
“As pessoas sempre foram a prioridade e nunca nos desviámos desse compromisso”
As comemorações do Dia do Município são também uma forma de reforçar a identidade santacombadense? O que destaca do programa comemorativo?
O dia do município é um dia de festa, de celebração, é como o aniversário de cada de nós, em que festejamos e homenageamos as entidades e as pessoas que mais se distinguiram. É também um dia de reflexão sobre aquilo que fizemos, o que fizemos bem, o que fizemos menos bem, e de relançar o futuro, o dia seguinte. É igualmente um dia para agradecer aos santacombadenses pelo seu trabalho, empenho e dedicação às várias causas que fazem de Santa Comba Dão um concelho mais desenvolvido e mais solidário. Para homenagear ainda as pessoas, associações e empresas que mais se distinguiram em tornar o concelho mais próspero e aqueles que, fora do território, mais se notabilizaram a dignificar a terra onde nasceram, cresceram e estudaram.
Respondendo à segunda questão, as comemorações incluem a inauguração da Unidade de Saúde de São João de Areias e a atribuição do nome de Fernando Paulo Gomes ao auditório principal da Casa da Cultura. Foi uma pessoa a quem se deve o grande desenvolvimento ao nível cultural e da música, foi o fundador do Conservatório de Música e Artes do Dão (CMAD) e foi a partir daí que houve um exponencial de qualidade em termos musicais, que depois foi também transmitido para as escolas através do nosso projeto próprio das AEC’s do ensino articulado da música para os alunos do 2.º e 3.º ciclo e do secundário.
Realço igualmente a qualidade existente, porque os alunos do CMAD são simultaneamente alunos e músicos das filarmónicas. Temos atualmente no concelho três bandas musicais em que a média de idade andará à volta dos 18 anos e que já são grandes profissionais.
Santa Comba Dão é um dos concelhos que mais aposta na formação musical. Quantas crianças e jovens do concelho estão envolvidos nas iniciativas promovidas pela autarquia?
Alunos do CMAD são 300, mas nem todos são do nosso concelho, mas do nosso território eu diria à volta de 600 alunos, com as AEC’s e com o ensino articulado da música. Fomos estimulados pelo professor Fernando Paulo Gomes e depois pelas pessoas que se lhe seguiram, eram-nos lançados continuamente desafios e nós fomos atrás deles e não é por acaso que este fenómeno tem consequências também a nível económico, porque nós temos mais de 60 ou 70 licenciados em música a trabalhar no concelho de Santa Comba Dão. Estas atividades estenderam-se depois aos concelhos vizinhos e as AEC’s e outros projetos envolvem já um grande número de profissionais licenciados em música e também pessoas que acabaram por fazer a sua formação no CMAD e depois foram para universidades na área da música. Hoje temos grandes grandes músicos a tocar nas melhores orquestras nacionais e europeias.
Esta é uma marca distintiva de Santa Comba Dão que foi impulsionada nos seus três mandatos?
Sem dúvida. Temos regularmente espetáculos e concertos em conjunto com a Filarmonia das Beiras, com quem fazemos parcerias, e temos espetáculos ao longo do ano em que os os nossos jovens são os artistas e quando vem alguém de fora ficam admiradas pela forma como se vive a música em Santa Comba Dão.
Quais são as personalidades que vão ser distinguidas com medalhas de mérito municipal no Dia do Município?
Temos dois funcionários municipais que fizeram 25 anos de serviço e vamos homenagear munícipes, neste caso, duas jovens cientistas que estão nos Estados Unidos, são biólogas ligadas à investigação e que estão a fazer um trabalho de grande relevo a nível da ciência. Teremos um santacombadense que tem sido um grande impulsionador das atividades desportivas no concelho, duas empresas que tiveram a qualificação do PME Excelência e ainda uma empresa de grande dimensão, que é a Ferraz Pharma, da área dos medicamentos e que se instalou há relativamente poucos anos no concelho e que tem tido um papel relevante na economia local. Vamos também atribuir a Medalha de Ouro à Sociedade Filarmónica Fraternidade de São João de Areias.
Está no seu último ano de mandato, depois de 12 anos a gerir os destinos do município. Como estava a câmara quando chegou em 2013 e como está agora a poucos meses da sua saída?
