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“Vamos usar a confiança dos viseenses para dinamizar a economia e atrair investimentos para o concelho”

Hélio Marta, que se candidata à presidência da Câmara de Viseu pela Iniciativa Liberal, foca o seu programa eleitoral na atração de investimentos e instalação de empresas no território

Diário de Viseu: Porque se candidata à Câmara de Viseu?

Hélio Marta: É muito simples. Não há em Viseu um projeto político igual ou semelhante ao nosso. É certo que todos os candidatos acham que têm as melhores ideias para o concelho de Viseu, mas nós somos um projeto transformador, com novas ideias e com novas formas de abordar a política. Se nós trazemos novas pessoas e novas formas de fazer política, uma das consequências é que depois a política também seja diferente e acho que Viseu precisa de um salto geracional no que diz respeito aos responsáveis políticos.

Que projeto transformador é esse a que se refere?
Recordo que já tivemos um debate com todos os candidatos onde apresentaram excelentes ideias, mas também boas para gastar o dinheiro das pessoas. Nós também temos essas excelentes ideias para fazer bem às pessoas, mas o nosso foco está na criação de riqueza. O projeto liberal para Viseu assenta numa lógica de atração de investimento, da criação de riqueza que depois, naturalmente, vai alavancar os alunos que saem das nossas escolas profissionais e das nossas instituições de ensino superior. E é este o projeto modernizador que queremos para o concelho. Se recuarmos 40 ou 50 anos, não há dúvida nenhuma que os municípios portugueses precisavam de obras.

Hoje em dia, já temos 40 anos de União Europeia e o atraso de Portugal face aos parceiros europeus, mostra que o nosso problema é atrair capital e empresas que possam investir em Viseu. Até tenho dito isto em forma de metáfora, o presidente da Câmara de Viseu tem de ser um comercial para atrair investimento, tem que fazer trabalho de casa, tem que ter infraestruturas a nível das zonas industriais, tem que ter uma burocracia leve, tem que ter boas acessibilidades e isso já há. Agora, tem que ter impostos baixos para quando chegar ao pé das empresas, dizer nós queremos que vocês venham investir em Viseu.

É dessa forma que se atrai capital para o concelho?

Não há outra forma. Também precisamos das instituições de ensino superior e isso também já temos. Eventualmente podíamos ter uma universidade, podíamos ter sempre mais, mas já temos o Politécnico de Viseu que aporta profissionais numa série de áreas que são importantíssimas, por exemplo, a indústria, onde podem dar resposta às empresas da região. Costumo dizer que um bom sistema de ensino, sem liberdade económica, é uma fábrica de imigrantes qualificados. Não há mais nada. As pessoas formam-se e vão embora, porque não há cá nada onde se empregarem, nem ofertas com bons salários. Esta é a nossa visão.

O nosso problema não são obras, não não infraestruturas, é atrair empresas que possam investir no concelho

Além disso, há mais alguma área em que Viseu precise de atenção?

Nós, na equipa da Iniciativa Liberal, não somos profissionais da política. Queremos vir dar o nosso contributo e quando acabar o nosso tempo da política, termos um sítio para onde ir novamente porque é importante que haja uma substituição de pessoas e de ideias. Muitos dos lugares especializados e, eventualmente, mais bem remunerados, são fatos feitos à medida para pessoas próximas do poder. E isto, na nossa opinião, não é aceitável. Este projeto é também transformador no que diz respeito à transparência das instituições porque sem instituições transparentes, temos uma democracia a meio termo.

E a nível de infraestruturas?

Não há dúvida nenhuma que precisamos de continuar a duplicar algumas entradas em Viseu, nomeadamente na zona do caçador. Em hora de ponta, o fluxo de tráfego é muito grande. Outra situação é, por exemplo, nós temos um movimento considerável nas escolas de futebol e temos muitos clubes que não têm infraestruturas para a sua atividade habitual. E não estou só a falar de futebol, também de muitas outras modalidades e queremos dar resposta a essas questões.

Com o crescimento da população, surgem também novas necessidades, uma delas a habitação. Como resolvia esse problema?

Eu sou natural de Armamar e vivo em Viseu há aproximadamente 20 anos. Todos os concelhos à volta de Viseu perdem população. Viseu é uma cidade mais cosmopolita, com mais infraestruturas no que diz respeito ao ensino, à cultura, tem mais massa crítica. E, portanto, Viseu tem conseguido atrair habitantes porque é a maior cidade.

