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“O nosso objetivo é eleger para todos os órgãos municipais e ser a voz que vai marcar a diferença”

Bernardo Pessanha, candidato do CHEGA à Câmara de Viseu, defende a revisão do Plano Diretor Municipal, mais meios para as forças de segurança e a Polícia Municipal, além da descida dos impostos

Diário de Viseu: Quem é o candidato do CHEGA?
Bernardo Pessanha: Sou Bernardo Pessanha, tenho 42 anos, nasci e cresci no concelho de Viseu, aqui na cidade. Estudei cá. Andei na Escola de São Miguel, depois estive no ‘Ciclo’, e, do 10.º ao 12.º ano estive no ‘Liceu’. Vivi em Viseu até aos 18 anos. Fui estudar para Lisboa e por lá fiquei, como aconteceu com muitos da minha geração. Temos uma cidade que é muito bonita, mas que não consegue ainda fixar muitos jovens. Vão para os grandes centros e acabam por lá ficar, porque encontram lá outras oportunidades de trabalho. Quando não têm mes­mo que ir para fora do país para encontrar as suas oportunidades. Sou casado, tenho sete filhos. Sou, portanto, um pai de uma família bastante numerosa.

Como é que surge agora este regresso a Viseu como candidato do CHEGA?
De uma forma bastante natural. Em 2024 apresentei-me pela primeira vez nas listas do CHEGA como candidato a deputado e fui eleito. Agora, o partido entendeu que seria a melhor escolha para representá-lo aqui no concelho de Viseu. Foi uma escolha natural vir para aqui enquanto candidato, sendo natural de Viseu. Conheço os problemas da cidade, do concelho e mantenho uma ligação muito forte a Viseu, porque venho cá com muita frequência. Os meus pais ainda vivem cá.

Qual é o seu projeto para Viseu?
Temos vários problemas no concelho. É um concelho do interior que enfrenta vários constrangimentos por ser um concelho do interior. Temos problemas de acessibilidade que nunca foram resolvidos e que foram várias vezes prometidos por diversos governos do PS e do PSD, como é o caso, por exemplo, do IP3. Continuamos com uma das estradas mais perigosas do país. Talvez seja até uma das principais nódoas no currículo, quer dos governos do PS, quer dos governos do PSD, que têm alternado na governação do país ao longo destes 50 anos. E da parte do município não tem havido força suficiente, junto do governo central, para levar por diante esses projetos. Mas também temos outros constrangimentos ao nível dos transportes, como é o caso da linha ferroviária. Somos a única capital de distrito que não tem ligação ferroviária. Em termos de acessos e transportes precisamos de melhorar muito. E também temos desafios em termos económicos e de dinamização da economia local para conseguir fixar jovens e jovens famílias.

(O Mercado 2 de Maio) foi um gasto de dinheiro absolutamente injustificável, sobretudo para aquilo que temos lá agora

Estamos a falar da criação de emprego e da dinamização de empresas?
Exatamente. Temos que ser uma cidade mais atrativa desse ponto de vista. E para atrair empresas, sabemos que temos que baixar impostos. Dar-lhes condições para que se fixem no concelho. Temos concelhos à volta que têm sido, apesar de tudo, um bocado mais dinâmicos em termos de atração de polos industriais e temos que conseguir isso em Viseu. É verdade que Viseu é um concelho que tem crescido em termos de número de habitantes e sabemos também que essa subida tem tido alguma influência da imigração, mas ao mesmo tempo temos uma população muito envelhecida. Somos um concelho com 25% de idosos.
É um problema estrutural do país, mas que temos que encarar no concelho. Temos que apresentar soluções para conseguir fixar famílias, para dar também oportunidade às famílias viseenses que se queiram fixar, que queiram ter filhos.

Que soluções são essas?
É muito importante termos políticas de natalidade, apoios as famílias numerosas que se queiram fixar no concelho e que queiram aqui estabelecer os seus negócios e aqui prosperar e aqui viver. Outra proposta é a devolução de 5% do IRS em vez dos atuais 1%. Achamos que não faz sentido que um lisboeta, por exemplo, pague menos impostos do que um viseense, sobretudo quando sabemos que a maior parte dos investimentos públicos são feitos em Lisboa e não propriamente aqui em Viseu ou em cidades do interior.