O balanço é naturalmente, do meu ponto de vista, muito positivo. Como sabe, o município, quando tomámos posse, estava sobreendividado, éramos dos municípios mais endividados do país e ainda com uma expressão maior dada a nossa pequena dimensão. Ninguém vendia nada à câmara que não fosse pago em dinheiro rapidamente, estávamos titulados no Banco de Portugal como um município falido e até tinham sido deixadas de pagar as prestações dos empréstimos. Portanto, foi um primeiro mandato muito difícil, em que foi necessário tomar medidas drásticas, como ficarmos sem iluminação pública noturna durante dois anos. Tínhamos às costas cerca de 30 milhões de euros, resultado do endividamento da câmara de quase 20 milhões de euros, de processos judiciais relativamente a irregularidades, devolução de verbas de fundos comunitários, que totalizaram cerca de 3,5 milhões de euros, dos quais ainda estamos hoje a pagar alguns desses valores. Portanto, foi necessário fazer um esforço muito significativo ao longo destes três mandatos e hoje temos um município que tem um endividamento de cerca de 5 milhões de euros. Portanto, passámos de 30 para 5 milhões de euros, o que representa quase 2 milhões de euros por ano de resolução do endividamento e o nosso endividamento atual é o mais baixo dos últimos 25 anos, portanto. Somos um município com uma saúde financeira boa para poder, a partir de agora, abarcar desafios no âmbito de atividades e iniciativas que é preciso realizar e nomeadamente ter condições de aceder às candidaturas do quadro comunitário 2030, que está em vigor. Este é, sem dúvida, o maior legado que deixamos para o próximo executivo, até porque sempre dissemos que a nossa prioridade eram as pessoas e não nos desviámos desse compromisso.
Qual a marca que entende que vai deixar no concelho?
A minha marca fundamental foi essa, tornar o município viável e sustentável do ponto de vista do que são os desafios do futuro. Essa é a principal. A outra marca é que a nossa preocupação ao longo deste tempo foi trabalhar para as pessoas, ao nível da educação, com todos os projetos que nós implementámos e que fazem com que os nossos alunos possam ser felizes e a quem são transmitidas competências para além daquilo que é a atividade letiva, não só a nível da música, a nível cultural, mas também a nível desportivo. Sempre foi grande a preocupação com o desenvolvimento dos mais novos e de as manter em atividades saudáveis, mas também de procurar que os nossos seniores tenham um envelhecimento ativo. Nós temos uma universidade sénior, criámos a academia sénior, que permite que os nossos idosos possam usufruir de atividades de educação física, de ginástica, usufruindo de aulas de hidroginástica na piscina municipal. Tem sido uma atividade muito relevante e também muito elogiada, até pelo número de pessoas que são abrangidas. A nossa preocupação fundamental foram as pessoas, sejam elas mais novas ou mais velhas.
Uma outra valência, e eu acho que Santa Comba Dão, pelas suas qualidades em termos da natureza, do património histórico e arquitetónico, tem sido a criação de equipamentos e de infraestruturas dedicadas ao desenvolvimento turístico. Desde a Ecopista do Dão, a Ecovia do Mondego, temos melhorado as condições da Praia Fluvial da Senhora da Ribeira e ao nível do centro do concelho inaugurámos um núcleo museológico municipal de artes e ofícios que é muito visitado, e requalificámos o antigo Lagar de Azeite, que será inaugurado em breve. Temos também uma antiga central elétrica, que oferecia a energia ao centro da sede do concelho, que vai ser inaugurada igualmente em breve, requalificámos uma antiga capela junto do núcleo museológico, que vai ser aberta ao público. Estamos a iniciar a requalificação de um moinho de água junto ao Lagar de Azeite, construímos passadiços no centro da cidade, criámos uma rota de miradouros, que permite que os turistas circulem pelos vários pontos da sede do concelho e isso tem sido muito muito apreciado, cada vez mais pessoas vêm visitar-nos e isso é depois refletido na hotelaria, no alojamento e também na restauração. O número de alojamentos locais é muito significativo no concelho, estão praticamente sempre cheios, os restaurantes têm tido uma ocupação muito grande, fruto precisamente desta aposta que nós temos feito no desenvolvimento turístico.
No seu entender, qual é a grande obra da sua liderança autárquica?
Há dois projetos que já eram desejo dos dois anteriores autarcas e que agora vão avançar, que é a construção do Parque Verde da Ribeira das Hortas, no centro da cidade. Temos já um parque verde que vai necessitar ainda depois de alguns “upgrades” no futuro, mas que vamos também inaugurar em breve, ainda neste mandato, do ponto de vista do arvoredo, da linha de água, é a nossa ribeira que passa lá, estamos a colocar infraestruturas desportivas, já lá temos o parque infantil, mobiliário urbano, circuitos, parque de merendas, casas de banho e iluminação noturna. É um espaço que era uma aspiração dos autarcas que me antecederam e que vou deixar como um das minhas grandes obras.