Não estou a ver outra cidade do interior a que se possa comparar a Viseu. E isso, naturalmente, atrai pessoas, mostrando também o falhanço que é não ter conseguido atrair tantas empresas. Na habitação, queremos criar incentivos para a compra da habitação. E para isso precisamos de ter um PDM que seja justo.

Há alguns projetos que estão sempre em debate como a adesão às Águas do Douro e Paiva. O que pensa desta questão?

Eu tenho uma pequena empresa e sei que nunca posso depender de um só fornecedor. Em 2017, o concelho de Viseu, e não só, dependia da barragem de Fagilde. Isso saiu-nos muito caro, tivemos que andar a transportar água em camiões. Na Iniciativa Liberal, não somos negacionistas das alterações climáticas, sabemos que podemos ter períodos de elevada precipitação, mas também podemos ter períodos de seca muito prolongados.

E não há dúvida nenhuma que precisamos de armazenar mais água e a barragem de Fagilde é absolutamente fundamental, assim como a barragem de Girabolhos tinha sido fundamental, caso geringonça não a tivesse cancelado por questões meramente ideológicas. E nós nunca pomos ideologia à frente das pessoas. Não há dúvida nenhuma que Viseu precisa de outro fornecedor de água. E, portanto, nós vemos com bons olhos a existência de outro fornecedor. Mas há uma coisa que ainda não percebemos muito bem que é quanto é que isso nos vai custar. Acho que isso tem de ser muito bem equacionado, porque se é verdade que nós precisamos de outro fornecedor, também temos que ver quanto é que isso nos vai custar.

 

Hélio Marta Iniciativa Liberal Candidato Viseu 16
“Seremos uma oposição firme, mas também responsável. Connosco, o concelho de Viseu não vai ficar desgovernado”, garante Hélio Marta

E o Centro de Artes e Espetáculos?

Costumo dizer que a coisa mais fácil do mundo é o investimento público. Mas será que já alguém pensou no quanto é que se vai gastar nos recursos que são precisos aportar para a programação do Centro de Artes e Espetáculos? Ou vamos ter um centro com uma placa muito bonita a dizer que foi inaugurada pela pessoa tal? Se vamos gastar tanto dinheiro num Centro de Artes e Espetáculos, tudo bem. Mas há um orçamento para depois termos uma programação compatível com aquela infraestrutura? Se estamos a fazer uma obra, temos que lhe dar continuidade.

Já temos várias infraestruturas, se for para ser uma sala de espetáculos sem uma programação cultural e sem uma agenda cultural, acho que é capaz de não ser uma boa ideia. É como Mercado 2 de Maio que a câmara diz que tem investido imenso, mas a verdade é que o centro histórico continua a morrer. Nós, em consonância com a associação de comerciantes, queremos fazer alguma coisa para que haja mais pessoas a ir ao centro histórico para termos, no fundo, um centro histórico ressuscitado.

Tem alguma ideia específica para o centro histórico?

Nós, na Iniciativa Liberal, defendemos que o centro histórico tem que ser revitalizado com ideias que temos que rever em instituições como a Associação Comercial. Ninguém melhor do que a Associação Comercial para nos aportar ideias de como transformar o centro histórico. São eles que têm a visão do comércio, assim como a Associação Empresarial da Região Viseu. São eles que possuem o testemunho das empresas.

A câmara municipal tem que trabalhar com essas organizações. Por exemplo, não é a câmara municipal que vai organizar uma peça de teatro, tem que ter uma instituição que aporta esse conhecimento, neste caso, o Teatro Viriato. Nós temos de olhar sempre para as instituições como parceiros. E uma das ideias que nós temos é arranjar espaços na zona do centro histórico para alugar a custos controlados, seja a empresas, a comerciantes ou a jovens empreendedores.

É importante incentivar jovens comerciantes, porque a idade média daqueles comerciantes já é elevada. Um comércio que é inovador acaba por atrair os mais jovens, transformando gradualmente o centro histórico.

Viseu é um concelho PSD há mais de 30 anos. Acredita que a sua candidatura pode quebrar este ciclo?

Nós somos um partido com boas ideias, mas que não são populistas. E, por esse motivo, a Iniciativa Liberal tem tido um crescimento mais lento em Viseu do que outras forças políticas. O nosso objetivo realista para estas eleições é estar na vereação da câmara e, com isso, quebrar a maioria absoluta do PSD. Queremos estar também na Assembleia Municipal com deputados municipais e nas juntas de freguesias do Campo, Abraveses, Ranhados e Viseu.

