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Presidente da República homenageia vítimas dos trágicos incêndios de 2017

Vouzela foi um dos concelhos mais fustigados pelos incêndios em outubro de 2017. Perderam-se seis vidas e as chamas destruíram 80% do concelho. Marcelo Rebelo de Sousa participa na próxima quarta-feira em cerimónia de homenagem às vítimas

O dia 15 de outubro de 2017 ficou indelevelmente marcado na memória coletiva da região de Viseu. Foi um domingo de calor que depressa se tornou em pesadelo quando começaram a deflagrar os primeiros fogos. Empurradas pelo forte vento que se fazia sentir, as chamas galgaram territórios e atingiram o coração da região Centro, ceifando 51 vidas.
A dimensão da tragédia atingiu sem piedade o concelho de Vouzela, onde morreram seis pessoas, cinco delas na freguesia de Ventosa. O pujante verde de Lafões deu lugar a um desolador manto negro que não respeitou nada nem ninguém, levando à população muito daquilo que tinha angariado e construído à custa de muito trabalho e sacrifício.
Debaixo de um ar ainda irrespirável, o Diário de Viseu foi a Ventosa ouvir vozes consternadas, semblantes de incredulida­de e a repetição de termos como "terror", "inferno" e "tragédia" para descrever uma noite que perdurará na memória de toda a gente durante muitos anos.
A localidade de Vila Nova, em Ventosa, foi onde se verificaram mais fatalidades. Três pessoas sucumbiram às chamas num barracão, o casal Fernan­do e Laurinda Lourenço, de 71 e 65 anos, e a irmã do primeiro, Arminda Jesus Lourenço, de 77 anos. Também Maria Rosa de Jesus, de 93 anos, perdeu a vida devido a problemas respiratóri­os. Ainda foi levada para o hospital de Viseu, mas veio a falecer. Em Covelo, a dois quilómetros de Ventosa, foi encontrado o corpo de Abílio Rodrigues Moi­ta, de 83 anos, no meio dos escombros da sua habitação, on­de morava sozinho.
Jorge Pardal, 53 anos, emigrante no Luxemburgo, onde tinha uma cadeia de restaurantes, foi encontrado sem vida em Igarei. Estava no país há poucos dias, para onde tinha viajado sozinho, sem a mulher e os filhos, e foi apanha­do pelas chamas quan­do tenta­va circular entre Queirã e Igarei.
Ao nosso jornal, Rui Ladeira, que era presidente na altura do Município de Vouzela e hoje é secretário de Estado das Florestas, falou em “catástrofe” e “destruição arrasadora”, acrescentando que 80% do concelho, que era considerado uma referência em termos ambientais e florestais, tinha sido completamente destruído pelas chamas.
O fogo destruiu centenas de habitações, dezenas de aviários e outras empresas, queimou produções agrícolas e reduziu a pó o ganha pão de muitas famílias que subsistiam da agricultura e pecuária.
Rui Ladeira pediu “solidariedade para com o povo de Vouzela”, entendendo que era uma altura de “unir esforços” e de pedir ao Governo “uma posição firme, rápida e frontal”.
“Os recursos públicos são para proteger os cidadãos. No mínimo, terá de haver um apoio igual ao que se verificou em Góis e Pedrógão Grande, seja pela via de recursos comunitários, nacionais ou mes­mo solidária”, concluiu o autarca.

 

“As pessoas estiveram entregues a si próprias”

A trágica noite daquele domingo motivou dezenas de episódios dramáticos que o nosso jornal plasmou então nas suas páginas. Bernardo Guedes, de Igarei, reconheceu na altura que “as pessoas estiveram entregues a si próprias, não havia bombeiros, nem nenhuma ajuda”. Contou ainda que, depois de enviar a família para Viseu, para ficarem em segurança, foi combater os incêndios com outros populares, que tentavam proteger as suas habitações e os seus bens. “O ar estava irrespirável, a água faltou-nos a meio da noite, mas não desistimos e pegámos em tudo o que tínhamos para apagar as chamas. Foi um terror, uma noite para esquecer”, lamentou.
Manuel Ribeiro, de Covelo, lembra-se que se deitou cedo no domingo, “por volta das nove da noite”, mas acordou sobressaltado com a agitação popular três horas depois. “Não havia água, nem luz, mas o povo foi para a rua ajudar a apagar o fogo, que estava mesmo junto às casas. Foi um milagre não ter havido mais vítimas mortais, porque na aldeia há muitos palheiros e canastros com espigas, mas os populares foram valentes”, recordou.

 

Homenagear quem lutou mas não conseguiu vencer as chamas

Marcelo Rebelo de Sousa tem sido uma presença constante no território após a tragédia de 2017, participando todos os anos na cerimónia evocativa que o Município de Vouzela promove para homenagear as vítimas dos incêndios.
Assim será amanhã quando o Presidente da República participar, às 10h45, na cerimónia que se realizará no monumen­to evocativo junto ao Instituto Marista. Antes, às 9h30 e 10h00, o município promove uma visita aos cemitérios de Ventosa e de Queirã, com as respetivas deposições de coroas de flores. A manhã culmina com a celebração eucarística na Igreja Matriz de Vouzela, presidida pelo bispo da Diocese de Viseu, António Luciano, às 11h00.
A cerimónia, organizada pela Câmara Municipal de Vouzela com o apoio da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vouzela, pretende “honrar a memória das vítimas e reforçar o compromisso coletivo de resiliência e solidariedade, num concelho profundamente marcado pelo drama vivido em 2017”.

Outubro 13, 2025 . 18:30

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