmente à mãe, “que, mesmo tendo apenas a quarta classe, é o maior suporte” do seu quotidiano”.
A certa altura, admitiu que ser presidente da câmara da sua terra nunca tinha sido uma ambição, mas reconheceu o simbolismo da conquista: “Ser mulher e presidente não é um feito inédito, mas também não é algo que possa desvalorizar”, referiu.
As mulheres que "fizeram história"
No discurso, fez também questão de saudar a adversária socialista, Catarina Costa. “Também ela fez história”, sublinhou, recordando que “foi a primeira vez que duas mulheres se apresentaram como candidatas à Câmara Municipal de Santa Comba Dão, concorrendo contra três homens”. E completou: “Uma de nós saiu vencedora, mas no fundo conquistámos juntas o que queríamos — o que nunca tinha sido conquistado antes: a confiança dos partidos e, sobretudo, o voto da maioria dos eleitores.”
Com realismo e humildade, reconheceu que o resultado sem maioria absoluta não é só um desafio acrescido, mas também um estímulo. “Talvez uma gestão mais tranquila significasse uma gestão mais relaxada, e isso não pode acontecer. Santa Comba Dão precisa de ação e de muito trabalho.”
O olhar da nova presidente está virado para o futuro, e com determinação. Disse acreditar que a recompensa final “é o desenvolvimento do concelho”, garantindo que não vai desistir “diante das dificuldades”, porque “só com foco, esforço e dedicação será possível alcançar os objetivos”.

Compromisso com o trabalho e a verdade
Entre compromissos e promessas, destacou um que considera essencial: o da verdade. “Quem me conhece sabe que, para mim, política é sinónimo de proximidade, de trabalho e de disponibilidade na busca de algo superior. O interesse do concelho estará sempre acima de qualquer outro.”
Inês Matos frisou que quer “trabalhar com todos e para todos — desde o munícipe mais longínquo, à associação mais humilde, à freguesia mais pequena”, porque todos são “parte do todo que é Santa Comba Dão” e todos serão “poucos para o tanto que há para fazer”.
Falou também da necessidade de reposicionar o concelho, de o voltar a colocar “nas bocas do mundo pelas melhores razões”, deixando o seu retrato da Santa Comba Dão com que sonha: “Um concelho com um serviço de saúde capaz de dar resposta às necessidades da população, boas escolas, diversidade cultural e desportiva, oferta de emprego e serviços municipais eficientes”.
Com um sorriso, acrescentou: “Sempre quis o melhor para a nossa terra e nunca gostei que mostrassem o pior dela.” Admitiu, no entanto, que o caminho será longo e exigente. “No lado menos bom é que iremos trabalhar com afinco. Não resolveremos questões estruturais de um dia para o outro, mas é preciso insistir, ter paciência e compreender o caminho a percorrer.”
Inês Matos que colocar Santa Comba Dão “nas bocas do mundo, e pelas melhores razões”
Já perto do final, agradeceu a todos os que a acompanharão neste mandato — tanto no executivo como na oposição, esta a quem cabe “uma importante vertente de fiscalização” e dignificação “do trabalho de quem executa.”
Num dos momentos mais marcantes da cerimónia, deixou clara a forma como encara o cargo que agora assume: “A partir de hoje e até ao final do mandato, eu não mais serei a Inês Matos eleita pela coligação PSD/IL. Serei a Inês Matos eleita pelos santacombadenses, obrigada a dar resposta a todos, sem qualquer distinção.”
Antes de se despedir, trouxe o discurso de volta ao plano pessoal, lembrando o papel da família, sobretudo dos filhos, Pedro e António — “o centro da minha vida e o meu maior feito”.
Depois, o apelo final: “Peço a vossa confiança, mas sobretudo a vossa paciência e ajuda. Como disse alguém, se for incrível é porque não vai ser fácil. Se for fácil é porque não vai ser incrível”. E Inês Matos quer “que seja incrível”.
A Casa da Cultura respondeu com um longo aplauso. Entre emoção, esperança e sentido de responsabilidade, começou ali um novo ciclo político em Santa Comba Dão — um ciclo que, como fez questão de sublinhar a nova presidente, “não se mede por quem lidera, mas pelo trabalho que se faz por todos”.







