
É dia de comemorar São Bernardo e as gentes de Sátão
Há muitos anos que o Dia do Município de Sátão se cruza com o Dia de São Bernardo, uma tradição que celebra reencontros, amizades e as gentes daquele território. Além da animação típica das festividades do mês de agosto, o concelho comemora hoje o seu feriado municipal, uma data que este ano tem um “sabor” diferente. Talvez pelo sofrimento que o fogo deixou pelas localidades, talvez pela vontade de mostrar que Sátão não baixa os braços.
E neste dia é também altura de homenagear “todos os populares que tiveram uma posição muito grande para que os fogos não lhe entrassem em casa”.
Mas também hoje se juntam os de cá e os que chegam para viver o melhor do concelho.
“Estas festas não são só diversão, mas um reencontro de amigos, um encontro com a comunidade emigrante que já é bastante grande e isso é muito importante”, começou por dizer o presidente da Câmara de Sátão, Alexandre Vaz, ao Diário de Viseu, sem esquecer que o certame é ainda uma oportunidade “para o nosso comércio local conseguir fazer algum negócio, compensando aqueles momentos em que há menos gente”.
Após as atuações de Mizzy Miles, Os Delfins e Wet Bed Gang, o programa de feriado, que arranca a por volta das 7h00, conta com a tradicional Feira Anual, seguindo-se a Feira do Gado e a célebre eucaristia. À tarde, há garraiada, o festival da sopa e animação a cargo da Band S e da dupla Calema (22h30). “É o Dia do Município, não teremos o prémio Cónego Albano Martins de Sousa porque o júri entendeu que nenhuma obra fazia justiça e, portanto, sem obra não pode haver prémio. Mas teremos animação, as feiras e os concertos à noite”, acrescentou o autarca.
Para já, as festas, que arrancaram no último sábado, “estão a decorrer normalmente e bem desde o primeiro dia, com a prata da casa, a prova de running, a nossa cultura e os concertos para os mais jovens”, enumerou. E porque “temos de arregaçar as mangas pelo concelho”, a autarquia tomou a decisão de não cancelar as Festas de São Bernardo na sequência dos incêndios que fustigaram o território. “Temos de combater isto, dar um apoio às famílias que mais perderam e julgo que a administração central está aberta a isso, caso contrário a administração local está disponível para apoiar quem mais perdeu”, garantiu Alexandre Vaz, reforçando que “a prioridade é dar ânimo às pessoas para a vida continuar”.
Ainda nesta semana, o município arranca para o terreno para fazer contas aos prejuízos.
“A área ardida será à volta de 2.700 hectares, os prejuízos serão muitos, mas vamos começar a trabalhar logo na quinta-feira e perceber tudo aquilo que ardeu”, adiantou.
O autarca lembrou ainda que o incêndio, cujo alerta aconteceu em Vila Boa, atingiu “parte de algumas aldeias como Vila Boa, Aldeia Nova, Águas Boas, Quinta da Carrasqueira e Madalena”, onde “se viveram dias muito complicados porque o fogo chegou mesmo às portas das casas”.
E, entre localidades, “vi na cara das pessoas revolta, medo, angústia, ansiedade, tristeza, tudo. Apesar de termos helicópteros a fazer descargas, apesar de termos alguns bombeiros, é impossível chegar a todos os sítios. E como foi impossível chegar a todos os sítios, houve aldeias que viveram tempos terríveis e os populares tiveram uma posição muito grande para que os fogos não lhe entrassem em casa”, sublinhou.







