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“Há municípios com pouca legitimidade para pressionar ou fazer exigências”

Fernando Ruas, presidente do Município de Viseu, refutou as acusações do homólogo de Mangualde, afirmando que não houve qualquer redução no abastecimento. Aludiu ainda a uma dívida que vem aumentando gradualmente.

Fernando Ruas, presidente do Município de Viseu, negou ontem que tenha existido qualquer redução no abastecimento de água ao concelho de Mangual­de durante o último mês. Apresentou inclusivamente números que apontam o mês de junho como aquele em que se registou o maior fornecimento de água ao concelho.
“Não houve qualquer diminuição, antes pelo contrário. Em 2 de junho passado, tivemos 5.975 m3 de água, no dia 3, já houve 7.139, depois quase sempre 6.000. A diminuição é praticamente impercetível. O mês de junho foi quando houve maior fornecimento de água ao reservatório de Tabosa. Em janeiro houve 194.737 e em junho 221.711 metros cúbicos”, divulgou.

O reservatório de Tabosa, em Mangualde, recebe a água que é distribuída para o próprio município (3.500 m3) e para o concelho vizinho de Nelas (4.000 m3), que está a recorrer a camiões de bombeiros para repor o nível de água necessária

Recorde-se que Marco Almei­da, o seu homólogo de Mangualde, pediu, no fim de semana, esclarecimentos aos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Viseu sobre a gradual redução da quantidade de água que abastece o concelho.

Fernando Ruas salientou que alguma oscilação que se tenha verificado no abastecimento de água pode ter tido origem num aspeto técnico.

“O que se passou na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Fagilde é o que se passa regularmente, na medida em que esta precisa de ser limpa, algo fundamental para a manutenção da qualidade da sua água. Caso contrário, estaríamos a colocar nos consumidores água sem qualidade. Isto reflete bem o cuidado que nós temos com esta questão da água e de como alguns aligeiram esta situação”, asseverou.

O autarca viseense entende que a oscilação também poderá ter a ver com o consumo de Mangualde, na medida em que “os valores que tenho do mês de junho não diferem muito, o valor máximo foi de 7800 m3 e o mínimo foi de 5.975 no dia 2 de julho, num dia de lavagem”.

No seu entender, “as oscilações, mesmo em dia de lavagem, são relativamente pequenas. Agora, são consumos maiores, até pelas altas temperaturas que temos tido na região”.

Município com pouca legitimidade para pressionar
Fernando Ruas manifestou o seu desagrado pela forma como o concelho vizinho solicitou os esclarecimentos, enviando um ofício aos SMAS através de uma chefe de gabinete.

“É bom que fique claro que os serviços municipalizados dependem apenas da câmara, não há nenhuma solicitação, que às vezes até soa a exigência, diretamente ao serviço, ainda por cima vinda de uma chefia de um gabinete. Isso connosco acaba logo. Quem quiser perguntar alguma coisa, pergunta diretamente à câmara, que responde quando é solicitada, mas não o faz quando é questionada da forma como foi e a fazer exigências. Isso é lá nos serviços de onde vem essa exigência, nos nossos não é assim. Nenhuma câmara que utiliza a ETA de Fagilde manda nos serviços municipalizados, que têm o conselho de administração que ema­na da câmara de Viseu e só da câmara de Viseu”, referiu.

A questão da legitimidade também foi aflorada, com o edil a anunciar que o Município de Mangualde tem uma dívida, relacionada com o abastecimento de água, que ascende aos 309.861 euros.
“Às vezes, têm pouca legitimidade para pressionar, porque a dívida do município vem aumentando gradualmente, neste momento tem valores com alguma expressão, e são pouco sensíveis aos ofícios que a câmara manda, não obtendo nenhuma resposta. Isto diz respeito à Câmara de Mangualde. Eu tenho relação com a Câmara de Nelas, porque qualquer colega me merece consideração, mas não tenho nenhumas relações diretas com a Câmara de Nelas. Nós vendemos a água a Mangualde, que a vende a Nelas. E até é vendida mais cara a Nelas do que nós vendemos a Mangualde, pelas informações que recebemos, mas eu não tenho de saber qual é o preço, nós fornecemos uma quantidade de água para um município que cede a outro, porque está obrigado a isso”, sustentou.

A adesão do município vise­ense à Águas do Douro e Paiva também mereceu considerações por parte do autarca, que se mostrou ansioso pela entrada em vigor do novo sistema de abastecimento.
“Por mais que me custe, enquanto não tivermos a tal solução que não tem trazido grandes preocupações, não podemos querer fornecer água a qualquer preço”, acrescentou.

Quatro limpezas por ano na ETA de Fagilde
Carlos Tomás, diretor do SMAS Viseu, explicou que são efetuadas quatro limpezas por ano na ETA de Fagilde.
“É sempre feita uma manutenção no final de junho e início de julho, para garantir uma melhor qualidade de água no verão, porque se for antecipada, a próxima seria em setembro e assim é em outubro. Também é verdade que nesta altura do ano não é costume haver estas temperaturas elevadas e isso pode ter influência”, sublinhou.

Segundo o diretor, Mangualde e Nelas “têm direito a 27% do consumo da água produzida na ETA de Fagilde. No mês de junho, enviamos para Mangualde e Nelas cerca de 28%, mas nos primeiros dias do mês foram 28, 30, 29, chegou a ser mais de 3% por dia para os dois concelhos. A 24 de junho, o valor foi de 24%, provavelmente porque nos solicitaram menos água, porque não havia razão nenhuma para estarmos a parar a ETA no dia 24 de junho, terão solicitado menos água, porque pedem água em função das suas necessidades”.

Carlos Tomás explicou ainda que a ETA de Fagilde tem “uma capacidade limite para tratar água, não é infindável e essa capacidade varia em função da qualidade da água, do estado dos filtros e dos decantadores. E também da qualidade da cisterna da água potável, que se não for limpa a qualidade pode ser prejudicada”.

“Viseu tem enviado para Mangualde a água que tem sido necessária e até mais do que aquela a que tem direito. Na maior parte de junho, foi enviada uma cota superior a 27%, que é a percentagem a que tem direito”, concluiu o diretor.

Julho 8, 2025 . 19:30

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