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“A adesão às Águas do Douro e Paiva será anulada porque é desastrosa para Viseu e para a região”

João Azevedo garante que com ele não haverá Centro de Artes e Espetáculos, mas sim um Pavilhão Multiusos para todos, que acolha atividades em todas as áreas e ainda grandes eventos

Viseu aderiu às Águas do Douro e Paiva com a oposição do PS. Porquê?

O processo de adesão às Águas de Douro e Paiva é um desastre absoluto para o concelho e vai ser resolvido porque nós vamos ganhar as eleições. O atual executivo entregou um ativo histórico de décadas a uma entidade do setor empresarial do Estado. Pegou num lucro de um milhão e 400 mil euros do ano passado e entregou sem qualquer tipo de contrapartida para o município ou para os municípios. Trocou a independência da água para uma entidade que vai marcar as tarifas da água.

Mas o que é que, na realidade, contestam?

Em primeiro lugar, queremos saber a que preço vai o tubo que vem de Crestuma-Lever vender água aos viseenses. Em segundo lugar, saber qual é a primeira água a ser consumida, a da Barragem de Fagilde ou a desse tubo? E em terceiro, é preciso de uma vez por todas venham dizer aos viseenses porque é que o aumento da Barragem de Fagilde não resolveria o problema. Ou seja, há aqui vários problemas, como são a independência, a tarifa e a gestão. Isto era a mesma coisa que o Governo decidir fazer uma autoestrada de Viseu a Coimbra, toda nova e começar a cobrar portagens, antes de estar feita.

Nós queremos e precisamos da nova Barragem de Fagilde, que já está decidida, mas para que vem o tubo e quem o paga à empresa que o vai fazer num investimento de quase 100 milhões de euros? São os consumidores, é a câmara, são as tarifas? Ninguém acha possível que uma entidade do setor empresarial de Estado, com fins de investimento e lucrativos, faça um tubo para depois não ter receita.

Já garantiu que se ganhar vai anular o processo. Qual é a alternativa?

A alternativa é aquilo que o Governo anunciou e que o anterior já tinha dito, que é a construção da nova Barragem de Fagilde, que vai duplicar o armazenamento de água, resolvendo todos os problemas. Aliás, com a duplicação da bacia de água, no rio Dão, vamos ter o dobro de água que está lá hoje. Então tendo o dobro de água, o tubo é para quê? Para estar desligado e sem a torneira aberta? Pergunte-se aos presidentes de Câmara de Guimarães e de Braga, que até são dos dois partidos, e de outros concelhos que já associaram a concessões de água, porque é que querem sair e porque há concelhos que nunca se associaram.

Mas há outros projetos que vai herdar se vencer as eleições. Quais mante­rá e quais irá abandonar?

Nós só vamos manter todos os projetos que estão financiados com fundos comunitários. Não vamos abdicar de nenhum investimento que está decidido e contratualizado. Deixe-me dizer-lhe uma coisa, o Dr. Fernando Ruas e as suas equipas fizeram coisas muito boas. Por isso, todo o trabalho contratualizado com financiamentos comunitários e do Estado é para cumprir escrupulosamente e valorizar.

Todo o trabalho que foi feito que esteja contratualizado com financiamentos comunitários e do Estado é para cumprir escrupulosamente

Um Centro de Artes?

O CAEV não existe, não tem orçamento, não tem projeto e não tem financiamento. O CAEV é uma imagem virtual, uma fantasia que não tem nenhum conteúdo programático nem nenhum estudo de viabilidade.

Mas Viseu precisa de um espaço vocacionado para grandes eventos. Qual é a sua proposta

Viseu tem um espaço que está fechado e tem de ser democra­tizado e transformado num espaço de excelência. Falo do Pavilhão Multiusos, que foi construído pelo Dr. Fernando Ruas no tempo do Polis e que não está a ser usado por nenhuma das áreas, seja da cultura, do desporto, da educação, da formação ou do lazer, recreio e turismo. Nós vamos democratizar o Pavilhão Multiusos para todas e para todos e, claro, para grandes eventos.

Um Viseu Arena?

Não um Viseu Arena, mas sim transformar o Multiusos num projeto global para ser usado pelas escolas, instituições, para o desporto infantil, a formação, e a capacidade de dar resposta a grandes eventos que hoje temos dificuldade em acolher. Ou seja, o Multiusos é um ativo que está completamente desativado. Pior, a Feira de São Mateus usa o pavilhão como um argumento para o bem e para o mal. Não se pode mexer no Multiusos nem ser usado por causa da feira, mas depois também não é bem usado na Feira de São Mateus. As pessoas que lá estão não gostam porque os visitantes não vão lá.

Esse é um tema que tem vindo a denunciar. O que está mal na Feira de São Mateus?

A Feira de São Mateus deve ser completamente revisitada porque há também muitas queixas de quem lá está, nomeadamente quanto à organização e gestão. Aliás, na Viseu Marca, que tem 48% da câmara municipal, 48% da AIRV, e 4% da Associa­ção Comercial, pelo que sabemos há grandes tensões. Por exemplo, a Viseu Marca não pode estar a passar faturas de serviços à câmara municipal. Depois há problemas de segurança na feira nos últimos anos, de abastecimento energético, da própria gestão dos conflitos, o abandono total de pessoas que lá estavam há décadas. Ou seja, é preciso saber ouvir quem lá está, saber ouvir o património da feira e ir à procura de soluções que a possam melhorar.

Se ganhar as eleições qual é a primeira medida que pretende tomar?

A da água, começando por anular o processo imediatamente porque é uma decisão desastrosa para a região. Mas além desta há uma outra medida que vamos tomar no dia em que ganharmos as eleições. A questão da proximidade dos cidadãos aos serviços da câmara municipal. As pessoas vão perceber logo a diferença entre o que é hoje e o que é amanhã.

Outubro 6, 2025 . 13:30

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