
Investimento hoteleiro de 9 milhões de euros terá o vinho como tema
O concelho de Carregal do Sal está muito perto de concretizar a ambição de ter a sua primeira unidade hoteleira. O projeto, ontem apresentado publicamente no Salão Nobre Aristides de Sousa Mendes, é robusto e arrojado, tendo o autarca local, Paulo Catalino, referido que “preenche uma necessidade do território, que há muito desejava um empreendimento turístico desta dimensão para impulsionar o desenvolvimento do turismo no concelho”.
A unidade hoteleira representa um investimento privado de 9 milhões de euros e terá como tema subjacente o setor vitivinícola. A sua localização assim o permite, na medida em que ficará localizado na freguesia do concelho de Carregal do Sal que mais quintas de vinho alberga, Oliveira do Conde.
Os promotores revelaram que vão procurar estabelecer parcerias junto dos “players” locais, nomeadamente os produtores e engarrafadores de vinho, anunciando igualmente que vão estabelecer uma marca independente no hotel, “naturalmente ligada ao setor vitivinícola da região”, no sentido de atribuir à unidade hoteleira a temática do vinho.
O hotel terá uma capacidade de 68 quartos, uma área de construção acima do solo de cerca de 5 mil metros quadrados num terreno de 13 mil metros quadrados, arranjos exteriores e área de paisagismo de cerca de um hectare, zona de SPA, piscina exterior, interior e para crianças, campos de padel e ginásio, ambos abertos também à comunidade e não apenas para utentes do hotel. O hotel, de dois pisos, terá ainda uma sala de conferências, restaurante e bar. No seu primeiro ano de atividade prevê criar cerca de 40 postos de trabalho.
Paulo Catalino, presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, considerou “muito importante esta unidade hoteleira”, referindo que a autarquia “está a colaborar em tudo o que seja necessário para a sua execução, no sentido de que esta arranque o mais rapidamente possível, em virtude da grande necessidade que temos no nosso concelho a nível hoteleiro”.
Segundo o autarca, o projeto “vai enriquecer muito o nosso concelho e a nossa região, sendo ainda mais importante a sua existência depois de termos conseguido inaugurar o Museu Aristides de Sousa Mendes e de promovermos tantos eventos no nosso concelho. Fazia falta, neste contexto, uma unidade hoteleira para os nossos visitantes, além de usufruírem da excelência dos nossos restaurantes, pernoitarem também aqui no nosso concelho”.
Paulo Catalino explicou que o processo se iniciou há algum tempo e que tem vindo a ser maturado junto dos promotores e da Junta de Freguesia de Oliveira do Conde, “que desde a primeira hora tudo fez para tornar real este projeto”.
“Depois de termos feito algumas visitas pelo concelho, fomos ver vários locais e foi possível encontrar o espaço que no entender de todos seria o local ideal para a sua construção, em Oliveira do Conde. O espaço era da responsabilidade da junta de freguesia mas podia ser alienado de forma a ser ali construída a unidade hoteleira”, enfatizou.
Além de colmatar as necessidades ao nível das dormidas no concelho, o hotel, segundo o autarca, “vai dar um importante apoio aos visitantes do Museu Aristides de Sousa Mendes, que já acolheu mais de 20 mil pessoas”, acrescentando que gostaria que a unidade se afirmasse “como uma imagem de marca da região, associada a um grande produto de excelência que são os nossos vinhos, os nossos espumantes, a nossa gastronomia, que certamente serão bem promovidos e divulgados no restaurante do hotel”, concluiu.
“Preenche uma necessidade do território, que há muito desejava um empreendimento turístico desta dimensão para impulsionar o desenvolvimento do turismo no concelho”
Todos os passos do processo
Carlos Bastos, presidente da Junta de Freguesia de Oliveira do Conde, contextualizou um processo que se iniciou em 2023.
“A junta empenhou-se na procura de um espaço para receber o hotel e partindo do seu património privado disponibilizou aos promotores um espaço que estava devoluto há cerca de 30 anos.
Em dezembro de 2023, fizemos um projeto, porque estávamos numa fase de alteração do PDM e era expetável que se deixasse de construir naquela zona, que foi aprovado. Conseguimos “segurar” aquele terreno para edificação de um hotel e que fosse permitido construir em toda aquela zona. Em fevereiro de 2024, após todas as disposições legais, foi feita a escritura pública, que teve algumas cláusulas para salvaguardar o objetivo público.
O bem foi vendido para apenas e só ser ali construído um hotel, foi para esse fim que foi vendido, ficou definido que têm cinco anos, após a emissão das licenças municipais para construção, para concluir a obra, caso contrário há um processo de reversão da venda, e também que numa futura venda a junta tenha direito de preferência. Devo dizer que houve total aceitação por parte dos promotores que essas cláusulas constassem da escritura, até para que publicamente todo este processo fosse o mais claro para todos. Depois, houve a elaboração do projeto em que a junta sempre se pautou por um comportamento de colaboração total, que vamos manter aquando da construção do hotel”, concluiu.