“O aeródromo de Viseu pode ser uma peça fundamental no aumento do turismo na região”

Tendo em conta a estratégia de atração de investimento para o concelho, que propostas tem para o desenvolvimento do aeródromo?

Há um exemplo que eu tenho dado várias vezes que de uma cidade francesa de cerca de 100 mil habitantes, muito parecida a Viseu, que fica a cerca de 200 quilómetros de Toulouse. Serão menos de duas horas de viagem e Toulouse é conhecida por ter uma grande infraestrutura aeroportuária. O que é certo é que esta pequena cidade para a lógica francesa, tem um aeroporto que recebe voos low cost. Ora, isso é possível ser feito aqui em Viseu também. Para isso, nós temos que, primeiro de tudo, criar condições no nosso aeródromo. Para a Iniciativa Liberal, Viseu tem que ser capaz de atrair investimento para transformar o aeródromo porque isso é absolutamente fundamental para o desenvolvimento do concelho. Não estou aqui a prometer um aeroporto porque isso não é realista.

Mas é esse o objetivo?

Se nós criarmos as infraestruturas, se nós fizermos o caminho certo, eu não tenho dúvida nenhuma que vai ser possível termos um aeroporto. Quando foi construído o aeródromo de Viseu, ninguém pensou que seria possível termos voos de Bragança-Vila Real-Viseu-Lisboa-Portimão. Mas foi feito esse caminho. Portanto, é esta a lógica que nós queremos implementar. Nós temos de fazer um caminho que nos leve a termos essa possibilidade no futuro.

Por exemplo, uma ligação à Europa?
Sim, eu acho que é perfeitamente possível até porque se o aeródromo de Viseu tiver as infraestruturas certas, pode muito bem ser uma peça fundamental no aumento do turismo na região do Dão, do Douro e no interior em geral. Temos, mais uma vez, de agir com estratégia e pensar a longo prazo. E não andarmos sempre o pensamento viciado dos profissionais da política.

Viseu tem que ser capaz de atrair investimento para transformar o aeródromo

“O nosso foco está na criação de riqueza para o concelho”

Disse que o foco da sua candidatura está na instalação de empresas. Quais são as prioridades para desenvolver esse setor no concelho?

Se recuarmos até ao 25 de Abril, não há dúvida nenhuma que os territórios precisavam de novas obras. Não havia água, não havia saneamento, os arredores das vilas e das cidades não tinham nada. No que diz respeito ao ensino, à saúde, à mobilidade, havia muito pouco. E não há dúvida nenhuma que as obras eram fundamentais, esse investimento público direto era absolutamente crucial.

Atualmente, o nosso problema não são obras, não são infraestruturas, é a dificuldade de atrair riqueza e capital. Quando digo capital, é o quê? É, por vezes, empresas que estão em situação financeira precária, mas que possam servir de capital externo a Viseu. Mais uma vez, a nossa prioridade em transformar o aeródromo. Estamos muito atrasados na criação de cluster aeronáutico. E isso demonstra que os vários executivos, nas últimas décadas, falharam nesse aspeto.

A instalação de empresas implica também garantir condições para fixar trabalhadores. Que prioridade dá à habitação nesse contexto?

É verdade que nós temos uma parte do concelho que está esquecida. Ainda agora estivemos em Guimarães, uma aldeia de São Pedro de France, e uma das coisas que eu verifiquei é que a escola está abandonada. É uma instalação da responsabilidade da Câmara de Viseu e há várias formas de promover a habitação pública, uma delas é promover os núcleos rurais. É verdade que não se pode construir habitação pública muito longe do centro porque se as pessoas precisam de habitação pública, terão também dificuldades na questão do transporte para mercados ou hospitais.

Nós, a Iniciativa Liberal, não gostamos de prometer o céu às pessoas para depois lhes dar o inferno. Se a Câmara de Viseu providenciasse habitação pública a todos os jovens, era excelente. No entanto, comprar casa é uma forma de aglomerar capital. E é um capital seguro, porque está ali o imóvel. Se nós levarmos as pessoas a comprar casa, se criarmos os incentivos certos, vamos estar a ajudar as pessoas. E como é que se ajuda as famílias a comprar uma casa tendo em conta todo o panorama da habitação? É muito fácil. Um terreiro próximo do centro da cidade, custa o mesmo que uma casa numa aldeia nos arredores de Viseu. É perfeitamente possível construir uma casa barata fora do centro urbano, mas nas freguesias rurais do concelho com uma maior qualidade de vida.

Outubro 7, 2025 . 07:30

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