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Do papel ao pixel: como a Inteligência Artificial mudou as indústrias criativas

Há muito que a Inteligência Artificial deixou de ser uma ferramenta meramente de apoio. Hoje já automatiza processos em empresas e tem mesmo a habilidade de criar. Por isso, áreas como o design, a música, o cinema, o jornalismo e a publicidade passaram a interessar-se pela IA com o mesmo propósito.

Estas ferramentas já desenvolvem arte visual, composições musicais e artigos escritos, demonstrando que as suas capacidades são praticamente infinitas. Porém, a inovação pode levar a grandes transformações no mercado, sejam elas positivas ou negativas.

Da arte tradicional aos movimentos digitais

Se pensarmos que a IA não consegue criar algo nas artes, estamos enganados. Esta opera com base em dados históricos de produções humanas, analisando padrões e comportamentos.

Na maior parte dos casos, temos de expor uma temática, explicar a nossa linha de pensamento e a IA faz a sua parte. Alguns usam-na a seu favor, outros temem-na como a sua substituta.

Mas nem todos os artistas estão com medo da mudança e muitos já abraçam a IA, implementando-a no seu trabalho. É o caso do artista Okuda San Miguel que usa a IA como uma ferramenta. “Eu marquei as linhas que a IA me propôs, mas depois eu fui mudando”, diz o artista, mas reitera que a IA não substitui a mão humana e que deve ser usada como um complemento.

Por outro lado, há um receio generalizado do uso que a IA pode fazer de obras de arte sem autorização. Estão em causa questões como a de direitos de autor. Houve já 4.700 artistas que viram as suas obras usadas sem permissão para aprendizagem da plataforma de IA, Midjourney. Esta utilização servia para treinar a IA com o intuito de gerar imagens a partir de instruções humanas.

Marketing e publicidade pela IA

O marketing e a publicidade há muito que foram revolucionados pela tecnologia. Com a IA não podia ser diferente. Já há anúncios a serem feitos inteiramente com este recurso, como aconteceu com a campanha “Nutella Unica”.

Além disso, de acordo com um estudo realizado pela LG Ad Solution, 74% aprovam o uso de IA em anúncios. Os inquiridos nesta análise afirmam que gostam da personalização que as campanhas desenvolvidas com IA oferecem. Porém, 80% dos participantes também defendem que o uso de Inteligência Artificial deve ser regulado.

O próprio design gráfico, uma ferramenta usada na publicidade, mas também em muitas outras áreas, debate o tema da IA. Alguns profissionais já usam estas ferramentas, mas outros consideram que a IA não oferece a parte empática e humana no contexto do design.

Com estes avanços, a União Europeia está já dentro da regulação de conteúdos gerada por IA. A partir de agosto de 2026, a utilização de Inteligência Artificial terá de passar a ser mais transparente, num projeto que vai operar por fases.

IA na música, no cinema e no entretenimento

Se a IA já tem impacto na arte mais visual, noutras faculdades também tem o seu contributo. Na música, por exemplo, existem faixas geradas por Inteligência Artificial. Em 2025, o serviço de streaming de música Deezer anunciou que 18% das músicas novas na plataforma foram criadas por IA.

E este impacto da IA no universo do som não vem ao acaso. Para ter ideia, um estudo da Universidade Queen Mary de Londres revelou que os participantes não conseguiram distinguir entre vozes humanas e vozes geradas por Inteligência Artificial, mostrando que estas já soam tão naturais como as reais. Entre as conclusões, a pesquisa alerta para implicações éticas e de segurança.

Por isso, neste mercado também se levantou a questão dos direitos de autor, com muitas faixas a serem criadas sem o consentimento dos seus criadores. Exemplo disso foi “Heart on My Sleeve”, que recriava as vozes de Drake e The Weeknd e acabou por ser removida das plataformas.

Já no cinema, os impactos continuam, tornando-se possível dobrar filmes sem precisar de atores. Isto ajuda a que filmes sejam mais rápidos e baratos de produzir. Por outro lado, temos os profissionais que perdem a sua fonte de rendimento. Calcula-se que 56% dos tradutores que fazem dobragens sentirão o impacto, assim como 20% dos argumentistas e 15% dos realizadores.

De facto, a tecnologia já domina o setor do entretenimento, seja no casino online ou até nos videojogos. No caso da IA, existem jogos como Red Dead Redemption 2 que beneficiam da tecnologia.

Jornalismo e escrita com IA

A IA também já se introduziu na escrita. No caso dos jornalistas e investigadores, esta pode ter um papel fundamental para ajudar a analisar grandes conjuntos de dados, fazendo com que os profissionais ganhem tempo para interpretar resultados.

Na área da escrita, as aplicações da Inteligência Artificial são cada vez mais variadas. Um estudo da Associação Mundial de Jornais revelou que 54% dos profissionais utilizam a tecnologia para criar textos e 44% para simplificar pesquisas. Já uma investigação mais recente do Reuters Institute for the Study of Journalism (2024) apontou que o uso mais comum da IA está na transcrição e revisão de conteúdos (58%).

Embora a maioria dos jornalistas portugueses reconheça o potencial da Inteligência Artificial, cerca de 60% demonstram preocupação com o impacto que esta poderá ter na profissão. Em contrapartida, 36.5% mostram-se entusiasmados.

Ainda assim, muitos acreditam que é possível encontrar um equilíbrio no seu uso. Isso passa, sobretudo, pela formação. Atualmente, 83.8% dos jornalistas admitem não ter qualquer formação em IA, enquanto 10.8% têm instrução básica e 1.4% avançada.

Outubro 29, 2025 . 12:05

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