A outra é a criação do Centro Interpretativo do Estado Novo. Criámos as condições para que ele seja uma realidade a curto prazo, ainda no meu mandato, que foi termos estabelecido um protocolo de parceria com a Associação Ephemera, que vai ser quem vai assumir a a direção do centro e, portanto, ainda no mês de junho ou no início de julho vamos ter já atividades naquele espaço. Portanto, foram dois projetos, dois anseios dos santacombadenses e dos autarcas que me antecederam que vou deixar para o futuro.
Que projetos deixa por fazer por não ter tido tempo ou por falta de verba?
Nós temos projetos que ansiávamos fazer e que não houve condições precisamente pelas questões financeiras. Estou a referir-me à Marginal do Granjal, um percurso ao longo do rio Dão e que vai até à aldeia do Granjal, onde temos um complexo termal. Temos candidaturas elaboradas e algumas delas já com o financiamento assegurado para iniciar esse processo. Esse é um projeto que fica por fazer, porque não houve condições financeiras para tal. Mas temos mais obras que temos candidatas e portanto com o financiamento assegurado, como as requalificações das nossas piscinas municipais, do mercado municipal, do pavilhão gimnodesportivo, à criação do arquivo municipal. Vão iniciar-se no próximo mandato, embora a candidatura já esteja aprovada, estamos a trabalharmos projetos e portanto o próximo autarca que vier pegará neles certamente e vai dar-lhes continuidade.
Que futuro está reservado para o cidadão Leonel Gouveia a partir de outubro deste ano?
A partir dessa altura, serei o cidadão Leonel Gouveia, um munícipe que pretende continuar ativo não em termos políticos, não em termos partidários, mas tenho alguns projetos na área da cultura, nomeadamente fazer um livro sobre aquilo que foi a evolução do concelho desde o 25 de Abril de 1974 até à data de hoje. Comprometi-me também com o José Pacheco Pereira, se ele assim entender, em ser um dos voluntários da Associação Ephemera em Santa Comba Dão. Em termos partidários, em termos políticos, em termos autárquicos, não pretendo desempenhar mais nenhuma função. Quero ser um cidadão ativo, culturalmente ativo, mas para isso é necessário ter tempo disponível, algo que eu não tenho tido nos últimos 12 anos...
Uma recandidatura daqui a quatro anos está fora de hipótese?
É impensável. Acho que temos que dar oportunidade aos mais novos e não sou daqueles que acha que nos devemos perpetuar nos cargos. Acho que há um tempo limitado para o podermos fazer e acho que 12 anos é mais que suficiente e, portanto, no futuro vir a abraçar um novo projeto autárquico está fora de questão. Estarei disponível para ajudar e apoiar na medida que as pessoas entendam que eu posso ser útil, para opinar, mas não para decidir.
Melhorámos muito o acesso dos munícipes à saúde
Respondendo a uma grande necessidade da população, a Unidade de Saúde de São João de Areias vai ser inaugurada no feriado municipal, às 15h00. Leonel Gouveia assume a grande aposta que o seu executivo fez na área da saúde.
“Nós temos tido uma grande aposta na área da saúde. Assumimos as transferências competências na área da saúde, o que implica a gestão do espaço. Melhorámos muito o acesso da dos munícipes à saúde e também implementámos as consultas ao domicílio. Temos duas viaturas da câmara municipal no centro de saúde, com os respetivos motoristas, que permitem que rapidamente os médicos e os enfermeiros apoiem as pessoas nos seus domicílios. São João de Areias é a única vila do concelho e está na sua zona sul, sempre houve esta aspiração por parte da sua população em ter a continuidade do seu centro de saúde. Estamos a falar de uma unidade nova, um edifício novo. que foi também financiado por verbas do quadro comunitário ainda do Portugal 2020 e que foi naturalmente construído com esse único objetivo. E, portanto, temos ali também um equipamento de muita qualidade e que vai naturalmente fazer com que os procedimentos e atos médicos e de enfermagem naquele espaço sejam feitos com o máximo de dignidade e de profissionalismo. Contará com um médico, um enfermeiro e um administrativo”, concluiu o autarca.








