
Penalva do Castelo tem “o mosteiro mais antigo da Ordem do Santo Sepulcro” (galeria)
O concelho de Penalva do Castelo viu concretizar-se no sábado um dos maiores anseios da sua população. O Mosteiro do Santo Sepulcro, localizado na freguesia de Trancozelos, classificado como Monumento Nacional desde fevereiro de 2023, abriu portas para evidenciar o resultados das obras que ali decorreram durante os últimos dois anos e meio.
Como vincou o presidente do município, Francisco Carvalho, na sua intervenção, não se tratou ainda da sua inauguração ao público, mas sim de “uma simulação, uma espécie de teste para que nada falhe no dia da inauguração”.
O autarca já escolheu inclusivamente a data pretendida para esse desiderato: 25 de agosto, feriado municipal.
“Vamos ver se a entidade oficial que vamos convidar estará disponível para vir a Penalva do Castelo nesse dia”, referiu.
Alargou os elogios que deixou à empresa que ali prestou serviço, à equipa de arqueólogos, consultores e arquitetos, porque “foram inexcedíveis no trabalho que fizeram”.
Agradeceu, em particular, a Fernando Tavares Pereira, proprietário do mosteiro, “por ter acreditado neste executivo”.
“Sem o contrato de comodato por 26 anos não era possível fazer o que fizemos aqui. Ele acreditou nos políticos, o que é difícil por vezes de acontecer. Garanti-lhe que ninguém iria levar o mosteiro daqui para fora, porque ele é dos penalvenses”, asseverou. Para o autarca, o proprietário revelou altruísmo por permitir que o mosteiro fosse disponibilizado a toda a gente, em vez de estar fechado.
“Em boa hora o senhor Fernando adquiriu esta propriedade, se tivesse caído noutras mãos seria mais difícil. Agora, ele continua proprietário e os penalvenses também, por ser património nacional, e os espanhóis que não venham dizer que têm o mosteiro mais antigo, porque não é verdade, porque este foi construído seis anos antes”, enfatizou.
Francisco Carvalho juntou ainda mais dois nomes, que no seu entender foram “as grandes impulsionadoras deste projeto”: Susana Meneses, ex-diretora regional de Cultura do Centro; e Ana Abrunhosa, ex-ministra e antiga presidente da CCDR Centro.
“Foram estas as pessoas que me ajudaram a reclassificar este monumento, a fazer a candidatura ao património cultural, já mesmo no final do quadro comunitário”, afirmou, acrescentando que “Penalva do Castelo tem tido muita sorte com as pessoas com quem lida, e tanto a CIM Viseu Dão Lafões como a CCDR Centro foram dois parceiros estratégicos que estiveram sempre de braços abertos para nós, acreditando sempre que isto era possível”.
A concluir, anunciou que a autarquia avançou com uma candidatura de 250 mil euros, com financiamento já dotado, para o centro interpretativo e para obras a realizar em cinco hectares da quinta, reclamadas pelo proprietário.
O presidente da Junta de Freguesia de Trancozelos, Joaquim Pereira, admitiu ser “uma honra e um privilégio ter este monumento restaurado, o primeiro Mosteiro da Ordem do Santo Sepulcro e o primeiro monumento classificado como Património Nacional no concelho”.
Pediu, a concluir, ao líder do executivo municipal, que a rua que liga a ponte medieval ao mosteiro seja requalificada, “para ser tornar ainda mais ativa a vinda a este monumento”.
Por último, numa cerimónia que contou com as presenças da vice-presidente da CCDR Centro, Alexandra Rodrigues, e do lugar-tenente da Ordem do Santo Sepulcro, Bartolomeu Cabral, a arqueóloga Fátima Beja e Costa fez uma resenha histórica do monumento, que terá sido fundado no primeiro quartel do século XII.
“É um mosteiro atípico, não é como aqueles a que estamos habituados, seria um mosteiro pobre, para o povo, com monges que se dedicavam sobretudo à agricultura”, explicou.
No final da sessão, realizou-se uma recriação histórica pela Associação Portucale Fidelis e um atelier pedagógico.
“Este é um espaço de história, em que todas as pedras contam uma história, agora é a vossa vez de o descobrir e de o usufruir”, concluiu.