Quais são os outros pilares da sua candidatura?
Temos um concelho que é muito bonito e que tem tido o seu progresso ao longo dos anos, mas penso que atualmente existe um sentimento generalizado nas pessoas do concelho que estes anos de governação do PSD, nomeadamente do seu presidente que já lá está há muitos anos, é um projeto que se esgotou e que precisa de um novo capítulo para que continue a prosperar e, sobretudo, prosperar ainda mais. Evidentemente, nem tudo foi mal feito, claro que não, mas podia ter sido feito muito melhor e muito mais. Uma das áreas onde entendemos que podemos melhorar é a segurança. É certo que Viseu é um concelho que não se tem apresentado mal em termos de números do RASI (Relatório Anual de Segurança Interna), mas temos que olhar para a segurança do concelho como um ativo estratégico e temos tido, infelizmente, episódios que têm causado alarme social, como, por exemplo, o caso daquela rixa entre famílias da comunidade cigana à porta do Palácio de Gelo, que abriu todos os telejornais. Esse tipo de crimes parece ser cada vez mais frequente. Temos uma posição muito clara e que passa por não só reforçar a Polícia Municipal, embora não tenha competências de investigação criminal tem um efeito dissuasor, mas também, junto do Poder Central, alertar para a necessidade de termos aqui mais profissionais quer da PSP, para a zona urbana, quer da GNR, para as zonas rurais. Das reuniões que tivemos com as várias polícias, percebemos que o perfil do efetivo é preocupante, isto é, existem agentes bastante mais velhos ou agentes acabados de sair da formação e entendemos que isso acaba por ser um ponto fraco, sobretudo quando é exigido um nível de atuação mais musculado.

Também defende a instalação de um sistema de videovigilância?
Achamos incompreensível como é que ainda não existe. Fala-se da videovigilância há não sei quantos anos, e ainda não foi implementada. Temos um centro histórico onde se regista muita criminalidade. É uma zona da cidade que está completamente desertificada, e, portanto, é propensa a esse tipo de acontecimentos. Julgamos que a instalação de câmaras de videovigilância é absolutamente crucial para fazer face a estes eventos de criminalidade.

Como pode ser combatida a desertificação do centro histórico?
Quando falamos do centro histórico, temos de falar do Mercado 2 de Maio. Entendemos que foi um gasto de dinheiro absolutamente injustificável, sobretudo para aquilo que temos lá agora. Desde que foi tomada a decisão de retirar dali a ‘praça’, o mercado perdeu vida. E perdeu vida também o centro histórico. A rua Formosa, a rua de Comércio, a própria rua Direita. Ou seja, a coisa não aconteceu imediatamente, mas foi acontecendo gradualmente. E parece-me que se voltássemos a levar para o Mercado 2 de Maio, o Mercado de Produtores, isso seria uma maneira de voltar a dinamizar aquele espaço.

O acordo com as Águas do Douro e Paiva permite-nos essa redundância que pode dar resiliência ao sistema de abastecimento

É viável essa mudança?
É viável se fizermos algumas coisas, nomeadamente se criarmos mais estacionamento no centro histórico. Ou seja, para poder haver, efetivamente, o conforto e a comodidade que existem em outros sítios. Nós temos exemplos em que funciona muito bem a simbiose perfeita entre aquilo que é o Mercado de Produtores e a restauração.

A habitação é um problema em todo o país, como pretende resolver a questão em Viseu?
A habitação acaba por ser um tema transversal a todo o país, com o preço das casas a disparar brutalmente. O PDM (Plano Diretor Municipal) tem que ser obrigatoriamente revisto para permitir criar mais oferta. Isto é a economia a funcionar, quando não há oferta, e há uma pressão da procura, os preços disparam. Também queremos fazer um levantamento de todo o edificado municipal e do edificado do Estado, que possa ser convertido em habitação a custos mais acessíveis para quem efetivamente precisa.

O acesso à água tem sido muito debatida nesta campanha. O atual executivo optou pela adesão ao Sistema de Águas do Douro e Paiva. Concorda com a decisão ou acha que a solução poderia ser outra?
Aquilo que nós queremos garantir aos viseenses é que eles paguem um preço justo e que tenham água 24 horas por dia, 365 dias por ano. As soluções que são encontradas, digamos assim, devem ter uma visão técnica e não política. E aquilo que me parece é que, do ponto de vista político, temos de garantir isso, que paguem menos, ou que paguem um preço justo e que tenham água todo o ano. As falhas que houve no passado não podem voltar a acontecer. O acordo com as Águas do Douro e Paiva permite-nos essa redundância que pode dar essa resiliência ao sistema. Do nosso ponto de vista, não achamos que isso seja mau. A guerra que existe parece-me ter motivos políticos. Mais do que uma discordância absoluta sobre a solução apresentada, parece-me mais uma picardia política.

Acredita que a sua candidatura é capaz de quebrar o ciclo do PSD, que dura desde 1989?
Eu acredito que estamos preparados. Queremos eleger vereadores, queremos eleger deputados municipais e queremos eleger presidentes de junta. O nosso grande objetivo é eleger para todos os órgãos municipais e sermos essa voz que vai marcar a diferença. Não é por acaso que o slogan da minha campanha é ‘Mudar a sério’. Queremos mudar e ser a verdadeira alternativa, credível, dando uma nova esperança às pessoas.

“A habitação social tem que ser para quem precisa”

Qual a sua posição relativamente à habitação social?
A habitação social tem que ser efetivamente, para quem precisa. O que muitas vezes nós vemos é que não é isso que se passa. Falta muita fiscalização relativamente a isso. Nós temos queixas, por exemplo, nos bairros sociais da Balsa e de Paradinha, em que temos puxadas de água ilegais, temos puxadas de eletricidade, de telecomunicações. Essas situações são inadmissíveis. Como é que não existe uma fiscalização efetiva? Como é que essas pessoas, estando já de si a usufruir de uma ajuda pública, sendo apanhadas a prevaricar, não são postas na rua? Não podemos viver de parasitismo, não podemos viver desta subsídio-dependência em que as pessoas não fazem nada, não contribuem com nada para a sociedade, e é-lhes dado tudo de mão beijada. Isso connosco vai ser totalmente diferente. Vamos cortar a direito. Não vamos ter qualquer tipo de complacência com esses casos.
Outro problema que temos que enfrentar é o aumento das barracas. Temos barracas ali naquela zona de São João de Lourosa, logo a seguir ao nó da A25, e temos que acabar com isso. Há dias falava com uma pessoa que me dizia que foram lá, tentaram acabar com aquilo, puseram umas barreiras de cimento. No dia seguinte, estavam a arrastar as barreiras de cimento com os carros e, poucos dias depois, e voltaram a ocupar aquilo. Continuou tudo igual. Voltamos à fiscalização e à necessidade de a reforçar.

CAEViseu: “É muito dinheiro para o que se pretende fazer”

Qual é a sua posição relativamente ao Centro de Artes e Espetáculos?
Entendemos que é muito dinheiro para aquilo que se pretende fazer. 20 milhões de euros numa fase inicial e nós sabemos que depois estas grandes obras públicas facilmente dobram de valor. No fim da obra é muito possível chegarmos aos 40, 50 ou 60 milhões. Já sabemos como é que são este tipo de coisas. Entendemos que existem já outras infraestruturas culturais, em termos de oferta cultural, na cidade, que podem ser ou requalificadas ou melhoradas, para que possam receber efetivamente mais espetadores, e possam efetivamente dar essa oferta cultural que as pessoas referem. O que entendemos é que não faz sentido que os munícipes viseenses sejam chamados a um investimento desta ordem de grandeza. Ainda não se percebe muito bem que fundos é que serão utilizados ou que serão mobilizados para a construção dessa grande obra pública, mas entendemos que alguma coisa os viseenses vão sempre pagar, e, portanto, achamos que isso é um investimento que não faz qualquer sentido.

Outubro 9, 2025 . 07:30

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